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Câmbio » Dólar fecha com queda de 0,84%, negociado a R$ 2,35

Agência O Globo

Publicação: 21/02/2014 18:16 Atualização:

Um dia depois de o governo anunciar sua meta fiscal para 2014, o dólar comercial manteve a trajetória de queda, verificada ontem, e fechou com nova desvalorização. A moeda americana recuou 0,84%, cotada a R$ 2,351 na compra e a R$ 2,353 na venda, o menor patamar desde o dia 20 de janeiro, quando a moeda encerrou a R$ 2,338. Na mínima do dia, a divisa bateu em R$ 2,352 (queda de 0,88%) e na máxima chegou a R$ 2,379 (alta de 0,25%). O anúncio de um corte de R$ 44 bilhões no orçamento e um superávit primário equivalente a 1,9% do PIB continuou tendo impacto positivo no mercado. Na semana, o dólar teve uma desvalorização de 1,38%, enquanto no ano a queda é de 0,16%.

No exterior, o dólar também perdeu terreno frente a outras divisas de países emergentes, o que também infuenciou a queda do real. "O dólar recua refletindo o voto de confiança que o investidor dá para o esforço do governo em recuperar a credibilidade. O mercado acalmou um pouco e o dólar estava muito pressionado, atingindo níveis acima de R$ 2,40. Acredito que, aparentemente, a possibilidade de rebaixamento do Brasil pelas agências de rating fica mais afastada. O mercado avaliou que o governo se mostrou atento aos problemas e pode fazer mudanças. Agora, será cobrado", afirma Felipe Pellegrini, gerente de câmbio do Banco Confidence.

Além disso, diz Pellegrini, o fluxo cambial está positivo em US$ 1 bilhão em fevereiro, o que contribui para o recuo do dólar. Em conferência com analistas e jornalistas estrangeiros, o ministro Guido Mantega disse que a divulgação da meta de superávit para 2014, reduzida de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,9%, foi bem recebida pelo mercado e deve colaborar para a manutenção do grau de investimento do Brasil.

"Acreditamos que o Brasil tem condições de manter a solidez das contas públicas e uma trajetória de crescimento e investimento da economia, de modo que nosso rating deve se manter, nas condições atuais", disse o ministro.

Mesmo com a queda momentânea do dólar, os analistas alertam que o ano começou com as contas externas bastante pressionadas, o que pode pesar sobre o dólar em breve. O déficit em transações correntes de janeiro atingiu recorde histórico de US$ 11,59 bilhões. O mercado esperava um número ainda maior: cerca de US$ 11,76 bilhões. "O atual patamar de déficit corrente é desconfortável, principalmente devido às perspectivas de financiamento mais difíceis impostas pela volatilidade do cenário internacional e à relativa alteração de apetite por emergentes, após anos de abundância de liquidez. Com isso, deverá haver pressões sobre a taxa de câmbio, a exemplo dos últimos meses", avalia relatório divulgado pela consultoria Rosenberg Associados.

Para Sidnei Nehme, economista da corretora NGO, embora o real tenha apresentado ontem a maior valorização entre as moedas emergentes frente ao dólar, depois do anúncio da meta fiscal, a moeda americana deverá reverter em breve o viés de baixa dos últimos dias, retomando a tendência de alta. "Esse movimento é absolutamente compatível com os fundamentos presentes da economia e com as perspectivas que continuam apontando para um ano difícil para o Brasil no setor externo", diz Nehme.

Hoje o Banco Central deu sequência aos leilões de contratos de swap cambial (operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro). Foram ofertados 4 mil contratos, no total de US$ 200 milhões.Também serão rolados mais 10.500 contratos que vencem em março. Com mais essa rolagem, o BC renovou US$ 5,83 bilhões, de um lote de US$ 7,378 bilhões que vence no próximo dia 5.

O Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, apresentou volatilidade, alternando períodos de alta e de baixa, mas firmou no campo positivo depois da abertura das Bolsas americanas. No fim do dia, o índice fechou em alta de 0,195 aos 47.380 pontos e volume negociado de R$ 5,5 bilhões. Foi o terceiro dia consecutivo de alta do Ibovespa. Em fevereiro, o índice recua 0,54%, enquanto no ano a perda é de 8,01%. "A bolsa ainda está sofrendo com as desconfianças em relação à economia brasileira, com crescimento baixo e inflação alta. O medo dos emergentes também afeta o pregão brasileiro. Mesmo com a meta fiscal crível, as agências de classificação de risco estão de binóculo observando se a meta será cumprida. Os grafistas avaliam que o Ibovespa só retomará a trajetória de alta se chegar aos 48.500 ou 49.000 pontos", diz Ari Santos, gerente da mesa Bovespa da corretora H. Commcor.

Entre as blue chips, as ações preferenciais da Vale (sem direito a voto) tiveram leve alta de 0,06% a R$ 30,46; Petrobras PN fechou em queda de 0,07% a R$ 14,15; Itaú Unibanco PN teve alta de 0,12% a R$ 31,10 e os papéis PN do Bradesco subiram 2,09% a R$ 27,27.

A maior alta foi apresentada pelas ações ordinárias (com direito a voto) das Lojas Renner, com ganho de 4,35% a R$ 57,50. O lucro da empresa veio acima do esperado no quarto trimestre, ficando em R$ 216,2 milhões frente a uma expectativa de R$ 198 milhões. Foi uma alta de 46,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

A maior perda foi dos papéis preferenciais da Gerdau Met, com baixa de 3,28% a R$ 18,53, seguidos pelas ações preferenciais da Gerdau, com desvalorização de 3,12% a R$ 14,86.

A Gerdau reportou um lucro líquido de R$ 492 milhões no quarto trimestre de 2013, frente aos R$ 143 milhões registrados no mesmo período do ano passado. No ano, o lucro foi de R$ 1,69 bilhão, alta de 13,2%. Mesmo assim, segundo um analista, o mercado reagiu negativamente já que persistem incertezas sobre a questão energética no país. Também há incertezas sobre a recuperação das atividades da empresa na América do Norte.

Declarações do ministro Mantega de que a meta fiscal poderia levar o Banco Central a reduzir o aperto monetário fizeram o mercado a apostar numa alta de juro menor este ano, com a Selic chegando a entre 11% e 11,25% ao final do ano. Na semana que vem, o BC se reúne para decidir o novo patamar da Selic. Ontem as taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) recuaram com essa expectativa. "Os investidores deram um voto de confiança ao governo, mas vão acompanhar com lupa a execução da política fiscal. O governo vem tentando recuperar sua credibilidade e transparência junto ao mercado e será muito cobrado", avalia o economista do Banco Indusval & Partners, Daniel Moreli.

Hoje, a taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento no curto prazo estão em alta no pregão de hoje, influenciadas pela alta de 0,70% no Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), acima da expectativa de 0,67%. Já nos vencimentos de longo prazo, as taxas recuam ainda influenciadas pelas metas fiscais do governo divulgadas ontem. Os papéis com vencimento em janeiro de 2015 sobe de 11,04% para 11,07%, enquanto os papéis para 2017 recuam de 12,31% para 12,23%
Tags: dólar câmbio

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