Pernambuco.com



  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Automóveis » Crise na Argentina acende alerta na produção brasileira

Agência O Globo

Publicação: 20/02/2014 11:09 Atualização:

Na esteira da retração do mercado interno e da crise argentina, que limitou as importações de veículos produzidos do Brasil, a indústria automobilística acendeu a luz amarela e já começa a ajustar seu volume de produção à redução das vendas. Desde a última segunda-feira, o grupo PSA Peugeot Citroën eliminou um turno de trabalho e colocou em regime de Suspensão Temporária do Contrato de Trabalho - o chamado lay-off - 650 funcionários. Com a medida, a fábrica de Porto Real, no Rio, passa a produzir cerca de 450 unidades por dia, 180 a menos do que era fabricado antes da adoção da medida.

Já a Volkswagem decidiu colocar 150 empregados da fábrica de São José dos Pinhais (PR) em lay-off. Outros 150 devem ser convocados quando o primeiro grupo retornar daqui a dois ou três meses. Na unidade do ABC, a montadora também programou férias coletivas de dez dias durante o período do carnaval para os cinco mil funcionários da linha de produção. Ainda no ABC, o funcionários da Scania ficarão mais cinco dias de parada técnica, em março. Em dezembro, já haviam parado três. Procuradas, GM e Toyota disseram, por meio de suas assessorias, que, por enquanto, estão operando normalmente e que os planos não foram alterados devido à redução das vendas.

A decisão da PSA Peugeot Citroën, segundo a montadora, se deve também à queda das vendas no mercado interno - ao longo de 2013 a montadora registrou retração de 15,7% nas vendas na comparação com 2012, que continuaram caindo em janeiro - e ao forte impacto da variação cambial desfavorável (em relação ao euro), o que prejudicou o desempenho econômico do grupo francês no país.

Na região do ABC paulista, a situação de retração das vendas no mercado interno e a situação argentina também são motivos de preocupação dos empresários e sindicalistas. Por isso, executivos das montadoras, em conjunto com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, vêm estudando mecanismos de flexibilidade da jornada de trabalho nas empresas para evitar demissões, caso o quadro se agrave nos próximos meses. Na Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, a queda na produção já é realidade, e a maior preocupação é de quanto será o impacto da retração das vendas na montadora.

Segundo o diretor de Relações Institucionais da empresa, Luiz Carlos Moraes, três pontos têm preocupado a empresa: o acordo bilateral entre os dois países que tem que ser fechado entre junho e julho; a desvalorização cambial de cerca de 20% em “uma paulada só”; e a contaminação da crise argentina. Este último, diz Moraes, seria o mais preocupante:

“A luz amarela acendeu fortemente, porque não sabemos de quanto será essa queda nas vendas. Estamos monitorando, preparando medidas e falando com clientes e concessionárias na Argentina para tentar entender a situação. Mas é muito preocupante.”

Dados da Adefa (que reúne as montadoras argentinas) sobre a produção e venda de carros mostram uma forte queda no mercado local neste início de ano. Em janeiro, foram produzidos no país vizinho 36.158 unidades, uma redução de 18% em relação ao mesmo mês de 2013. As vendas caíram mais, 19,46%, com 46.766 unidades comercializadas.

Por trás desse encolhimento, estão os efeitos da desvalorização do peso nos últimos meses, que, combinado a aumentos de custos, resultaram num aumento de cerca de 20% nos preços dos carros na Argentina. O mercado morno no Brasil, destino de 90% das vendas externas das montadoras argentinas, também reflete-se nas exportações de carros do país, que no mês passado recuaram 19% ante janeiro de 2013.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »