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Conjuntura internacional » Mercado cético com a Argentina

Correio Braziliense

Publicação: 28/01/2014 08:46 Atualização:

O governo argentino abriu parcialmente o mercado de câmbio, fechado desde 2012, para tentar restabelecer a confiança na economia e estancar a sangria das reservas internacionais do país, atualmente em US$ 29,2 bilhões, patamar semelhante ao de 2006. Os cidadãos com renda mensal acima de 7,2 mil pesos (US$ 900) poderão comprar até US$ 2 mil por mês pela cotação oficial. Sobre a operação incidirá imposto de 20%, mas a taxa será zerada se os recursos forem usados em aplicações financeiras no país com prazo superior a um ano. É uma tentativa de recompor as reservas, já que as contas em moeda estrangeira têm um depósito compulsório de 100% no banco central.

As decisões, anunciadas pelo chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, já eram esperadas desde a última sexta-feira, dada a forte valorização do dólar na semana passada. O governo, porém, voltou atrás na decisão de reduzir de 35% para 20% o imposto para as compras com cartão de crédito no exterior. A moeda norte-americana manteve-se ontem em US$ 8 no câmbio oficial. No paralelo,  foi negociada por 12,25 pesos. Já a Bolsa de Buenos Aires recuou mais de 4%.

A Argentina atravessa uma crise cambial devido à escassez de dólares pela fraqueza das exportações, uma inflação galopante, falta de investimento estrangeiro e impossibilidade de financiar-se no mercado internacional após o calote de 2002. Os especialistas, estão céticos sobre a eficácia das medidas. Na avaliação do economista David Rees, da consultoria britânica Capital Economics, a acomodação do dólar é passageira. “A expectativa é de mais desvalorização no peso nas próximas semanas. Há novos riscos de um calote da Argentina. O valor das reservas corresponde a quatro meses de importações. E, sob pressão, poderá ser consumido rapidamente”, destacou. “A menos que as autoridades façam um ajuste fiscal para enfrentar os desequilíbrios econômicos, o peso continuará caindo”, afirmou.

O diretor do Departamento de Relações Internacionais e de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Thomaz Zanotto, observa que a Argentina enfrenta dificuldades  para honrar compromissos com fornecedores externos. Segundo ele, a indústria brasileira, que tem no país o terceiro maior destino de seus produtos, principalmente veículos e autopeças, sentirá os efeitos de uma crise. “Estamos preocupados. Desde o calote de 2001, os argentinos não dispoem de crédito internacional e a confiança no país está no chão”, destacou.

Inflação

Apesar de ser positiva para dar competitividade aos produtos argentinos, que ficarão mais baratos quando cotados em moeda forte, a desvalorização do peso preocupa porque deve acirrar a inflação, que está ao redor de 30% ao ano, segundo consultorias independentes. “Há um problema de oferta. A safra de grãos não foi boa e a indústria tem limitações de produção. Uma forte demanda externa aumentaria as pressões sobe os preços internos”, explicou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

O ministro da Economia, Axel Kicillof, tentou tranquilizar a população no domingo ao afirmar que a situação dos preços nos supermercados está “perfeitamente calma”. No entanto, as remarcações começaram já no fim de semana. “A economia argentina está totalmente atrelada ao dólar. Se ele sobe, automaticamente, tudo é reajustado”, disse o professor  do Insper Otto Nogami.

A situação da Argentina é mais um ingrediente da crescente preocupação dos especialistas em relação aos países emergentes. Existe certo nervosismo político com Turquia, Brasil, Índia, África do Sul e Indonésia, que terão eleições presidenciais neste ano. Além disso, a mudança na política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) deverá causar uma debandada dos investidores estrangeiros desses mercados.

“Eles já estão se preparando. A crise na Argentina apenas ajuda a  acelerar esse processo, acaba justificando as saídas do Brasil para a matriz”, explicou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. Para Sergio Vale, da MB Associados, o contágio da crise argentina no Brasil não será forte porque os países são diferentes. “Mas haverá um reflexo na economia, por conta das exportações, que estão em um momento muito ruim”, destacou.

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