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Falta de chuvas » Baixa reserva de água põe economia em risco

Correio Braziliense

Publicação: 18/02/2014 08:47 Atualização:

Os reservatórios das usinas hidrelétricas atingiram o menor nível desde 2001 e os prejuízos da crise energética instalada no país começam a se espalhar. Além dos R$ 18 bilhões que podem sair dos cofres públicos para subsidiar a conta de luz das famílias, as empresas de energia listadas em bolsas de valores amargam perda de R$ 15,9 bilhões em valor de mercado neste ano, conforme cálculos da Consultoria Economatica. Ou seja, a cada dia, R$ 331,6 milhões em ações das companhias viram pó. Agora, parte do setor produtivo brasileiro pode desligar as máquinas devido ao encarecimento da eletricidade e aos constantes apagões, um baque a mais para a já combalida atividade econômica, que flerta com a recessão.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que a produção de energia está no limite. As chuvas do fim de semana não foram suficientes para amenizar o risco de racionamento. O volume de água armazenada no Sudeste e no Centro-Oeste é equivalente a apenas 35,5% da capacidade dos reservatórios, o menor nível em 13 anos. No Nordeste, a situação também é crítica, com 42,4% de armazenamento. No Sul, a taxa é de 43%. O Norte está com o quadro mais tranquilo, as usinas operam com 72,4% da cota.

“O governo, até agora, está negando a existência de problema. É uma espécie de Poliana muito otimista. Racionamento é diminuir a produção. Ou seja, as empresas terão que parar alguma máquina para economizar energia”, alertou Simão Silber, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP). “Algumas companhias estão analisando essa possibilidade”, explicou Reginaldo Medeiros, presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel). Ele destacou que, faltando pouco mais de 40 dias para terminar o ciclo chuvoso no Brasil, o clima coloca em xeque investimentos previstos para o ano. Em Minas Gerais, no ramo de fundição, estão de molho projetos de pelo menos R$ 700 milhões.

Além do encolhimento da produção, os especialistas alertam que a escassez de chuvas bate direto na inflação. “Os apagões têm impacto direto sobre a carestia e a renda. A energia, agora, é um motivo a mais de preocupação para o Banco Central”, afirmou Carlos Thadeu Filho, economista da Franklin Templeton. “Outro fator é a atividade mais fraca, que resultará em perda de arrecadação. O PIB (Produto Interno Bruto), com tudo isso, pode crescer entre 1% e 1,5% neste ano, com 1,5% sendo o teto”, argumentou.

Sem gordura

A piora do custo de vida pode vir ainda pelo aumento da conta de luz. Caso o governo decida não subsidiar a fatura da energia elétrica, como prometeu, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será elevado em pelo menos 0,6 ponto percentual, o que deixará o indicador próximo do limite de tolerância, de 6,5%. Se o Tesouro Nacional arcar com o ônus, como o esperado, pode não haver dinheiro suficiente para formar um superavit primário (economia para pagar os juros da dívida) adequado e evitar o rebaixamento da nota soberana brasileira pelas agências internacionais de risco.

Silvio Sales, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), relembrou os efeitos do apagão de 2001 sobre a economia, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. A situação, na época, contribuiu para a derrota eleitoral do candidato do governo ao Palácio do Planalto, José Serra. Para o economista, se for necessário, um racionamento agora pode ser muito pior que o de 13 anos atrás. “Em 2001, as primeiras projeções do PIB foram muito mais pessimistas do que, de fato, aconteceu. Isso mostrou que havia uma folga de oferta de energia. Essa gordura já não existe hoje”, observou.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Flávio Neiva, avaliou que março será crucial para definir o planejamento energético do país. Segundo ele, há um deficit grande de umidade no solo e, com isso, as primeiras chuvas servirão apenas para melhorar essas condições. “Só depois, elas vão aumentar os níveis dos rios”, ponderou. A esperança dos analistas é de que o período chuvoso se estenda até abril, como no ano passado, para amenizar a crise.

Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), refutou qualquer possibilidade de racionamento neste ano. Ele disse que, em 99% dos cenários analisados, a oferta de energia é maior que a demanda, o que configura segurança de abastecimento. “Não trabalhamos com cenário de racionamento. Vamos passar por este ano sem crise de oferta. Existe 95% de probabilidade de, com a capacidade instalada que temos, haver um excedente de 6 mil megawatts médios”, garantiu.

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