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Aviação comercial » Taiwan quer ser rota global

Correio Braziliense

Publicação: 06/03/2014 08:48 Atualização:

O governo de Taiwan deu início a um plano para transformar o aeroporto da ilha no principal da Ásia. Com o aumento da concorrência internacional depois da crise de 2008, o país viu a necessidade de melhorar ainda mais a infraestrutura para ganhar eficiência e terreno nas disputas por contratos comerciais. Agora, tenta atrair investimentos para o projeto, que vai além de ampliar o aeroporto Taipei Songshan. A ideia é erguer, em torno do complexo aeroportuário, uma cidade que interligue áreas residenciais e produtivas, criando acessos facilitados à indústria e centros de tecnologia aos terminais de embarque e ao porto, que também estará conectado à estrutura.

A expectativa é atrair investimentos ao redor de R$ 3 bilhões. Quando estiver concluído, o empreendimento deverá gerar receita de R$ 1,3 bilhão ao ano. O projeto de Taipei tem ainda o objetivo de reduzir custos de logística para as empresas. De modo semelhante ao que ocorreu em Dubai, que hoje é um importante hub internacional, ele tentará também agregar o máximo possível de serviços para alongar a estadia de quem fizer escala na ilha. Segundo analistas, essa é uma estratégia comum em aeroportos com grande potencial de conexões, sobretudo de rotas internacionais. Brasília, com a Inframérica, e Belo Horizonte, com o Executivo local, têm projetos parecidos, mas que ainda não saíram do papel.

Joel Shon, professor do Departamento de Gestão de Negócios Internacionais da Universidade de Tecnologia de Taiwan, argumenta que Taipei é um importante centro de transporte na Ásia Oriental, cujo espaço aéreo faz fronteira com os dois terminais de Fukuoka (Japão), Manila (Filipinas) , Hong Kong e Xangai (China). A cada ano, 40 milhões de passageiros de 50 companhias aéreas nacionais e internacionais passam pela área de controle de Taiwan. Da ilha, é possível seguir para 110 destinos.

Para impulsionar o projeto, Taipei quer um assento na Organização da Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla em inglês), entidade que define normas e regulamentos para a segurança da aviação, eficiência e proteção ambiental. “Estamos trabalhando em acordos bilaterais com países individuais. Nós não precisamos de adesão plena ao Icao, só precisamos participar de algumas das reuniões técnicas, para descobrir o que está acontecendo lá”, justificou Shon.

Negociação

A principal barreira para o ingresso de Taiwan na entidade é a China. Após Mao Tsé-Tung tomar o poder, os dissidentes e os integrantes do governo anterior ocuparam a ilha, onde formaram uma nova administração. Durante alguns anos, Taipei foi reconhecida como representante da nação chinesa e conseguiu manter participação em organismos internacionais, mas, com o passar dos anos, perdeu lugar para os chineses do continente.

O professor Shon explica que existem negociações com Pequim sobre a candidatura do país ao Icao, mas elas evoluíram pouco. Kelly Hshieh, diretor-geral da Secretaria de Organizações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores de Taiwan, diz que, em função do número de voos e dos riscos envolvidos no transporte aéreo, é importante para o país participar da entidade. “Estar fora dificulta o acesso a informações de segurança, o que pode levar a maiores riscos de aviação”, disse Hshieh.

No fim do ano passado, a ilha conseguiu um assento de observador na entidade, sem poder de voto. Com a execução do projeto, a área residencial terá um padrão urbanístico diferente do restante da cidade, com ruas com maior acessibilidade e bairros sustentáveis.

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