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Comportamento » Quem te viu, quem te vê: estudo revela tendência ao conservadorismo do novo rico

Agência O Globo

Publicação: 11/02/2014 18:02 Atualização: 11/02/2014 18:19

Foto: Fábio Costa /Jcom/D.A Press
Foto: Fábio Costa /Jcom/D.A Press
O clássico de Chico Buarque “Quem te viu, quem te vê” tratou do assunto com lirismo, reclamando da saudade que a mais bonita das cabrochas deixou ao se afastar da turma do carnaval. A mais brilhante foliã não se cansava, mas, depois, mudou de vida, enriqueceu e passou a dar “chá dançante” onde o poeta não era convidado. O que os versos narram poeticamente, dois pesquisadores britânicos descrevem a partir de uma pesquisa realizada com novos ricos. E concluem: o dinheiro, sim, muda as pessoas.

Nattavudh Powdthavee, da London School of Economics, e Andrew J. Oswald, do Departamento de Economia da Universidade de Warwick, no Reino Unido, reconhecem que são múltiplas e variadas as razões do posicionamento político das pessoas, mas descobriram que muitas delas que enriqueceram, após ganhar na loteria, tenderam a se tornarem mais conservadoras politica e moralmente. E quanto maior a fortuna, maior a mudança de postura, afirmam os pesquisadores.

“Comparando as pessoas antes e depois de receberem um inesperado prêmio de loteria, mostramos que os vencedores tendem a mudar, no sentido de apoiar um partido de direita e se tornarem menos igualitários”, afirmam os pesquisadores no resumo do ensaio, intitulado Does Money Make People Right-Wing and Inegalitarian? A Longitudinal Study of Lottery Winners (O dinheiro torna as pessoas de direita e menos igualitárias? Um estudo longitudinal sobre vencedores de loteria).

Trata-se de um estudo quantitativo e qualitativo, que aponta uma tendência maior a uma postura conservadora entre os que receberam prêmios maiores mediante a comparação de seu posicionamento político antes e depois do enriquecimento. Embora afirmem se preocupar com a pobreza, por exemplo, esses novos ricos passam a ser contrários a qualquer política de redistribuição de riqueza, afirmando que já há, no Reino Unido, uma política eficaz de Bem-Estar social.

Os autores reconhecem que estabelecer as motivações subjetivas das pessoas diante da política é algo extremamente complexo e de difícil execução. Essas motivações envolvem questões de ordem psicológica, sociológica, cultural etc. Diante da dificuldade de fazer um levantamento dessa natureza, que exigiria uma pesquisa de campo do tipo etnográfico, os dois propuseram um teste empírico, comparando o posicionamento político antes e depois do enriquecimento súbito.

Powdthavee e Oswald cuidadosamente tentam mostrar que a posição política, expressa empiricamente nas eleições, normalmente é justificada pelo eleitor moral e eticamente. Mas o que o estudo sugere é que, no fundo, as pessoas são movidas por interesses pessoais e buscam justificar suas preferências eleitorais por meio de retóricas de alto valor ético. Algo que os poetas já haviam percebido.

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