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Duas medidas » Onda de calor ameaça abastecimento de energia, mas esquenta negócios

Carolina Mansur

Publicação: 15/02/2014 08:34 Atualização: 15/02/2014 08:38

De um lado, o forte calor e a ausência de chuvas ameaçam o abastecimento de energia no país. De outro, esquentam e elevam os lucros de negócios sazonais. Com a temperatura acima dos 30 graus nos últimos dias, sorveterias, lanchonetes, distribuidores de bebidas e lojas de ventiladores faturaram com a onda de calor. Mesmo num mês de férias e impostos pesando no bolso do consumidor, as vendas desses itens cresceram, em média, 30% na comparação com janeiro do ano passado. O período, para alguns empresários, foi o melhor dos últimos cinco anos. E no que depender dos consumidores, que buscam várias alternativas para se refrescar, as vendas devem seguir em alta até o carnaval.

Pressionada por um calor que considera insuportável, a psicóloga Lucília Guerra Pimentel foi atrás de um ventilador para o quarto da filha. “Minha casa é de madeira e a temperatura fica insuportável”, conta. Para resolver o problema, deve desembolsar R$ 400 por um ventilador de teto importado. Os preços praticados em itens sazonais assustam as amigas Maria Bernadete Bretas e Maria Angêla Lima, que contam que os preços dispararam. “O custo de vida de maneira geral está mais alto”, pondera Ângela. “Roupas de verão e até uma tarde no clube estão ficando cada vez mais caras”, reforça Bernadete.

Felipe Piazza, franqueado da Multicoisas, em Belo Horizonte, conta que para atender uma demanda crescente fez duas compras de ventiladores até agora, superando uma única compra do ano passado, e que não aumentou os preços para ganhar no volume. “Nossa ideia é abrir mão da margem porque sabemos que na próxima onda de calor o consumidor vai voltar por entender que aqui terá melhor preço”, diz. Na loja Casa do Vento, no Bairro Gutierrez, o mês também foi quente para as vendas. Segundo o gerente Eduardo Ferreira, a alta foi de 50% em relação a janeiro passado. O carro-chefe são os ventiladores de teto, que variam de R$ 109,90 a R$ 1.199, seguidos pelos comerciais.

 

Nas 299 lojas da Ricardo Eletro, as vendas de ventiladores cresceram 400% na comparação com janeiro do ano passado, e a de climatizadores, 50%, em relação ao mesmo período. No total foram vendidas 62 mil unidades dos dois produtos. Os aparelhos de ar condicionado tiveram crescimento de 90%, com 1 mil unidades comercializadas por dia. Na Loja Elétrica, segundo o comprador Paulo César Bettoni, a venda de ventiladores foi três vezes superior a de meses com temperaturas normais. “Comparado com o verão passado, o aumento foi, até agora, de 30%. Em termos unitários, vendemos 15 mil ventiladores entre novembro e janeiro.”

Para Robison Fortes de Araújo, delegado regional da Associação Brasileira de Indústria de Água Mineral (Abinam) em Minas Gerais e presidente água mineiral Ingá, janeiro surpreendeu depois de meses de muita chuva. “Além de ser um mês em que o mineiro viaja, temos também as chuvas. Mas o clima realmente mudou muito este ano, principalmente na segunda quinzena, e favoreceu as vendas”, afirma. O consumo, segundo ele, cresceu 30% no mês, transformando a temporada na melhor dos últimos cinco anos. “Nosso setor está ligado às questões climáticas e para fevereiro a expectativa também é boa”, acrescenta.

 

O consumo de bebidas, principalmente de sucos refrescantes, também aumentou na loja Maria das Frutas, que passa por seu primeiro verão. A dona da loja, inaugurada há oito meses , teve de contratar mais um funcionário para dar conta da demanda. “Janeiro foi bom, mas fevereiro está surpreendendo e deve ser o melhor mês desde a inauguração”, conta a proprietária, Cláudia Lustosa. No mês, a expectativa é de um incremento de 20% nos negócios, com vendas de aproximadamente 100 copos por dia. No local, várias frutas podem ser combinadas com leite, água e suco de laranja e as bebidas custam de R$ 3,50 (copo pequeno) a R$ 4,50 (copo grande).

Sorvetes sem demanda derretida


Outro segmento diretamente atingido pela temperatura elevada é o de sorveterias. A Sorvete Salada, que tem produção de 4 mil litros de sorvete por hora e 16 mil picolés por dia, teve resultado 25% maior que o normal para o período de calor. “Foi o melhor resultado dos últimos cinco anos e devemos fechar fevereiro com resultado 5% acima do registrado em janeiro, o que também é significativo”, afirma Raquel Bravo, diretora-executiva da Salada. Para isso, a rede tem apostado no lançamento de sorvetes à base de iogurte e no açaí combinando ingredientes saudáveis.

Antônio Moraes, sócio da Sorveteria Almeida, revela que o calor ajudou a alavancar o negócios nas 35 lojas da rede. “O clima seco e com menos chuva fez com que tivéssemos um dos melhores meses da nossa história”, afirma. As vendas, segundo ele, tiveram incremento de 40% e mais duas pessoas foram contratadas para dar conta da demanda na unidade do Bairro Padre Eustáquio. “Nessa época vendemos algo em torno de 3 mil litros de sorvete por mês e temos trabalhado muito. Fico na sorveteria até meia-noite para dar conta da demanda”, conta. O movimento fez com que o empresário incluísse o açaí na tigela no cardápio e ele passou a aceitar cartões de crédito para ter vendas melhores.

Na Sea & Náutica, no Centro, as vendas subiram 50% no mês. “Janeiro é bom, mas pelo verão mais quente este último mês foi melhor ainda porque as pessoas estão usando a criatividade para se refrescar e isso inclui a compra de piscinas”, conta o gerente Adolfo Luciano. Entre os hits da estação, ele destaca a piscina de plástico inflável de 1,4 mil litros, vendida a R$ 169. A procura foi tão grande que ele precisou repor os estoques antes mesmo do esperado. “Esperamos que o calor continue e que o movimento seja mantido até o carnaval” reforça.

Lojas de moda praia também estão entre as favorecidas pelas altas temperaturas. Na Brenda Vaz, a produção para atender a demanda de lojistas, clubes e clientes aumentou 50%. “A venda de biquíni depende de sol e este ano foi bem melhor do que ano passado”, garante a proprietária que deu o nome à marca. As vendas foram boas o suficiente para que a empresária mantivesse a linha de produção, que perde fôlego em dezembro. “Não dei férias coletivas em janeiro como de costume e estou produzindo até hoje para aproveitar a temporada de calor, que surpreendeu os lojistas com negócios relacionados ao calor”, confessa.

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