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Política monetária » BC indica que pode suavizar alta de juros

Correio Braziliense

Publicação: 19/02/2014 08:39 Atualização:

O mercado financeiro reforçou ontem as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) vai reduzir o ritmo de elevação da taxa básica de juros para 0,25%, na reunião da próxima semana. A avaliação foi consolidada a partir de entrevista em que o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou a jornalistas estrangeiros que a instituição tem feito o “dever de casa” para controlar a inflação, e que o atual ciclo de aperto monetário “já está mostrando resultados”. Se a previsão dos analistas se confirmar, a taxa Selic subirá dos atuais 10,50% para 10,75% ao ano.

Desde abril, quando começou a elevar os juros básicos, o Copom promoveu ajustes de 0,5 ponto percentual a cada reunião. Na entrevista, Tombini ressaltou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses diminuiu em cerca de 1 ponto percentual, para 5,6%, e previu que ele vai caminhar para a meta, de 4,5%, “nos próximos trimestres”. Admitiu ainda que, em 2013, a economia deve ter crescido abaixo dos 2,3% previstos pelo BC, embora tenha descartado queda no último trimestre — o que colocaria o país tecnicamente em recessão.

Para Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners, ao apontar o ritmo mais fraco da produção e o recuo da inflação, o presidente do BC deixou claro que a instituição pretende suavizar a curva de elevação dos juros. Essa decisão, no entanto, ponderou, vai depender da meta de superavit primário (economia para pagamento dos encargos da dívida) de 2014, que deve ser anunciada esta semana pelo Ministério da Fazenda.

Um superavit maior indicará que os gastos públicos pressionarão menos a demanda, deixando o Copom mais à vontade para diminuir a alta da Selic. “A meta e a viabilidade do seu cumprimento tornam-se elementos relevantes na decisão da política monetária da próxima semana”, disse o economista, em relatório a clientes.

Câmbio

Tombini destacou ainda que o BC tem vários instrumentos para lidar com a inflação e para combater a alta excessiva do dólar, destacando, em particular, as reservas internacionais, que somam US$ 375 bilhões. “Todos os instrumentos estão sobre a mesa para combater a volatilidade”, afirmou. Ele observou que as mudanças na economia global, com a reversão progressiva da política de expansão monetária dos Estados Unidos, deram início a um processo de desvalorização do real.

“Um ajuste nos preços relativos está ocorrendo. Isso é uma parte necessária do processo de transição e não deveria ser confundido com fragilidade”, declarou Tombini. Segundo o presidente do BC, a transição na taxa de câmbio está “acontecendo normalmente”. “Nós temos instrumentos para tornar o processo mais tranquilo”, insistiu.

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