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Câmbio » Dólar cai e fecha a R$ 2,37 com emprego mais fraco nos EUA

Agência O Globo

Publicação: 07/02/2014 18:40 Atualização:

O mercado financeiro teve um dia de instabilidade, oscilando entre momentos de alta e baixa, após o número de geração de empregos nos Estados Unidos ter decepcionado investidores. O dólar comercial teve um dia volátil, mas acabou fechando em queda pelo quarto dia consecutivo. A divisa recuou 0,16% e encerrou negociada a R$ 2,377 na compra e R$ 2,379 na venda, a menos cotação em quase duas semanas. Ao longo do dia, a moeda oscilou entre uma mínima de R$ 2,371 (queda de 0,50%) e uma máxima R$ 2,395 (alta de 0,50%). Na semana, o dólar encerrou com desvalorização de 1,3%.

Segundo o Departamento do Trabalho dos EUA, foram adicionados 113 mil empregos à economia americana em janeiro, resultado bem inferior as 180 mil vagas esperadas para o mês. Por outro lado, a taxa de desemprego do país encolheu de 6,7% em dezembro para 6,6% em janeiro. Os economistas esperavam que a taxa permanecesse em 6,6%. Os dois indicadores são frutos de pesquisas diferentes, mas normalmente caminham na mesma direção, o que não ocorreu no mês passado.

Para o estrategista-chefe no Brasil do banco japonês Mizuho, Luciano Rostagno, a queda na taxa de desemprego, mesmo com a criação de vagas abaixo do esperado, sinaliza que há menos pessoas indo procurar emprego. É o que os economistas chamam de desalento. A onda de frio que atinge os EUA influiu nos números, diz Rostagno.

"Mas não acredito que o Federal Reserve (o banco central americano) vá deixar de reduzir os estímulos à economia na próxima reunião. O Fed pode até diminuir o volume dos cortes, que estão sendo de US$ 10 bilhões. Com isso, uma possível elevação dos juros nos EUA fica adiada", avalia o estrategista do Mizuho.

Os principais índices americanos apresentavam altas expressivas nesta tarde. O S&P 500 subia 1,07%; o Dow Jones se valorizava 0,85% e o Nasdaq tinha ganho de 1,45%. Na Europa, os principais índices também fecharam em alta. O CAC 40, da Bolsa de Paris, teve alta de 0,96%. E o DAX, da Bolsa de Frankfurt, ganhou 0,49%.

Entre 16 moedas acompanhadas pela agência Bloomberg, apenas três se desvalorizaram frente ao dólar, duas delas de países emergentes: o rand sul-africano perdeu 0,20%; o peso mexicano caiu 0,24% e o iene recuou 0,24%. O euro subiu 0,24% frente à moeda americana, enquanto a libra esterlina se valorizou 0,55%.

Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, os dados da economia americana têm sido dúbios.

"Os números da economia americana têm vindo dúbios, como o do mercado de trabalho, balanço de pagamentos, pedidos de auxílio desemprego. Alguns investidores começam a se perguntar se a recuperação está firme e se o Federal Reserve (Fed, banco central americano) vai manter o ritmo de retirada dos estímulos monetários em suas reuniões de juros, atualmente em US$ 65 bilhões por mês", avalia Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio Treviso Corretora.

No mercado local, o Banco Central (BC) vendeu os 4 mil contratos de swap cambial tradicional - operação equivalente a uma venda de dólares no mercado futuro - oferecidos das 9h30m às 9h40m, numa intervenção de US$ 197,1 milhões. Das 11h30m às 11h40m, a autoridade monetária realizou um leilão para rolagem de 10.500 contratos de swap que vencem em 5 de março próximo, no valor de US$ 516,7 milhões.

Entre os indicadores divulgados aqui no Brasil, o IBGE divulgou na manhã desta sexta-feira que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,55% em janeiro, abaixo da estimativa mediana dos economistas consultados pela Bloomberg News, de 0,61% para o mês passado. Em 12 meses terminados em janeiro, a inflação oficial brasileira passou a avançar 5,59%, abaixo dos 5,91% do ano passado.

