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Apagão » Lobão diz que consumidor terá que pagar para ter mais segurança energética

Agência O Globo

Publicação: 14/02/2014 15:47 Atualização:

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou nesta sexta-feira que o governo tem feito planejamento ano a ano e investimentos no sistema elétrico. Ele disse que, se tiver que aumentar a segurança energética e produzir energia de sobra, será necessário "pagar por isso".

"Temos a quantidade necessária e devida (de planejamento e investimento). Agora, se tivermos que investir mais do que a medida sugere, teremos que gastar muito mais. Se tivermos que ter uma sobra de energia elétrica para garantir uma segurança ainda maior do que a temos hoje – e a que temos hoje é grande, é sólida – teremos que pagar por isso. Se 126 mil megawatts nos bastam hoje, uma segurança maior seria termos 130, 150, 200. Quanto custaria isso? A quem? Ao consumidor, à sociedade brasileira", disse.

O ministro reiterou que o sistema elétrico brasileiro é firme, forte e robusto. Segundo ele, a nota divulgada durante reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) – na qual o governo admitiu, pela primeira vez, existir um risco de desabastecimento no país – teve objetivo de dar uma “palavra de segurança ao consumidor”. Lobão ressaltou que o documento mostrou que “o sistema é bom” e que está planejado para que não haja desabastecimento. "É claro que há uma taxa mínima de risco se as condições forem absolutamente adversas", disse o ministro.

Questionado sobre a afirmação, na semana passada, de que o risco de haver desabastecimento no país é “zero”, Lobão afirmou que o governo não conta com um quadro absolutamente adverso. "Ora, se eu não estou contando com o quadro absoluta e totalmente adverso, eu tenho que entender que o risco praticamente não existe. Nós temos uma sobra de energia. Isso estruturalmente é feito assim. Temos sempre sobra para poder garantir o fornecimento de energia ao país em momentos de dificuldades como esse", disse Lobão, que acrescentou preferir ficar com a “probabilidade máxima de não acontecer nada”, em detrimento do “risco mínimo” de desabastecimento:

"Vamos admitir que, como nos anos anteriores, que sempre se achou que nós íamos ter dificuldades, íamos ter desabastecimento, racionamento e não houve, vamos admitir que cheguemos a dezembro de 2014, como eu acredito, como eu estou firmemente convencido, sem ter acontecido nada. Qual foi a taxa de risco? Nenhum risco", disse Lobão.

O ministro informou que se reunirá na tarde desta sexta-feira com o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, para discutir uma possível solução para o déficit estimado em R$ 5,6 bilhões para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) este ano. Lobão disse, no entanto, que uma decisão não deve ser tomada hoje. O temor da equipe econômica é que o déficit seja repassado para os consumidores por meio da conta do luz, causando uma alta média de 4,6% na tarifa. "Pode ser que, na próxima semana, tenhamos uma decisão. Não estou fixando datas", disse o ministro.

Mais cedo, o secretário-executivo de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, também afirmou que o sistema elétrico está equilibrado estruturalmente e ressaltou que não existe "risco zero". "Ninguém nunca projetou um sistema para ser risco zero", disse.

Em discurso durante a cerimônia de posse do novo diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Reive Barros dos Santos, o ministro de Minas e Energia afirmou que o sistema elétrico está sujeito a incidentes, assim como outros países estão. Mas ressaltou que o importante é que não haja descompasso nem desordem. "Isso nós não temos", revelou.

Em referência às falhas de transmissão que deixaram, na semana passada, estados das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte sem luz, o ministro considerou que o uso da expressão "apagão", pela imprensa, busca estigmatizar um episódio ocorrido no país. "Eu chamo de interrupção temporária de energia. Isto é uma coisa. Aliás, se formos buscar no dicionário, nós não vamos sequer encontrar a palavra apagão. Ela não existe", disse o ministro. "Eventualmente, diante de uma circunstância excepcional, (o sistema) pode sofrer um abalo. Nunca ruirá".

Ontem, em nota divulgada durante a reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), o governo garantiu que o fornecimento de energia está garantido em 2014, mas admitiu, pela primeira vez, que, se a situação dos reservatórios piorar nos próximos meses, existe o risco de desabastecimento, embora considere "baixíssima" a probabilidade de um apagão ocorrer.

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