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Funcionalismo público » Precariedade da PF não afasta candidatos

Correio Braziliense

Publicação: 11/02/2014 08:34 Atualização:

Enquanto 324.497 candidatos disputarão 566 vagas no concurso da Polícia Federal no próximo domingo, quem já faz parte do quadro de pessoal da corporação está insatisfeito. Hoje, cerca de 200 agentes, escrivães e papiloscopistas da PF são esperados para uma manifestação em frente ao edifício sede, no Setor de Autarquias Sul, às 9h, em Brasília. Os motivos, de acordo com o Sindicato dos Policiais Federais (Sindipol), são as condições precárias de trabalho. O ato será simultâneo em 21 unidades federativas, e os policiais devem ficar parados por 24 horas. Apenas 30% do efetivo deverá trabalhar, mas a promessa é de que o atendimento direto ao público não seja prejudicado.

Na semana passada, os policiais realizaram um ‘algemaço’ simbólico em protesto contra a resistência do descaso do governo e do Ministério da Justiça em atender as reivindicações da categoria. Só no ano passado, 230 agentes abandonaram seus cargos, a maioria devido ao assédio moral e à sobrecarga de serviço. Além de mais servidores, eles exigem ainda a reestruturação da carreira e reposição de perdas inflacionárias. A chefia da Polícia Federal não quis se pronunciar sobre o assunto.

Apesar da precariedade denunciada, os inscritos ao concurso continuam firmes no propósito de alcançar a tão sonhada vaga. Como Roni Mendonça, 28 anos, que estuda desde agosto do ano passado para o certame. “Saí do meu emprego para me dedicar aos livros”, conta o candidato. A concorrência não o assusta. “Muita gente faz apenas a inscrição e não estuda”, disse. Melquisedeque Medeiros, 20, que optou por fazer aulas preparatórias específicas para a seleção também se mostra tranquilo: “Achei que a disputa seria maior, mas acho que, devido ao salário baixo, se comparado a concursos de tribunais, a PF não teve a preferência das pessoas, mesmo assim, estudo sete horas todos os dias desde outubro do ano passado, e vou pedir a Deus para que me ajude durante a prova”.

Casada e mãe de três filhos, Marta Ferreira da Silva, 39, também vai fazer o exame da Polícia Federal. Ela tem que se desdobrar para conseguir tempo de estudar: “Eu me dedico seis horas por dia aos livros, mas é uma correria. Na hora do almoço, vou para casa, cozinho para os meus filhos e, à tarde, retomo os estudos. Como me preparo há três anos para concursos, já estou acostumada com essa rotina”, observou.

Na reta final da prova, Everton de Alencar, 32, se inscreveu para o cargo de agente administrativo. Ele dedica 10 horas diárias aos estudos e contou sua estratégia para abocanhar uma das vagas: “Normalmente eu estudo antes das aulas. As palestras são como uma revisão”.

Locais de prova

Os locais das provas de 16 de fevereiro já podem ser consultados no site da banca organizadora: www.cespe.unb.br/concursos. A concorrência média geral é de 573 pessoas por chance. Só no Distrito Federal são 71.034 inscritos, sendo 66.446 para o posto de agente administrativo. As provas objetiva e discursiva para cargos de nível superior terão duração de cinco horas e serão aplicadas a partir das 8h; já para postos de nível médio, elas começam às 15h e terminam às 19h (horário oficial de Brasília/DF). Nos exames serão exigidos conhecimentos básicos de língua portuguesa, raciocínio lógico, atualidades, noções de informática, noções de direito administrativo e de direito constitucional.

Leia mais sobre concursos no portal Admite-se

Aos graduados estão disponíveis os cargos de administrador, arquivista, assistente social, contador, engenheiro (civil, elétrico, mecânico) e psicólogo. As remunerações variam de R$ 4.039,32 a R$ 5.081,18. Quem tem nível médio disputará as oportunidades de agente administrativo, com salário de R$ 3.316,77.

Do total de chances, 306 são para lotação na capital federal. Os aprovados trabalharão também nos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

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