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Sistema elétrico » Apagão atinge pelo menos 3 milhões de consumidores nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste

Agência O Globo

Publicação: 04/02/2014 15:10 Atualização: 04/02/2014 18:25

Um apagão atingiu na tarde desta terça-feira (4) as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Foram afetadas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o problema ocorreu na linha de interligação Norte/Sudeste, onde um transformador teria tido superaquecimento.

O ONS informa ainda que a energia foi totalmente restabelecida no país às 16h. De acordo com balanços das concessionárias, a falha afetou pelo menos 3,1 milhões de unidades consumidoras. O levantamento não inclui Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde as concessionárias ainda não divulgaram esses números.

O incidente ocorre um dia após a própria ONS divulgar recorde de consumo de energia, causado pela onda de calor. Nesta segunda-feira, às 16h32m, o consumo nacional atingiu 84.331 MW. Somente no sistema Sudeste/Centro-Oeste o recorde foi de 50.854 MW. No Rio, são 600 mil clientes afetados e, no Paraná, 548 mil. O último apagão ocorreu em agosto do ano passado e deixou toda a região Nordeste sem energia. Na ocasião, a falha foi causada por uma queimada no Piauí.

São Paulo foi o estado mais afetado, com 1,2 milhão de unidades consumidoras sem energia. Segundo a concessionária AES Eletropaulo, faltou luz nos municípios de Vargem Grande Paulista, Embu, Diadema e Cotia, além de 11 bairros da capital paulista, entre eles Capão Redondo, Pedreira, Cidade Ademar, Mooca, São Mateus, Vila Prudente, Itaquera, Vila Mariana, Guaianases e Vila Matilde.

O problema, segundo a AES Eletropaulo, teve início às 14h03m. A concessionária, então, recebeu a autorização do ONS para religar os clientes, que foram normalizados às 14h58m.

O problema atingiu, por cerca de uma hora, também a Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo. Em nota, a concessionária ViaQuatro, responsável pelo ramal, diz que houve falha no sistema elétrico de tração entre o trecho das estações Paulista e Luz, o que causou o fechamento da última juntamente com a estação República, onde acontece a ligação com outros ramais do Metrô.

A linha operou parcialmente no trecho entre as estações Butantã e Paulista. O problema, já resolvido, afetou também a Linha 1-Azul, cujos trens tiveram de circular com velocidade reduzida.

No Rio, faltou luz em vários bairros das zonas Norte e Oeste do Rio, causando também transtornos no trânsito. A Light informou, em nota, que “devido a uma anormalidade, registrada às 14h03m, no Sistema Interligado Nacional (SIN), o ONS solicitou o desligamento de 17 subestações da Light, que interrompeu o fornecimento de energia para aproximadamente 600 mil clientes”.

As localidades com o fornecimento interrompido no Rio de Janeiro foram os seguintes: região de Bangu, Campo Grande e Guaratiba; Grande Méier; região de Jacarepaguá; região da Pavuna, Inhaúma e Irajá; região da Penha, Cascadura e Madureira; algumas regiões de cidades da Baixada Fluminense, como Mesquita, Belford Roxo, Queimados e Nova Iguaçu.

Segundo a Ampla, 14 municípios de sua área de atuação tiveram impacto parcial, entre eles: Niterói, São Gonçalo, Magé, Araruama, Cabo Frio, Duque de Caxias, Iguaba, Itaboraí, Maricá, Petrópolis, Resende, Rio das Ostras, Saquarema e Teresópolis. Cerca de 280 mil clientes da distribuidora tiveram o fornecimento afetado.

No Centro-Oeste, foram registrados cortes de energia nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Segundo a Enersul, concessionária que atende 74 dos 79 municípios do Mato Grosso do Sul, o impacto foi em sete municípios, a maioria deles com poucos habitantes. Já e Cemat, que atende parte do estado de Mato Grosso, não tinha informações detalhadas do problema. Não há detalhes sobre a quantidade de clientes afetados.

No Paraná, a falta de energia começou às 14h. O fornecimento foi restabelecido por volta das 15h50m, segundo a Copel. De acordo com a concessionária, 548 mil clientes foram afetados, o que representa 13% dos 4,1 milhões da base da empresa.

Ainda na região Sul, a RGE, uma das concessionárias que atende o Rio Grande do Sul, confirmou que 11 cidades do estado ficaram sem energia por volta das 14h. Até as 16h, toda a rede havia sido restabelecida, segundo a companhia. A CEEE, que também distribui energia no estado, confirmou a ocorrência, mas não informou detalhes sobre a falha. Nenhuma das empresas tem informações sobre quantos clientes foram afetados.

Em Santa Cararina, segundo a Celesc, 315 mil unidades consumidoras ficaram sem energia, o que corresponde a 13% dos clientes atendidos. De acordo com a companhia, o ONS autorizou o restabelecimento do sistema às 15h36m.

A possibilidade de problemas no abastecimento de energia foi descartada, nesta segunda-feira, pelo ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Em entrevista coletiva, ele afirmou que a situação dos reservatórios é melhor do que a do ano passado, com os principais reservatórios acima de 40% da capacidade.

Por volta das 15h40m, o ONS divulgou nota à imprensa informando que um esquema de emergência foi acionado:

A íntegra da nota da ONS

"Às 14h03, uma perturbação no Sistema Interligado Nacional causou a abertura da interligação em 500 kV entre a Região Norte e as Regiões Sudeste/Sul, entre Colinas e Serra da Mesa, interrompendo o fluxo de 5 mil MW para essas regiões.

Para evitar a propagação do evento, houve atuação do primeiro estágio do Esquema Regional de Alívio de Carga (ERAC), causando o desligamento automático de cargas pré-selecionadas pelos agentes distribuidores locais, visando restabelecer a frequência do sistema.

Às 14h41, a interligação Norte-Sudeste foi religada e a frequência normalizada. Já foi iniciado o processo de recomposição das cargas desligadas".

Segundo reportagem do jornal "Valor Econômico", o risco de déficit de energia elétrica nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste já chega a mais de 20% neste ano. A metodologia usada pelo próprio governo para definir a operação do sistema interligado nacional aponta que esse é o risco de que falte pelo menos um megawatt de eletricidade para atender à demanda ao longo de 2014.

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