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Mercado financeiro » Dólar passa a cair após anuncio da meta fiscal do governo

Agência O Globo

Publicação: 20/02/2014 15:16 Atualização:

O dólar comercial passou a recuar nesta quinta-feira (20) após a equipe econômica anunciar que a meta do superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) brasileira será 1,9% do PIB em 2014 e o corte no Orçamento será de R$ 44 bilhões neste ano. Por volta das 11h, a moeda americana se desvalorizava 0,41%, cotada a R$ 2,378 na compra e R$ 2,380 na venda. Pouco antes do anúncio pelo Ministério do Planejamento, às 10h30m, o câmbio tinha leve alta.

Para Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora, o esforço fiscal pode contribuir para uma menor onda de pessimismo sobre o Brasil, embora não deva ser suficiente para criar uma onda de otimismo nos preços das ações e no câmbio. Ele avalia que o mercado deve acompanhar nos próximos meses a implementação do corte fiscal e a evolução superávit primário brasileiro.

“O governo já anunciou coisas que não entregou no passado. A grande critica que se fez é sobre a política fiscal, o excesso de déficit em transações correntes. São características que inibem o fluxo de recursos para o Brasil e pressionam o câmbio. Eu acho que, mesmo com o anúncio do governo, vamos continuar vendo mais saídas de recursos antes que as coisas comecem realmente a melhorar”, afirma Nehme.

No mercado internacional, o dólar caminha em sentido contrário frente à maioria das moedas. A moeda americana se valoriza frente ao rand sul-africano (0,52%), ao euro (0,23%) e ao franco suíço (0,20%), por exemplo. O Dollar Index, que mede o comportamento da moeda americana frente a uma cesta de moedas, tem uma valorização 0,17%.

Mais cedo, o Banco Central (BC) deu sequência nesta quinta-feira ao seu programa diário de intervenção no mercado de câmbio, a chamada “ração diária”. A autoridade monetária vendeu os 4 mil contratos de swap cambial tradicional - operação equivalente a uma venda de moeda no mercado futuro - numa intervenção de US$ 197,6 milhões.

Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reduziu sua queda. Por volta das 11h, o Ibovespa, seu principal índice de ações, tinha baixa de 0,86%, aos 46.759 pontos. Os papéis preferenciais de classe A (PNA) da Vale recuam 1,03%, a R$ 30,58, e são os que mais contribuem para a baixa do índice, afetados principalmente por dados negativos da China.

A atividade nas indústrias da China encolheu em fevereiro, mostrou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar nesta quinta-feira, reforçando as preocupações de uma leve desaceleração da economia. O PMI preliminar do Markit/HSBC caiu para a mínima de sete meses de 48,3 em fevereiro ante leitura final em janeiro de 49,5, sendo que leitura abaixo de 50 indica contração.

Já os papéis da Oi lideram as perdas do pregão. As ações ordinárias (ON, com voto) da empresa recuam 2,38%, a R$ 3,69. A operadora de telecomunicações Oi entrou com pedido de registro de oferta pública de ações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), segundo fato relevante e prospecto preliminar divulgados na madrugada.

Num momento de redução dos estímulos monetários nos EUA, as preocupações sobre a política fiscal e o possível corte da nota de risco do pela Standard & Poor’s (S&P) têm inibido o fluxo de moedas, mesmo para operações especulativas, como carry trade (investidor toma recursos emprestados em dólares e aplicam em juros elevados em outros países).

Desde que o Banco Central (BC) começou a elevar os juros básicos da economia, a Selic, o real acumulou uma desvalorização de 15,62%. O BC elevou a Selic de 7,25% ao ano, taxa de abril do ano passado, para os atuais 10,50%, uma das maiores taxas do mundo.

“O diferencial de juros do Brasil e EUA está em 0,8% ao mês. É o dobro da diferença em comparação ao México. E mesmo assim os investidores preferem fazer essas operações lá, e não aqui, por causa das preocupações com o quadro geral brasileiro”, diz Nehme.

Em relatório aos clientes nesta quinta-feira, a consultoria londrina Capital Economics listou mesmo cinco motivos porque prefere o México, que chamou de “estrela brilhante da América Latina”. Entre esses motivos, a consultoria estimou que o PIB do país vai crescer em média 4% entre 2014 e 2015 e que o país é menos vulnerável à China.

Já na Turquia, por exemplo, as operações de carry trade voltaram a ser atraentes para o mercado. Os investidores que tomaram empréstimos em dólar para financiar a compra de lira turca ganharam 2,9% desde que o banco central turco elevou a taxa básica de juros do país no mês passado, segundo a Bloomberg News.

Para o economista Daniel Tenengauzer, chefe de análise para Américas do Standard Chartered Bank, medidas mais ortodoxas do governo brasileiro vão conseguir atrair investidores de volta para o Brasil. Ele prevê o câmbio a R$ 2,45 no segundo trimestre e a R$ 2,15 no fim do ano.

“Em algum momento os investidores vão perceber que, O.K., os juros dos títulos americanos estão subindo, a 3% ao ano, mas os juros brasileiros estão a 10,75% ou 11%, uma taxa muito alta”, disse Tenengauzer. “Mas acho que atuação do BC foi positiva nos últimos meses no câmbio.”

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