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Segmento rentável » O forte e crescente mercado das lingeries As roupas íntimas femininas saíram do preto no branco e ganharam cores, formatos e muita imaginação

Augusto Freitas

Publicação: 22/02/2014 07:00 Atualização: 21/02/2014 17:58

Nas unidades da Loungerie, clientes são recebidas por vendedoras com uma fita métrica para medir busto e costas. Foto: Cristiane Silva/ Esp.DP/ D.A.Press
Nas unidades da Loungerie, clientes são recebidas por vendedoras com uma fita métrica para medir busto e costas. Foto: Cristiane Silva/ Esp.DP/ D.A.Press
Elas se mostram em diferentes tamanhos e formas. Os modelos variam conforme a ousadia de quem as usa. Antes, eram bastante comuns, quase sempre, em tons preto e branco. Fazem parte, agora, de um universo vasto de cores. Ganharam o mercado têxtil com a mesma voracidade que permeia o imaginário íntimo das pessoas. São armas fundamentais de sedução, não duvide.  
 
Achou estranha a introdução da reportagem? O “clima” foi para mostrar que as roupas íntimas, ou lingeries, se você preferir, são, além de algo atraente na hora da conquista, um segmento econômico bastante rentável e cada vez mais crescente no Brasil. Cresceu à medida que a mulher se tornou mais dona de si e em 2012 (ainda não há numeros de 2013), movimentou US$ 3,6 bilhões em valores de produção, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).  
 
O setor, literalmente, está quente. Nos últimos quatro anos, segundo o Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), cresceu 33%. Foi nesse tempo que surgiu uma das redes de lingerie que mais têm avançado no mercado, a Loungerie. A marca é especilizada no sutiã perfeito (ele existe). Basta visitar uma das 22 lojas espalhadas nas principais cidades brasileiras e você vai saber do que se trata.

Outlet Lingerie recebe peças de coleções das marcas e as vende com descontos entre 30% e 70%. Foto: Divulgação
Outlet Lingerie recebe peças de coleções das marcas e as vende com descontos entre 30% e 70%. Foto: Divulgação
“Ao visitar uma unidade, as clientes são recebidas por vendedoras com uma fita métrica para medir busto e costas. Para cada tamanho de tórax, há de quatro a cinco taças, padronizadas de A a D. Elas saem com uma tabela internacional de medidas e nunca mais esquecem seu tamanho de sutiã”, explica Marina Dijkstra, gerente de estilo da Loungerie. Quem já conhece a proposta, garante o conforto dos sutiãs da marca.
 
“Conheci e não deixei mais de comprar. O custo-benefício compensa, presenteio muito minhas parentes com as peças da loja”, conta a administradora Márcia Leite, 48. Os preços da Loungerie, cujo público é composto por 80% de mulheres e 20% de homens (eles adoram comprar para sua amadas) são, em média, a partir de R$ 23 (calcinhas) e R$ 59 (sutiãs). Há modelos e preços para todos os gostos e ousadias.

Que razões explicam esse crescente fenômeno? Talvez a economia que está equilibrada? Sim. Os dados mais recentes mostram que o Brasil conta com 3,5 mil unidades produtivas com porte industrial e a produção de roupas íntimas alcançou 1,5 bilhão de peças em 2012. O consumo per capita é de 7,6 peças por ano. Em valores de produção, segundo a Abit, foram movimentados US$ 3,6 bilhões em 2012.
 
As mulheres estão ganhando mais? Também. Mas não é só isso. E você sabe: “A mulher está cada vez mais com a autoestima fortalecida. Ela quer trabalhar bem vestida e isso inclui a lingerie. Nosso perfil de clientes vai desde a mulher básica até a executiva”, pontua Vanessa Guerra, gerente da Loungerie do Shopping RioMar. A loja vende, segundo ela, de 1 mil a 1,1 mil peças por semana.


Público e atrativos


Hope Sob Medida utiliza espaços dentro de lojas de varejos, em forma de parceria. Foto: Divulgação
Hope Sob Medida utiliza espaços dentro de lojas de varejos, em forma de parceria. Foto: Divulgação
Que as lingeries deixaram de fazer parte apenas do imaginário íntimo das pessoas, isso é fato. O mercado está aberto a novidades e as empresas do setor sabem desse potencial. Uma das mais tradicionais, a Hope, resolveu apostar em um sistema de vendas até então inédito e criou, em 2011, o Hope Sob Medida, que utiliza espaços dentro de lojas de varejos, em forma de parceria, para vender a marca e crescer no mercado.

“A ideia é de estar presente em um espaço multimarcas e em lugares que não comportam shopping centers. Mobiliário, estoque e consultoria são todos padronizados e nas regiões com população inferior a 200 mil habitantes o empresário é o nosso representante exclusivo”, destaca Ronaldo Lopes, gerente da Hope Sob Medida. Segundo ele, o interessado investe em torno de R$ 2 mil no mobiliário do espaço .

O projeto deu certo e este ano o Hope Sob Medida pretende dobrar a quantidade de espaços, atualmente em 220. No Nordeste são cerca de 30 pontos comerciais. “Antes, a mulher dependia do dinheiro do marido. Agora, mais independente, ela mudou o comportamento e cuida mais de si. As lingeries são parte desse universo”, completa.

Outra rede que surgiu no mercado aposta em promoções ousadas, iguais às peças que vende. É a Outlet Lingerie, que no Recife possui uma loja em Boa Viagem. A franquia comercializa as principais marcas do mercado de roupa íntima, mas a diferença está na proposta de venda: a loja recebe peças de coleções das marcas e as vende com descontos entre 30% e 70%. Além disso, cria uma promoção semanal para cada marca.

O negócio está agradando e, segundo Daniel Ventura, administrador da franquia, o ticket médio gasto pelos clientes é de R$ 130, entre calcinhas, sutiãs, cuecas e pijamas. “O público do Recife gosta de gastar com roupa íntima e o setor está se expandindo para todas as áreas do comércio e não apenas em lojas específicas”, atesta. Lembra do começo da reportagem? Agora, deixa o recalque de lado e confere com os próprios olhos a efervescência que as lingeries podem provocar em você. Seu bolso não vai achar ruim. 

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