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Risco de apagão » Governo de Dilma admite possibilidade de faltar energia no país

Correio Braziliense

Publicação: 14/02/2014 09:42 Atualização:

O governo de Dilma Rousseff admitiu ontem, pela primeira vez, a possibilidade de faltar energia no país, mesmo sendo “baixíssima a probabilidade” de isso acontecer, pois está confiando a segurança do suprimento nacional de eletricidade às mãos de São Pedro. Para superar o atual estresse provocado pelo forte consumo, no embalo das elevadas temperaturas, e pelo baixo nível dos reservatórios de hidrelétricas, em razão da estiagem atípica nos meses de janeiro e fevereiro, as autoridades rezam pela volta da normalidade das chuvas.

Essa profissão de fé ficou clara, ontem, na reunião ordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), realizada com mais de uma semana de atraso e a primeira após o apagão da terça-feira da semana passada, que deixou mais de 6 milhões de pessoas sem luz em 13 estados e no Distrito Federal. Enquanto o grupo analisava os relatórios do setor, as avenidas Faria Lima e JK, região nobre de São Paulo, enfrentava um blecaute que durou quase quatro horas.

“O sistema elétrico está atravessando uma situação conjuntural desfavorável em termos climáticos, em um momento em que o período úmido ainda não está caracterizado, mas dispõe das condições de equilíbrio estrutural necessárias para o abastecimento do país. Não são visualizadas dificuldades no suprimento de energia em 2014”, afirmou o CMSE, em nota lida por seu secretário executivo, Ildo Grudtne, no meio do encontro que durou toda a tarde, na sede do Ministério de Minas e Energia, e reuniu os seis principais atores governamentais do setor.

Na avaliação do governo, o volume de água que caiu sobre os rios que abastecem as usinas do Sudeste e do Centro-Oeste foi menos da metade do esperado para as primeiras semanas do ano, comprometendo a geração e a oferta de energia. “Parece que São Pedro, convocado de última hora, estava na cabeceira da mesa da reunião do comitê. Ninguém quer racionamento, mas já passou da hora de o governo agir com transparência e enfrentar os fatos”, disparou Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

O consultor, uma das vítimas do apagão de ontem no metro quadrado mais caro de São Paulo, rechaçou o discurso oficial, que considera o estresse atual fruto de problemas conjunturais. “As causas são estruturais. Faltou planejamento para blindar o sistema interligado deste grande país tropical da sua elevada dependência das hidrelétricas”, observou. “Da mesma forma, não pode ser vista como triste coincidência a queda de uma linha de transmissão no momento que deslocava mais eletricidade do Norte para socorrer o Sul e o Sudeste”, acrescentou.

Desabastecimento

O Comitê de Monitoramento, presidido pelo ministro Edison Lobão, tentou afastar a percepção de desabastecimento iminente de energia e tranquilizar a população e o mercado, a exemplo do que vem fazendo há três semanas seguidas. Nesse sentido, frisou que o risco de deficit continua dentro da margem mínima aceitável de 5%, com uma sobra de 6,2 mil megawatts (MW) médios, ou 9% da demanda prevista para o período. Especialistas discordam e apostam em risco de racionamento perto de 20%, com espaço de manobra beirando 1%.

 “A escassez de água em São Paulo não deixou dúvidas de que a natureza não está sendo legal neste começo de ano, e a reação ideal seria pedir ao público moderação do consumo de energia. Mas o governo parece preferir contar apenas com as águas de março para virar o jogo”, lamentou o consultor João Carlos Mello, presidente da Thymus Energia. “As chuvas em março determinarão, amplamente, se o gerenciamento de demanda (racionamento) será necessário (como em 2001)”, emendou Antonio Junqueira, analista do Banco BTG Pactual. Segundo ele, se as chuvas do próximo mês repetirem os volumes de fevereiro, os níveis dos reservatórios de outubro a dezembro podem ficar baixos demais para sustentar o crescimento do consumo.

Para Mello, se a população racionasse cerca de 5% da eletricidade, as contas de luz poderiam ficar 6% mais baratas. Como não há racionamento, o governo botou as termelétricas para operarem a todo vapor, mesmo produzindo eletricidade mais cara, com impacto na inflação. Dados do próprio Comitê de Monitoramento mostram que 71% das obras de transmissão apontam atrasados. Na geração, 64% estão fora do cronograma, em média, de 8,5 meses.

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