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Conjuntura econômica » Pibinho se torna a marca de Dilma

Correio Braziliense

Publicação: 27/02/2014 08:54 Atualização:

Com o fantasma da recessão rodando o país, todas as atenções do mercado e do governo estão voltadas, hoje, para a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre e do ano de 2013, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa é de que a economia tenha avançado 0,3% entre outubro e dezembro e 2,2% ao longo do ano. “Há muito tempo um anúncio de PIB não causava tanto frisson no Palácio do Planalto. Todos estão temerosos de que o IBGE carimbe o país com a recessão, o que será um desastre para a imagem do governo, que, lentamente, vem tentando reconstruir sua credibilidade com os investidores”, disse um assessor da presidente Dilma Rousseff.

Oficialmente, o governo descarta a recessão, caracterizada por dois trimestres seguidos de queda do PIB — entre julho e setembro do ano passado, houve queda de 0,5%. Mas, nos bastidores, técnicos da equipe econômica chamam a atenção para o risco de que a piora do crescimento da atividade — ainda que não se configure numa recessão — possa contaminar o debate político em um ano de eleições presidenciais.

Esse é o motivo pelo qual o Planalto viu com bons olhos a redução no ritmo de ajuste nos juros básicos da economia (Selic) pelo Banco Central. Taxas ainda mais altas agora, afirmou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, significaria a piora do PIB. “A política monetária machuca mais os investimentos do que o consumo, e isso é um risco para o crescimento da economia a longo prazo”, explicou. Aperto monetário mais elevado também implicaria entraves à retomada de um dos principais motores do crescimento, a indústria, que anda cambaleante. Em dezembro de 2013, a produção industrial despencou 3,5%, um resultado que deixou surpresos tanto o governo quanto o mercado financeiro.

Montadoras

Um segmento em especial chamou a atenção: o automotivo. Mesmo tendo contado com a ajuda do governo, que prolongou o desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a compra de carros, as montadoras reportaram perdas de 17,5% em dezembro. O desempenho veio tão abaixo do esperado que contribuiu para derrubar toda a produção industrial de dezembro. Por tabela, caíram também o PIB do mês e do quarto trimestre, conforme constatou o Banco Central.

É nesse quadro que aposta o diretor executivo e chefe de pesquisas para mercados emergentes das Américas do Nomura Securities, o economista Tony Volpon. Para ele, o fraco resultado do PIB reflete a queda dos investimentos e a fraqueza da indústria. “Até dezembro, eu previa alta de 0,1% no último trimestre de 2013, mas, em função de uma combinação de dados ruins, mais fracos que o esperado, refiz minhas contas para uma queda de 0,1%”, afirmou. “Mas não se pode esquecer que isso é uma previsão. O dado oficial será divulgado hoje pelo IBGE”, ponderou.

Volpon observou que o fraco desempenho da economia brasileira se intensificou com a mudança da política monetária nos Estados Unidos, quando o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, ainda dava sinais de que retiraria estímulos da economia do planeta. Na avaliação dele, essa mudança levou a uma correção de preços de ativos, e os mercados emergentes não ficaram de fora desse movimento.

Os investimentos também decepcionaram na última etapa do ano. Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, observa que o consumo entrou em desaceleração, e os desembolsos produtivos não preencheram essa lacuna.

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