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Carnaval de abusos » Turistas brasileiros reclamam muito dos preços inflacionados

Correio Braziliense

Publicação: 06/03/2014 08:45 Atualização:

O carnaval deste ano foi uma prévia do que os brasileiros e os turistas estrangeiros terão de enfrentar durante a Copa do Mundo de futebol. Nos destinos turísticos mais procurados durante a festa de momo — Rio de Janeiro, Salvador e Recife — e em outras capitais que também serão cidades sedes do evento esportivo, o que se viu foi, sobretudo, preços abusivos. Os empresários do segmento turístico não têm do que se queixar, mas boa parte das pessoas que quiseram curtir a folia amargam más recordações.

O Ministério do Turismo ainda não divulgou o consolidado dos números do carnaval 2014, mas estima que a maior festa popular do Brasil atraiu cerca de 6,6 milhões de viajantes e acrescentou R$ 6,1 bilhões à economia do país, projeção entre 6% e 7% maior que a do ano passado. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Enrico Torquato Fontes, a ocupação hoteleira foi tão boa nos principais destinos turísticos que muitas pessoas tiveram de procurar outro tipo de hospedagem.

A ABIH do Rio de Janeiro projeta que, entre o 1,2 milhão de pessoas que visitou os destinos mais procurados da região, o movimento foi dividido entre 70% de brasileiros e 30% de estrangeiros. “A ocupação estimada é de 80%, o que representa uma queda de quase 10 pontos percentuais em relação ao ano passado”, destacou o presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes. Ele explicou, no entanto, que a desaceleração era esperada, uma vez que a cidade está aumentando a oferta hoteleira. “Só do fim de 2012 para cá, foram quase 5 mil novos leitos entrando em operação”, justificou.

Com a boa movimentação de turistas, o “bloco da carestia” não se intimidou e foi às ruas durante o carnaval. Os comerciantes das cidades mais procuradas na folia aproveitaram para lucrar. Houve, inclusive, quem estipulasse preço diferenciado para morador e para turista. O Correio foi até o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek para saber dos brasilienses que voltavam para casa como foi desfrutar do feriado em outra unidade da Federação. E a resposta comum foi: “Está tudo muito caro”. Os preços de hospedagem, locomoção e alimentação foram as principais reclamações, mas a falta de infraestrutura e de segurança também assustou os turistas.

Insegurança

Na capital carioca, até mesmo os fast-foods, que costumam tabelar os preços dos produtos, aumentaram os valores. Quem percebeu o aumento foi o casal Nathalia e Waldyr de Oliveira. Eles costumam frequentar o Bob’s, mas se espantaram com os valores dos lanches durante o carnaval. “Um sanduíche simples custa R$ 5. Eles subiram para R$ 10. O milk-shake não saiu por menos de R$ 12”, contou Nathalia, surpresa. Procurada para explicar sobre a disparada dos preços, a assessoria de imprensa da rede de lanchonetes não retornou até o fechamento desta edição.

O transporte também entrou na lista das principais despesas do casal no Rio de Janeiro. “Como o táxi estava um absurdo, andávamos de metrô. Mesmo assim, gastamos uma média de R$ 15 cada um, ao dia”, ressaltou Waldyr. No caso do analista fiscal Dorvalino Felipe Neto e da estudante Adriane Alves Buiati, a principal reclamação foi a falta de segurança na Praia do Futuro, uma das mais famosas de Fortaleza. “O nosso roteiro foi do táxi para o quiosque, do quiosque para o táxi”, ressaltou ela.

A advogada Suzele Velozo foi pular carnaval em Salvador com o amigo Lucas Gonçalves, mas, ao calcular todas as despesas do passeio, concluiu que não valeu a pena. “Eu sirvo em média 400 gramas em uma refeição num self-service, e lá pagava R$ 40 por isso. É um absurdo”, lamentou. O valor das passagens aéreas também pesou no bolso da advogada. “Comprei a ida com antecedência e, mesmo assim, a passagem saiu por R$ 1 mil. A volta, que comprei ontem mesmo, gastei R$ 1,2 mil. Não entendo o cálculo das companhias.”

Isoporzinho avança

Os preços abusivos e a exploração dos comerciantes provocaram vários movimentos de protesto, que começaram no Rio de Janeiro e se espalharam pelo país. O chamado isoporzinho — prática de os cidadãos levarem numa embalagem térmica para a sua diversão a própria bebida comprada em supermercado — tomou as ruas da cidade maravilhosa e já chegou a Brasília. Outra inovação também extrapolou as fronteiras físicas: nas redes sociais, as páginas chamadas de $urreal, que são uma alusão à moeda e ao surrealismo dos preços praticados no país, listam valores exorbitantes cobrados em estabelecimentos e incentivam o boicote.

A indignação de um carioca, amplamente divulgada, mostra o que ocorre em cidades de grande movimentação turística nos períodos de alta temporada. Ao tentar comprar açaí na tigela, como faz todos os dias na mesma lanchonete, o consumidor percebeu, na sexta-feira de carnaval, que o preço estava  R$ 10 mais caro. O gerente reconheceu o cliente habitual e cobrou o valor normal, alegando que o preço maior é só para turistas, lembrando ser esta a época de “tirar um por fora”. Ao verificar o cardápio, o consumidor percebeu que todos os produtos tinham sido majorados de R$ 10 a R$ 15. Tratou de divulgar o absurdo, postando na internet uma foto com os valores reajustados.

Saída

Na capital federal, onde já existe uma página $urreal com a relação de locais onde são praticados preços exagerados, o isoporzinho também emplacou como alternativa para driblar os ambulantes do carnaval. O estudante Vinícius de Oliveira Souza preferiu comprar bebida no supermercado antes de cair na folia. “Não viajei por falta de dinheiro. A solução para não gastar tanto aqui foi levar numa caixa térmica para os blocos. É muito mais barato”, explicou. Uma garrafa de catuaba custava R$ 18 nos quiosques espalhados pela cidade. Nas prateleiras do mercado, a bebida custa R$ 8. “A dose era vendida por R$ 5”, completou.

O estudante João Cambraia não se planejou da mesma forma e pagou caro por isso. “Gastei mais de R$ 70 só com bebida. Conforme o tempo passa, o valor da cerveja sobe cada vez mais”, observou.

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