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Câmbio » Dólar fecha em alta de 0,41%, cotado a R$ 2,43, e renova máxima em cinco meses

Agência O Globo

Publicação: 29/01/2014 19:53 Atualização:

Com os investidores na expectativa de um novo corte nos estímulos à economia americana feito pelo banco central americano (Federal Reserve), que acabou se confirmando após o fechamento do mercado, o dólar comercial fechou em alta frente ao real, nesta quarta-feira (29), e renovou a máxima em cinco meses.

A moeda americana subiu 0,41%, sendo negociada a R$ 2,435 na compra e R$ 2,437 na venda, maior cotação desde o dia 21 de agosto do ano passado, quando a divisa fechou a R$ 2,451, e um dia antes de o Banco Central brasileiro anunciar seu programa de ‘ração diária’ de dólares ao mercado. Na máxima, o dólar foi negociado a R$ 2,452 (alta de 1,03%) e, na mínima, a divisa atingiu o patamar de R$ 2,428 (valorização de 0,04%).

O mercado também repercutiu a ação do banco central da Turquia, que elevou a taxa de juro de 7,75% para 12% ao ano numa tentativa de evitar fuga de investidores e estancar a desvalorização de sua moeda, a lira turca. A Índia também subiu em 0,25 ponto percentual a taxa de juro - para 8% - com o mesmo objetivo.

Hoje, foi a vez do banco central da África do Sul elevar a taxa de juros pela primeira vez em quase seis anos. A taxa subiu em 0,5 ponto percentual para 5,5% ao ano. Mesmo com essas medidas, as moedas de países emergentes voltam a se desvalorizar hoje, com o rand sul-africano perdendo 2% frente ao dólar, e o peso mexicano caindo 1,2%. As Bolsas também recuaram na Europa e caíam nos EUA. Somente nos pregões asiáticos, a alta de juros na Turquia teve efeito positivo.

“Ontem a lira subiu mais de 4% após o anúncio do BC turco. Hoje, chegou a cair 3%, o que dá uma variação de 7% em menos de 24 horas. É um sinal do nervosismo do mercado. Esse stress vai fazer parte do processo de tapering nos EUA (redução de estímulos) e mostrou que apenas elevar o juro nos emergentes pode não ser suficiente para estancar a desvalorização das moedas. Assim como a Turquia, o Brasil precisa de mais medidas, como um ajuste fiscal”, diz Gil Faiwichow, vice-presidente de tesouraria do banco BI&P.

Para o estrategista-chefe no Brasil do banco japonês Mizuho, Luciano Rostagno, embora a ação dos bancos centrais de emergentes seja positiva, a tendência é que o dólar continue se valorizando em relação às moedas desses países, já que com os cortes dos estímulos promovidos pelo Fed, diminui o volume de recursos disponíveis para investimento em outros mercados. Esse dinheiro já começou a migrar para os EUA, onde o juro dos títulos de dez anos (Treasurie) está subindo. Além da redução dos estímulos promovida pelo Fed, o baixo crescimento de suas economias, a inflação em alta e problemas fiscais tiraram a confiança dos investidores internacionais nos emergentes.

Rostagno diz que a alta dos juros em países como Turquia e Índia aumenta a pressão sobre outros bancos centrais de países emergentes para que também elevem suas taxas. “Ao pagar juro mais alto, o BC turco tenta evitar que o capital estrangeiro migre para outros países. Isso coloca pressão sobre o BC brasileiro para elevar ainda mais o juro, evitando o mesmo movimento de fuga de investidores por aqui”, diz Rostagno.

O banco Mizuho prevê que o BC brasileiro promova mais duas elevações de juro, dentro do atual ciclo de alta que começou em abril do ano passado, e a Selic chegue a 11% este ano. O BC divulgou nesta quarta que a entrada de dólares no Brasil voltou a superar as saídas em US$ 1 bilhão em janeiro.

