• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

De bermuda? » Calor leva empresas a liberarem traje informal Os últimos dias foram os mais quentes da história, o que tem justificado o uso de roupas mais confortáveis no trabalho

Sávio Gabriel - Especial para o Diario

Publicação: 23/02/2014 08:00 Atualização: 24/02/2014 14:13

Os publicitários Guilherme Anchieta, Ricardo Ruliere e Vitor Damasceno criaram um serviço que dá uma forcinha aos funcionários que desejam trabalhar mais a vontade. Foto: Divulgação
Os publicitários Guilherme Anchieta, Ricardo Ruliere e Vitor Damasceno criaram um serviço que dá uma forcinha aos funcionários que desejam trabalhar mais a vontade. Foto: Divulgação
As temperaturas recordes registradas neste verão já provocam mudanças no cotidiano das empresas. Para se ter uma ideia, a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos divulgou que janeiro foi o quarto mês mais quente da história. Por conta da onda de calor, várias organizações das regiões Sul e Sudeste, por exemplo, começaram a liberar o uso de roupas menos formais no ambiente de trabalho. Aqui no Recife, a prática começa a tomar forma: o desconforto causado pelo calor já é levado em consideração pelos empresários. Em algumas empresas, os funcionários podem trabalhar até de bermudas.

É o caso da Joy Street, empresa pernambucana que atua no setor de Tecnologia da Informação (TI) e que adota essa política desde que surgiu no mercado, há quatro anos. "Nós trabalhamos com a ideia de que a criatividade e a inovação estão intimamente ligadas ao ambiente de trabalho. Quanto mais confortável o funcionário se sente, melhor será a produtividade dele", explica o diretor executivo da companhia, Fred Vasconcelos.

"Quanto mais confortável o funcionário se sente, melhor será sua produtividade", Fred Vasconcelos. Foto: Julio Jacobina/ DP/D.A.Press
Na avaliação dele, a prática surte efeito. "A receptividade dos funcionários é excelente. Eles se doam mais ao trabalho e há uma maior dedicação. Eles se sentem parte da empresa", explica. Formada por um público jovem, a Joy Street adota a política para todos os 23 colaboradores, independente de nível hierárquico. Mesmo possuindo um cargo de diretoria, Vasconcelos costuma ir ao trabalho de calça jeans e camiseta. "Às vezes também vou de bermuda. É bom porque quebra aquela imagem que as pessoas tinham dos executivos", opina.

As altas temperaturas têm feito até os setores mais tradicionais se renderem a um visual menos formal. O escritório de advocacia Becker Advogados, por exemplo, instituiu o casual day (dia em que as pessoas podem se vestir mais à vontade) todas as sextas-feiras. "Os advogados que não têm audiência marcada nas sextas podem vir de camisa pólo em vez do terno e gravata", explica Saulo Siqueira, um dos sócios do escritório. "Além disso, durante a semana, abolimos o paletó e gravata dentro da empresa", acrescenta.

A prática tem mais de cinco anos e, assim como acontece na Joy Street, reflete na produtividade dos funcionários. "Eles ficam mais satisfeitos e a qualidade melhora bastante", afirma Siqueira. Para que não haja dúvidas, existe um regimento interno delimitando as regras para os funcionários.

O procedimento adotado pelo escritório de advocacia, na criação de um regimento com regras parece ter sido correto. De acordo com a professora de psicologia da Faculdade dos Guararapes (FG) e especialista na área organizacional, Alexsandra Pontes, é preciso estabelecer limites. "O funcionário é parte da imagem da empresa. Sendo assim, apesar da flexibilidade, tem que haver um trabalho de conscientização para que não haja problemas", explica. Ela lembra que nem todos os segmentos podem adotar a medida. "As áreas de comunicação, desgin e marketing, por exemplo, são mais flexíveis. Já os órgãos públicos, empresas da área contábil e jurídica tendem a ser mais conservadores", exemplifica.

Na opinião da vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional Pernambuco (ABRH-PE), Larissa Lins, apesar de já haver algumas iniciativas, o mercado local ainda é conservador. "A nossa região é quente o ano inteiro. Não há um período específico que faça com que essa questão seja discutida", justifica. No entanto, ela lembra que, mesmo assim, as empresas passaram a se preocupar com o bem-estar de seus funcionários. "Hoje, as organizações já trabalham para analisar pontos como o tipo de tecido do uniforme, por exemplo, na tentativa de melhorar o conforto e aliviar o calor".

Apesar do conservadorismo, ela diz que a adoção do casual day, por exemplo, é algo que se intensificou nos últimos cinco anos. "Principalmente naquelas organizações mais formais. No entanto, elas adotam a política sem esquecer de que o funcionário faz parte da imagem organizacional. É preciso que a prática esteja alinhada à cultura da empresa e aos valores que ela quer transmitir", explica. "Cada vez mais as empresas estão atentas ao bem estar dos funcionários. Elas estão adotando estratégias mais criativas e inovadoras", acrescenta.

Quer trabalhar de bermuda? Peça ao seu chefe!


As queixas por conta do desconforto causado pelo calor foram o ponto de partida para os publicitários Guilherme Anchieta, Ricardo Ruliere e Vitor Damasceno criarem o Bermuda Sim (www.bermudasim.com.br), serviço que dá uma forcinha aos funcionários que desejam trabalhar mais a vontade. Por meio do site é possível mandar, de forma anônima, um e-mail para o chefe, sugerindo a adoção da bermuda no ambiente de trabalho.

Segundo Ruliere, desde a criação da página, em dezembro, já foram enviados mais de 18 mil mensagens. "Mais de 600 organizações já liberaram o uso da bermuda. E o perfil é diverso. Houve empresas de ônibus e até órgãos públicos que adotaram essa flexibilidade", explica. Muitas delas, segundo ele, decidiram investir na prática durante o ano inteiro, não apenas no verão. Se você quer sugerir isso na sua empresa, é bom se apressar. Segundo Ruliere, o serviço deve parar assim que o verão acabar, e só deve voltar no fim do ano.  

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.