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Varejo » Crescem negócios movidos à paixão pelo futebol Demanda de torcedores faz ampliar número de pontos comerciais que exploram as marcas mais adoradas

Augusto Freitas

Publicação: 15/02/2014 09:00 Atualização: 14/02/2014 17:38

Ricardo Novaes, torcedor do Clube Náutico Capibaribe vê jogos do time seis vezes por mês e, quando visita a loja oficial do clube, gasta cerca de R$ 60 com produtos. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press
Ricardo Novaes, torcedor do Clube Náutico Capibaribe vê jogos do time seis vezes por mês e, quando visita a loja oficial do clube, gasta cerca de R$ 60 com produtos. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press
Quando se fala em futebol, é praticamente impossível não remeter o título de "país do futebol" ao Brasil. O esporte bretão criou torcidas apaixonadas, clubes tradicionais e campeonatos disputados na terra do futebol pentacampeão da Fifa. Tanto que, nos últimos anos, cresceu o número de pontos comerciais que exploram as marcas mais adoradas pelos fanáticos torcedores, como quiosques ou lojas em shopping centers.

O advogado Ricardo Novaes, 28, sempre dá um jeito de ajudar o clube do coração. Torcedor e sócio do Clube Náutico Capibaribe, Ricardo não perde a chance de torrar um dinheirinho com algum produto do Timbu, seja na loja da sede ou nos quiosques dos shopping. Ele conta que, em média, vê jogos do time seis vezes por mês. Quando visita a Timbushop, loja oficial do clube alvirrubro, gasta cerca de R$ 60 com produtos.

"Vou a todos os jogos. Tenho nove camisas (só as oficiais, avisa ele), canecas, sandália, chaveiro, bermuda, pijama e brasão", contabiliza. Nos jogos, ele paga em média R$ 30 no ingresso. No ano, segundo ele, somando o valor do programa de sócio, as entradas nas partidas e os itens que compra nas lojas do clube, as despesas chegam a quase R$ 1 mil. Parece muito, mas é relativamente pouco.

"Os clubes exploram pouco o potencial das marcas", diz Ricardo. A opinião do alvirrubro está correta, apesar de o Náutico ser um dos clubes brasileiros que melhor exploram a renda de seus torcedores. Você não leu errado. Um levantamento feito no fim do ano passado pela Pluri Consultoria, especializada em marketing esportivo, apontou o Timbu como a segunda agremiação que melhor aproveita o rendimento da torcida no país.

O relatório analisou as receitas (excluindo-se os direitos de TV, patrocínios e negociação de jogadores) dos 24 clubes de maior torcida no Brasil (exceto Ceará e Fortaleza, que não enviaram os balanços) e descobriu, na média geral, que somente 0,07% do rendimento dos torcedores vai para os clubes. O Náutico ficou em segundo lugar no ranking com percentual de 0,331%, atrás apenas do Figueirense (SC), com 0,340%.

Juntos, os clubes tiveram uma receita de R$ 1,1 bilhão (R$ 91 milhões/mês). "Não nos surpreende o resultado. O Náutico tem uma torcida que sempre compra produtos com a marca do clube para elevar as receitas", afirma Luiz Henrique Zamboni, diretor comercial do Aristocrático da Rosa e Silva. Ele reconhece, porém, que o índice é pequeno. Segundo Zamboni, as taxas de royalties do clube giram entre 3% e 4%. “O clube está sob uma nova gestão, muitos contratos estão sendo revistos junto ao Departamento Jurídico.”

Sport fecha parceria com a Adidas e promete turbinar as vendas da marca.Foto: Alexandre Gondim/DP/D. A Press
Sport fecha parceria com a Adidas e promete turbinar as vendas da marca.Foto: Alexandre Gondim/DP/D. A Press
O Sport figurou no ranking, em sexto lugar, com percentual de 0,197%. O Leão, aliás, firmou uma nova parceria com a gigante alemã de material esportivo Adidas que promete turbinar as vendas da marca Sport. Por esta razão, o clube não informou a taxa de royalties de produtos. “É parte do contrato a não divulgação de valores, pois há diferentes variáveis quanto ao licenciamento da marca”, explicou Sid Vasconcelos, executivo de marketing do Sport. “Houve avanços, mas há muito o que evoluir. A expectativa é grande até junho, quando a nova fornecedora lançar os produtos”, completa.