Para o economista Sergio Vale, da MB Associados, a alta de juros nos emergentes era inevitável. Enquanto os países desenvolvidos fizeram a lição de casa e ajustaram suas economias, ou estão a caminho de ajustar como o Japão, ou pelo menos fora de risco nesse momento, como a Europa, os emergentes foram no sentido contrário. Com exceção da China, que está tomando um rumo mais pró setor privado, os demais emergentes estão em franca desaceleração econômica.

“A Índia continua em crise macroeconômica e política, a Rússia segue sendo uma quase ditadura. Ao mesmo tempo, surgem alguns emergentes em situação melhor, especialmente o México. Assim, é mais do que natural que esses países tenham que fazer ajustes em suas economias depois dos excessos dos últimos anos. E isso vale para o Brasil também. O gatilho disso tudo foi a melhora da economia americana e vai continuar sendo ainda porque o processo de alta de juros nos EUA nem começou. Serão dois anos muito difíceis para o Brasil”, avalia o economista.

Diante desse quadro, as moedas de países emergentes vêm sofrendo uma forte desvalorização desde que o Fed sinalizou a retirada dos estímulos, em maio do ano passado. No Brasil, o BC deu sequência hoje ao seu leilão diário de contratos de swap cambial tradicional, oferecendo hedge (proteção contras as oscilações do câmbio) no mercado futuro. Foram ofertados 4 mil novos contratos o equivalente a US$ 197,4 milhões. Mas o dólar manteve sua trajetória de valorização.

No mercado de juros futuros, as taxas estão em alta acompanhando o dólar. O mercado avalia que o BC brasileiro poderá fazer um aperto monetário mais forte depois que outros emergentes elevaram os juros. O DI para janeiro de 2015 tem taxa de 11,44%, ante 11,24% na véspera. O DI para janeiro de 2017 tem taxa de 12,95% ante 12,92% de ontem.

Na Bolsa de Valores de São Paulo, o principal índice (Ibovespa) fechou em queda de 0,59% aos 47.556 pontos e volume negociado de R$ 6,3 bilhões, também com os investidores cautelosos à espera da decisão do Fed. O Ibovespa acompanhou os pregões externos. A queda foi limitada pelasvalorização das ações de empresas exportadoras, que são beneficiadas pela alta do dólar.

As ações preferenciais da Vale classe A subiram 3,74% a R$ 29,96, a quinta maior alta do Ibovespa, enquanto os papéis ordinários se valorizaram 4,54% a R$ 33,19, o segundo maior ganho do índice. Outros papéis de exportadoras, como a Fibria e Cia. Suzano de Papel e Celulose também ficaram entre as maiores altas do Ibovespa.

As ações de bancos se desvalorizaram fortemente após o banco J.P. Morgan divulgar relatório sinalizando expectativa de rebaixamento do rating das principais instituições. As ações preferenciais do Bradesco perderam 2,30% a R$ 25,89. Já os papéis preferenciais do Itaú Unibanco perderam 1,89% a R$ 29,49. Hoje o Itaú Chile anunciou a fusão com o banco chileno CorpBanca.

Um operador de Bolsa avaliou que com o aumento de juro na Turquia, o BC brasileiro também será pressionado a elevar mais os juros, o que tem impacto sobre o crescimento econômico e também sobre a Bolsa, já que os títulos públicos federais ficam mais atraentes em termos de retorno.

Na Ásia, as Bolsas subiram refletindo positivamente a alta de juro na Turquia e na Índia. As Bolsas europeias começaram o dia em alta, refletindo a a decisão do BC turco, mas inverteram a tendência e passaram a cair com os investidores cautelosos na expectativa a da decisão do Federal Reserve.

Segundo Michael Hewson, analista-chefe de mercado da CMC Markets no Reino Unido, apesar da abertura das Bolsas em alta na Europa, os índices fecharam em queda depois que os investidores pesaram o aumento da taxa básica de juros anunciada pelo banco central da Turquia.

“Enquanto medidas extraordinárias como essas podem resolver os problemas de fluxo de capital de curto prazo, a história nos ensinou que elas não fazem nada para melhorar as perspectivas de crescimento da economia dos países afetados no curto e no médio prazo”, avalia Hewson.

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