No mercado de juros futuros, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) recuam após a descaleração do IPCA de janeiro, com o mercado voltando a acreditar que elevação dos juros pelo banco Central não será tão forte. A taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2015 recuava de 11,46% para 11,39%, enquanto a taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2017 cedia de 12,75% para 12,66%.

A projeção do economista do Itaú Unibanco, Elson Teles, é que o IPCA de fevereiro fique em 0,67%. A principal pressão de alta, segundo ele, virá do grupo educação, por conta do reajuste anual das mensalidades escolares.

Logo após a divulgação dos dados da economia americana, às 11h30m, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deu um “mergulho” de 420 pontos e chegou a operar no vermelho por 15 minutos, enquanto investidores avaliavam os números da economia dos EUA. Às 15h30, o Ibovespa, índice de referência do mercado, voltou a se desvalorizar e perdia 0,13% aos 47.676 pontos. O giro financeiro era de R$ 4,4 bilhões. As ações da Vale pressionam o índice, com queda de 1,29% a R$ 30,40, devolvendo as altas dos últimos dias.

Entre os destaques do dia, as ações ordinárias (ON, com voto) da construtora Gafisa sobem 4,98%, a R$ 3,16, a maior alta do Ibovespa. Em comunicado, a empresa informou nesta sexta-feira que pode se dividir em duas companhias independentes: Gafisa e Tenda. Com isso, a empresa espera solicitar a listagem da Tenda no Novo Mercado da BM&FBovespa para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Outro papel em forte alta é o da Oi. As ações ordinárias sobem 2,30%, a R$ 4,43, após o jornal “Folha de S.Paulo” publicar que um grupo formado por 12 bancos, nacionais e estrangeiros, comprometeu-se a captar entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões no mercado para comprar ações da companhia formada pela fusão com a Portugal Telecom, participação que equivale a no mínimo 15% da empresa. O jornal não citou fontes. "O consórcio dos bancos é uma etapa importante para a a fusão da Oi com a PT e mostra que a empresa está dando sequência à operação", disse Fabio Gonçalves, analista da Banrisul Corretora.

Segundo o analista de um banco, que pediu para não ser identificado, a operação de fusão das empresas, com conclusão prevista entre abril e maio, seria uma solução para os problemas financeiras da Oi. Por isso, a notícia de que fusão avança foi considerada positiva por investidores. Ele explica que o grande desafio da operação é o aumento de capital da empresa, de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões, dos quais R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões serão de minoritários.

"O consórcio de bancos vai aparentemente dar garantia firme para o aumento de capital", disse o analista, lembrando que as ações da empresa seguem negociadas com "desconto" em relação aos papéis da TIM. "As ações da Oi acumulam queda de mais de 40% nos últimos 12 meses. Estão ainda muito voláteis".

Já as ações preferenciais da Eletrobras sobem 0,21%, a R$ 9,29, após chegaram a cair 0,54% pela manhã com o leilão da linha de transmissão de Belo Monte, no Pará. O consórcio formado pela chinesa State Grid e pela Eletrobras, através das subsidiárias Eletronorte e Furnas, venceu o leilão com um deságio 38% em relação ao teto da receita que o governo estava disposto a ceder, de R$ 701 milhões por ano.

"Muito possivelmente o mercado considerou o desconto sob o preço teto do projeto como muito alto, tendo em vista a situação complicada que a companhia enfrenta. A proposta da Eletrobras foi quase R$ 200 milhões abaixo que a segunda proposta mais atraente, realizada pela Abengoa", disse Vitor Sousa, analista da corretora GBM.

Mais cedo, os mercados financeiro asiáticos também se valorizaram na esperança de números melhores nos EUA. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, subiu 2,17%. O índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, avançou 1%. E na China o índice Xangai Composto, da Bolsa de Xangai, terminou o pregão em valorização de 0,56%.
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