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Balanço negativo » Prejuízo histórico da Vale

Correio Braziliense

Publicação: 27/02/2014 08:59 Atualização:

A Vale acumulou prejuízo de R$ 14,8 bilhões no quarto trimestre de 2013, o maior de sua história, superando em mais do dobro as perdas de R$ 5,6 bilhões de mesmo período de 2012. A variação entre os dois resultados é de 176%. Com esse duro impacto trimestral, a mineradora registrou um lucro líquido anual de R$ 115 milhões, bem inferior aos R$ 9,7 bilhões apurados no exercício anterior. O mercado esperava um lucro no ano passado de até R$ 5,9 bilhões.

O desempenho ruim se deveu à adesão, em novembro último, ao programa de recuperação fiscal Refis. Pelo acordo, a companhia deveria pagar R$ 5,96 bilhões em dezembro e mais R$ 16,36 bilhões parcelados em 179 meses. Sem o acordo com a Receita, o valor devido pela Vale ao governo era antes estimado em R$ 45 bilhões. Com a entrada no Refis, a dívida total caiu para R$ 22,3 bilhões.

Antes mesmo da revelação dos números trimestrais, os negócios com os papéis da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F) refletiram ontem expectativas que acabaram se confirmando. Ao fim do dia, as ações ordinárias (ON) da Vale subiram 0,25%, cotadas a R$ 32,59, enquanto as preferenciais (PN) fecharam em R$ 29,08, alta de 0,28%.

A divulgação dos resultados de 2013 foi feita um dia após da Petrobras, a outra peso-pesado do pregão paulista, fazer o mesmo. Os analistas de mercado já tinham costurado o consenso de que a companhia registraria bom desempenho no último trimestre do ano, mas sofria forte impacto negativo de fatores inesperados, como a sua adesão ao Refis.

Mesmo com o pagamento do programa ocorrendo a longo prazo, por mais de 14 anos, a Vale tem que lançar o valor total do acerto no balanço do quarto trimestre. Com isso, os R$ 22,3 bilhões renegociados tiveram um impacto negativo de R$ 14,4 bilhões na contabilidade da empresa.

A venda de ativos no último trimestre, como participações em empresas de cobre, logística e blocos de petróleo, ajudou os números da empresa, mas sem que o mercado percebesse quanto aliviaria seu tombo anual. Segundo analistas, as projeções de lucro sem os fatores não recorrentes, como Refis e venda de negócios, chegavam a R$ 9,2 bilhões entre outubro e dezembro.

Contexto

A mineradora foi também favorecida pelas cotações do minério de ferro, que continuaram em patamares elevados, e por um câmbio favorável às exportações. Para completar, as importações chinesas do principal produto da Vale subiram 13% nos últimos quatro meses do ano sobre igual período de 2012. A cotação média do minério no mercado à vista chinês, referência para o setor, foi de US$ 133,18 a tonelada nos últimos três meses do ano passado, segundo consultorias. Esse valor é 11,5% maior do que a média do mesmo período de 2012.

Mesmo com projeções positivas e um balanço expressivo, as corretoras ressaltavam que a entrada da Vale ao Refis pintaria de vermelho o balanço do último trimestre de 2013. A adesão ao programa se refere ao pagamento de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de controladas e coligadas  no exterior no período de 2003 a 2012. Os especialistas também apontaram riscos sobre a evolução das minas do Pará e a necessidade de se acompanhar o esforço para cortar custos, incluindo venda de negócios não prioritários.

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