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Preços controlados » Presidente argentina anuncia mão de ferro contra a inflação

AFP - Agence France-Presse

Publicação: 01/03/2014 21:21 Atualização:

A presidente Cristina Kirchner colocou o combate contra a inflação como eixo de seus últimos 20 meses de governo, ao anunciar leis para castigar abusos na fixação de preços, ao inaugurar este sábado (1º) o ano legislativo com um discurso no Congresso.

Kirchner, de 61 anos, disse que enviará iniciativas de “leis para castigar os abusos contra os consumidores cometidos por monopólios e oligopólios”, em um país onde a inflação é o maior problema da economia, segundo consultorias que a projetam em mais de 30% em 2014.

“Cuidem dos preços, não permitam que lhes roubem!”, pediu a milhares de seus partidários fora do palácio legislativo ao terminar uma mensagem na qual exaltou seu próprio governo, mencionando relatórios de organismos da ONU e do Banco Mundial que destacam o gasto social e o plano “Preços Cuidados”, uma cesta acordada com empresas para 200 produtos de primeira necessidade.

O ministro da Economia e estrela do gabinete, Axel Kicillof (42), acaba de normalizar as desprestigiadas estatísticas de custo de vida, em acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), revelando 3,7% de alta apenas em janeiro, o primeiro indicador oficial crível nos últimos sete anos.

Após contornar uma tempestade cambial com medidas que aprofundaram a virada de seu governo para a ortodoxia monetária, a presidente disse que, desde seu primeiro mandato em 2007, suportou “oito corridas cambiais, que causaram uma fuga de capitais de 60 bilhões de dólares”. A presidente peronista de centro-esquerda sufocou um ataque especulativo contra o peso em janeiro, que forçou o governo a amargar uma abrupta desvalorização de 18%, fenômeno que Kirchner atribuiu a uma tentativa de que “o governo vá pelos ares”.

Frente à tensão com a taxa de câmbio, Kirchner fez a taxa de juros de referência dobrar a 30%, como nos planos de ajuste tradicional, segundo economistas. O Banco Central obrigou os bancos a se desfazer de 70% dos investimentos em dólares e as autoridades conseguiram que os poderosos grupos exportadores de cereais voltassem a liquidar divisas, o que freou a corrida e estabilizou o que parecia o começo de uma crise.

“Haverá, em 2014, uma colheita recorde de 55 milhões de toneladas de soja”, previu sobre exportações agrícolas de 30 bilhões de dólares, um terço do total. Kirchner também aliviou a tensão ao reabilitar com restrições a compra de dólares por pequenos poupadores, proibida desde 2011. O governo conseguiu frear a drenagem de reservas monetárias que caíram em 2 bilhões de dólares entre dezembro e janeiro, até se estabilizar em 27,5 bilhões.

As duras medidas esboçam uma desaceleração da atividade, depois de o Produto Interno Bruto ter crescido 4,9% no ano passado e entre 4% e 9% desde 2003, essência de seu modelo de economia de consumo. “É necessária uma aliança estratégica com o Brasil”, disse Kirchner ao revelar a queda das exportações de automóveis ao sócio do Mercosul, que Kicillof estima em 40%.

Kicillof agora comanda a mudança de viés ortodoxo ao iniciar negociações com o Clube de Paris por uma dívida de 9,5 bilhões e assinar um acordo com a espanhola Repsol para indenizá-la com 5 bilhões de dólares em títulos, pela expropriação da petroleira líder YPF em 2012. Ao defender o acordo com a Repsol, Kirchner disse que a Argentina tem agora disponibilidade sobre “a segunda reserva do mundo de ‘shale-oil’ (xisto) e a quarta de ‘shale-gas’”, em um pedido de investimento estrangeiro em energia.

O governo também analisa eliminar milionários subsídios às tarifas de energia e de gás, de cerca de 5% do PIB, com um déficit fiscal de 3% ao ano, segundo as consultorias. Para resolver um problama remanescente de 7% da dívida em 'default' de 2001, acaba de pedir à Corte Suprema dos Estados Unidos que rejeite julgamentos de fundos especulativos que pretendem cobrar 'em cash' 100% de seus títulos.

Em matéria internacional, Kirchner expressou seu compromisso com “a democracia venezuelana, seja com um presidente de esquerda, direita ou centro”, diante do que denominou “tentativa de golpe suave”. Acerca do polêmico acordo com o Irã para investigar os governantes iranianos acusados pelo ataque com bomba contra a mutual judaica AMIA com 85 mortos e 300 feridos em 1994, pediu “à oposição que traga uma ideia melhor para poder indagá-los diante de um promotor argentino”.

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