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Fed » Yellen põe o Brasil entre cinco frágeis

Correio Braziliense

Publicação: 12/02/2014 08:48 Atualização:

A nova presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Janet Yellen, fez, ontem, o primeiro discurso na Câmara dos Deputados, onde apresentou aos parlamentares o Relatório Semestral de Política Monetária. A fala da economista ocorreu dentro do que o mercado esperava e, sem sustos. Ela deixou claro que dará continuidade à estratégia de reduzir, gradualmente, os estímulos à maior economia do planeta, plano desenhado pelo antecessor no posto, Ben Bernanke. Em documento entregue aos parlamentares, Yellen citou o Brasil como um dos países mais vulneráveis neste momento, ao lado de Índia, Indonésia, Turquia e África do Sul — os cinco frágeis denominados pelo mercado.

Para André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, Yellen colocou o Brasil entre os países classificados como os cinco frágeis por querer destacar que há problemas nos mercados emergentes. “Entendo que o objetivo era apenas apontar a existência de distúrbios e que o Brasil, por ser um dos maiores entre eles, tem sofrido mais que outros”, argumentou.

Regulação dos bancos

Luís Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, disse que a sabatina de Yellen na Câmara não foi fácil. Os republicanos a pressionaram e, em alguns momentos, foram agressivos, sobretudo em relação à regulação do sistema bancário norte-americano, considerado livre demais, a ponto de criar uma bolha imobiliária que estourou em 2008 e ainda não permitiu ao mundo se reerguer por completo. “Ainda assim, ela conseguiu agradar a gregos e troianos. Aqueles que estavam preocupados com a retirada dos estímulos e os que tinham dúvidas quanto à recuperação da economia ficaram satisfeitos.”

Durante a sessão com os parlamentares, Yellen afirmou que a recuperação do mercado de trabalho norte-americano “está longe de ser completa”, mesmo com o recuo de 1,5 ponto percentual no nível de desemprego desde que o Fed deu início ao programa de estímulos à economia, em setembro de 2012. A atual taxa de desocupados, de 6,6%, é considerada acima do que o governo do país vê como ideal. Apesar disso, a economista reafirmou que a redução da injeção de recursos será mantida — os incentivos já recuaram de US$ 85 bilhões para US$ 65 bilhões mensais. Segundo a presidente, as melhoras amplas na conjuntura dos EUA justificam a decisão.

“O tom adotado por Yellen não é diferente do já foi colocado por Bernanke e pelos presidentes regionais do Fed”, avaliou Álvaro Bandeira, sócio da Órama Investimentos. Segundo analistas, Yellen sempre se mostrou preocupada com os efeitos que a recessão ocorrida entre 2007 e 2009 causou sobre as famílias norte-americanas e, por isso, é considerada mais expansionista do que Bernanke. A avaliação de parte do mercado é de que ela poderia manter por mais tempo os incentivos à economia, mesmo que a inflação, que está abaixo da meta de 2%, possa eventualmente subir.

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