Diante da fama de país que mais exporta craques e uma torcida que respira futebol, o percentual descoberto pela Pluri é mesmo tímido. No entanto, como a empresa destacou, há de considerar que a população brasileira (incluindo as torcidas) tem outras prioridades, como saúde, educação, alimentação, transporte e vestuário, que consomem grande parte dos rendimentos dos torcedores.

“O índice não retrata exatamente a realidade porque a populçação gasta mais com sua sobrevivência. O consumo no Brasil cresceu há pouco tempo e, sob está ótica, a torcida do Santa é a mais seduzível, porque é um torcedor que se tornou consumidor”, pontua, Luiz Henrique Vieira, direitor de marketing do Santa Cruz, que cravou um 12º lugar no estudo, com índice de aproveitamento de renda da (apaixonada) torcida de 0,116%.

Santa Cruz tem projetos de ampliação da loja física da sede e criação de unidades em shoppings. Foto: Marcelo Soares/Esp. DP/D. A Press
Santa Cruz tem projetos de ampliação da loja física da sede e criação de unidades em shoppings. Foto: Marcelo Soares/Esp. DP/D. A Press
Do trio do Recife, o Santa é o único que não possui loja (Santa Cruz Store) fora de sua sede. Por enquanto. “Há projetos de ampliação da loja física da sede e criação de unidades em shoppings”, destaca Vieira. De acordo com ele, atualmente o clube cobra 15% de royalties da marca, a maior entre os três grandes da capital pernambucana.

Mudar o cenário atual para um quadro de fartura nos caixas dos clubes passa por um rígido controle. A opinião é do gestor em marketing esportivo, Joaquim Costa, confirmando que as taxas de royalties cobradas pelos clubes são baixas. "O índice é muito baixo, mas os clubes impõem uma garantia (valor) alta por ano a quem deseja explorar as marcas na tentativa de não perder tanto com essa taxa baixa", esclarece. "O controle é essencial e se o clube está em boa fase os ganhos se elevam muito", atesta.

Lojas e quiosques

Mesmo com os clubes brasileiros ainda patinando na questão do planejamento financeiro, há quem aposte no setor de olho na paixão do torcedor. Paixão, aliás, pelo clube e pelo futebol. Tanto que cresce o número de espaços exclusivos de vendas de artigos esportivos fora dos clubes. No caso do Náutico, dois quiosques da Timbushop atraem os clientes, nos shoppings Tacaruna e Recife. Já o Sport deve iniciar, ainda este ano, um processo de franquias com as lojas físicas. No Shopping Boa Vista, uma nova empresa do setor será inaugurada na próxima semana.

É a Loja das Torcidas, cuja franquia será administrada pelo empresário Eudes Santana, 48, um apaixonado por futebol. O local não vai vender produtos oficiais dos clubes, e sim artigos da franquia mediante licenciamento das marcas. A franquia, com 23 unidades espalhadas pelo Brasil, promete boa aceitação entre o público consumidor, uma vez que a rivalidade entre o trio Náutico, Sport e Santa Cruz é bastante conhecida no futebol brasileiro.

"A paixão pelo futebol foi uma motivação para abrir o espaço e a perspectiva é a melhor possível, pois os clubes pernambucanos têm muita tradição. O quiosque terá produtos com preços entre R$ 5 e R$ 100, em média, e posteriormente a ideia é transformá-lo em loja física", destacou. Segundo Eudes, o investimento total no empreendimento foi de R$ 109 mil. "A período da Copa também será um ótimo termômetro para as vendas", completou.

Veja o ranking de melhor aproveitamento da renda dos torcedores pelos clubes, segundo a Pluri Consultoria:

 

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