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Encruzilhada brasileira » Famílias endividadas, inflação e juros em alta e dólar caro tiram fôlego da indústria e comércio Governo torce e tenta acelerar o PIB, mas perspectivas este ano são piores

Correio Braziliense

Publicação: 23/02/2014 10:03 Atualização:

Movimento mais fraco nas lojas mostra esgotamento do consumo como mola do crescimento econômico. Foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press
Movimento mais fraco nas lojas mostra esgotamento do consumo como mola do crescimento econômico. Foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press
De dedos cruzados no Palácio do Planalto, assessores da presidente Dilma Rousseff, que tenta a reeleição em outubro, torcem pelo cenário que leve ao menor prejuízo político e econômico. Diante do risco de recessão técnica no fim de 2013, o governo trabalha com uma perspectiva de que o Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre do ano tenha ficado em um intervalo que varia de retração de 0,3% a alta de 0,3% — percepção reforçada por dados divulgados pelo Banco Central na semana passada. O quarto trimestre, tradicionalmente o mais forte do ano para o crescimento, parece ter decepcionado.

Não por acaso, os dois principais motores do PIB, a indústria e o varejo, fraquejaram no fim do ano passado. Enquanto que a produção das fábricas encolheu 3,5% em dezembro, o varejo recuou 0,2% — a primeira queda em nove meses. A alta dos juros básicos (Selic), que passaram de 7,25% ao ano, em abril de 2013, para 10,5% em janeiro, só piora esse cenário. Afinal, com juros mais altos, nem empresários investem, nem consumidores têm renda suficiente para conseguir comprar a prazo.

A alta do dólar frente ao real também não colaborou com os exportadores como se esperava. Em 2013, a moeda norte-americana ficou, em média, 15% mais cara que a divisa brasileira. Além da falta de competitividade dos produtos nacionais, o segmento sofre com a retração de Argentina e Venezuela, dois mercados importantes para a indústria de transformação brasileira e que estão em meio a uma convulsão político-social, mergulhados em questionamentos severos de seus modelos econômicos.

A retirada de estímulos monetários nos Estados Unidos também afeta os emergentes e jogou o Brasil no quadro dos cinco frágeis, cuja lista é composta por Turquia, Indonésia, Índia e África do Sul. “É verdade que os mercados emergentes estão sofrendo com isso, mas é verdade também que outros mercados estão se beneficiando da recuperação dos EUA. O Brasil, no entanto, não está no grupo dos que mais se beneficiam”, alerta Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco Fibra.

Tensão

No front doméstico, o endividamento das famílias segue em níveis elevados, 2013 fechou com 45,48% de toda a renda do ano comprometida com prestações. Ao mesmo tempo, o poder de consumo dos trabalhadores tem sido corroído pela inflação, que, em 12 meses até janeiro, acumula alta de 5,59% — as previsões são de que em setembro esse indicador estoure o teto da meta de carestia, em 6,5% ao ano. Pesquisas mostram ainda que 77% dos brasileiros têm o bolso como uma das principais preocupações por conta da piora do custo de vida, situação que tem levado a protestos nas ruas e nas redes sociais. O crédito, cada vez mais escasso e caro, deixou de ser uma das principais molas propulsoras do crescimento e o governo tenta uma guinada, até o momento sem sucesso, do modelo econômico – quer fazer os investimentos capitanearem a expansão do país em substituição ao consumo.

O quadro real e os efeitos de todo esse cenário serão conhecidos na quinta-feira, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado do PIB do ano passado. As expectativas são de um crescimento ao redor de 2% para o acumulado de 2013 e, caso se confirme a recessão, o governo deve intensificar ainda mais o trabalho de comunicação que tem feito para convencer de que o pior já passou. As previsões para 2014, no entanto, são piores do que as do ano passado. Na sexta-feira, o banco BNP Paribas informou que espera crescimento de 1% para o ano, taxa inferior que a mediana do mercado, que está em 1,79%, menor também que a projeção oficial do Ministério da Fazenda, de 2,3%.
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