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Produção » Falta mão de obra para a indústria brasileira rodar Parques industriais investem em modernização, mas a carência de profissionais qualificados no mercado preocupa o setor

Rosa Falcão

Publicação: 02/02/2014 08:00 Atualização: 31/01/2014 21:30

Karla Dantas foi contratada em 2013 pelo Consórcio Conest no programa Jovem Aprendiz e faz o curso de eletromecânica do Senai. Foto: Bernardo Dantas/ DP/D.A Press.
Karla Dantas foi contratada em 2013 pelo Consórcio Conest no programa Jovem Aprendiz e faz o curso de eletromecânica do Senai. Foto: Bernardo Dantas/ DP/D.A Press.
Formar um milhão de trabalhadores entre 2014 e 2015. Esta é a demanda da indústria brasileira para dar conta do crescimento da produção. O gargalo de mão de obra de nível profissionalizante e técnico acende o sinal vermelho no chão das fábricas. A modernização dos parques industriais tropeça na baixa capacitação profissional. Recorte do Mapa do Trabalho Industrial 2012 da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta as áreas mais críticas nas cinco regiões. São elas: construção civil, alimentos e bebidas, montagem de veículos automotores, máquinas e equipamentos, e fabricação de minerais não-metálicos.

O diretor de Educação e Tecnologia da CNI Rafael Lucchesi diz que 53% da demanda da indústria se concentra nos profissionais com cursos de até 200 horas/aula. Em segunda posição com 26% estão os trabalhadores com cursos até 400 horas/aula e apenas 3% é de nível superior. Traduzindo: mão de obra formada nos cursos profisionalizantes e técnicos. “São setores da atividade industrial intensivos em capital, ligados à produção de bens de consumo, e com com efeito direto na renda”, aponta Lucchesi.

O vice-presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) Ricardo Essinger atesta a dificuldade de as empresas pernambucanas recrutarem mão de obra. A matriz industrial secular de base açucareira mudou de direção. “Com o novo perfil da indústria que se instala no Estado (automotiva, petróleo e gás, metalúrgica, alimentos e bebidas) vai ser necessário dobrar os esforços de qualificação nos próximos anos”.

Além do “apagão” profissional para atender a demanda do mercado, as empresas se deparam com a ausência de formação escolar. Segundo Lucchesi, 80% das indústrias reclamam das deficiências da educação básica no país. São trabalhadores que chegam a idade adulta com dificuldade de leitura e de interpretação de texto. Muitos não dominam as quatro operações da matemática.

Sentindo na pele a dificuldade de recrutar profissionais, a indústria pernambucana busca alternativas. Na construção civil, as empresas criam programas de treinamento nos canteiros de obras. “Existe carência em todos os setores. Desde o serviço mais elementar de pedreiro até o mais complexo de operação de máquinas”, confirma Otávio Ferrão sócio-diretor da construtora Correia & Peixoto.   

A Vitarella, indústria do setor de alimentos, passa pela mesma dificuldade de contratar pessoal, em especial, para a área de manutenção de máquinas. A coordenadora de Recursos Humanos (RH) Juliana Verçosa explica que a empresa forma mão de obra através do programa Jovem Aprendiz, e tem um programa de estágio e de trainee. “Para crescer, a empresa precisa de pessoas prontas para assumir posições”, ressalta.

Jardielde Leandro da Silva, 22 anos, é da turma de aprendizes da Vitarella. Ele faz o curso técnico de manutenção eletromecânica no Senai. “Entrei na fábrica como auxiliar de produção. Eles identificaram o meu potencial e me proporcionaram a capacitação. Espero sair bem no curso e ser contratado pela empresa”, aposta.

Karla Dantas, 23 anos, foi contratada em 2013 pelo Consórcio Conest no programa Jovem Aprendiz e faz o curso de eletromecânica do Senai. “Acho muito boa a oportunidade porque quando a gente chega nesta faixa etária ou trabalha para ganhar dinheiro ou estuda. A minha expectativa é ficar na empresa”.

O economista José Raimundo Vergolino, professor da Faculdade Guararapes (FG), diz que o setor público e o setor privado não estão dando vencimento para suprir o gargalo de mão de obra. Segundo ele, a única saída é as universidades privadas entrarem no circuito para formar profissionais.

“A revolução da indústria pernambucana foi rápida com a chegada do pólo naval e do pólo petroquímico. Ninguém esperava a mudança no perfil profissional. Isso ocorreu com o pólo petroquímico de Camaçari na Bahia”, compara Vergolino. É correr contra o tempo para não deixar o cavalo passar selado e perder as oportunidades de investimentos e de empregos.

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Esta matéria tem: (3) comentários

Autor: Glauco Maciel
Postei um comentário sobre o assunto desde sábado, mas achoque foi cerceado em virtude de ter explanado a situação real que acontece. Portanto, não mais escreverei nada nesse jornal, ao que parece, chapa branca. FUI...... | Denuncie |

Autor: Glauco Maciel
Complementando meu comentário anterior sobre o tema, tem também a indústria da propina por parte de alguns recrutadores sem escrúpulos, que cobram o 1º salário do contratado de forma antecipada. Aliás, cadê o meu comentário? | Denuncie |

Autor: Glauco Maciel
A real é o seguinte: sou da área marítima, com experiência de 30 anos na MB, mas não consigo vaga, pois é necessário tb QI(Quem indique). | Denuncie |

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