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Câmbio » Dólar chega a maior valor desde agosto Aversão a emergentes faz moeda americana subir a R$ 2,42; Bolsa inverte sinal e cai

Agência O Globo

Publicação: 27/01/2014 18:01 Atualização:

A aversão aos ativos de países emergentes - moedas e ações - se mantém nesta segunda-feira, dando continuidade ao movimento iniciado na semana passada. O nervosismo é potencializado, segundo analistas, já que nesta semana acontece a reunião do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), na próxima quarta-feira. Além de decidir a política monetária do país, o Fed poderá cortar em mais US$ 10 bilhões os estímulos mensais à economia americana. Por isso, os investidores devem agir com cautela nos próximos dias.

A moeda norte-americana subiu 1,17%, a R$ 2,426, chegando à maior cotação desde o dia 22 de agosto, quando o Banco Central anunciou o programa de intervenções diárias no câmbio e o dólar era negociado na casa dos R$ 2,43.

"Acredito que o Fed deve cortar os estímulos em US$ 10 bilhões, mesmo com dados menos favoráveis do mercado imobiliário e do emprego. O resultado será um dólar mais alto, já que a tendência é ‘sobrar’ menos capital para os países emergentes", avalia Álvaro Bandeira, economista da Órama.

O dólar iniciou a sessão desta segunda-feira em alta, reverteu a tendência após o leilão de dólares no mercado futuro feito pelo Banco Central, mas voltou a subir. Às 15h30m, a moeda americana se valorizava 1,08%, sendo negociada a R$ 2,422 na compra e R$ 2,424 na venda, a maior cotação desde o dia 22 de agosto do ano passado, quando a moeda americana fechou a R$ 2,432. Na máxima do dia, a moeda atingiu o patamar de R$ 2,425 (alta de 1,16%) e na mínima foi negociado a R$ 2,391 (queda de 0,25%)

O BC ofertou 4 mil novos contratos de swap cambial, o equivalente a US$ 197,2 milhões. Também rolou 25 mil contratos que vencem em 3 de fevereiro, totalizando US$ 1,2 bilhão. De acordo com o boletim Focus, compilação feita pelo Banco Central com economistas do mercado, a estimativa para a cotação do dólar comercial no final de 2014 foi mantida em R$ 2,45 e, para 2015, a expectativa permaneceu em R$ 2,50. ece-auto-gen 7a8c52c4-969e-4928-8af9-abf4f0e4a31e

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse pela manhã, em palestra na London School of Economics, que a "depreciação do real desde o pico de julho de 2011 até agora é um movimento normal".

"Diante disso, estamos agindo para evitar o repasse desse movimento para a inflação", afirmou ele.

No exterior, as moedas de países emergentes têm mais um dia de queda em relação ao dólar. Os investidores ampliaram a aversão aos ativos de mercados emergentes, depois de números mais fracos da indústria chinesa terem sinalizado que o crescimento econômico pode estar desacelerando este ano. O mercado acompanha principalmente a situação na Argentina e Turquia, que têm sofrido com uma forte desvalorização das suas moedas.

No país vizinho, a crise cambial está na pauta dos investidores. Nesta segunda-feira, o governo anunciou as novas regras para a compra de dólares. A moeda americana se mantém a 8 pesos no câmbio oficial, mas no paralelo está valendo 12 pesos. E e a turbulência política na Turquia também preocupa. O governo anunciou uma reunião extraordinária de política monetária para esta terça-feira. A expectativa é que o governo turco aumente os juros.

O mercado repercutiu ainda nesta segunda notícia publicada pela imprensa que o Banco do Povo da China (PBoC) suspendeu a transferência de dinheiro para bancos antes do feriado do Ano Novo Lunar. A notícia despertou temores de uma possível crise de liquidez.

"Em relação ao Brasil, o desconforto dos investidores está centrado na desconfiança de que os fundamentos da economia brasileira se deteriorarão em 2014, ano de eleições e compromissos com a realização da Copa do Mundo de Futebol. O discurso de austeridade da presidente Dilma Roussef foi bem recebido em Davos, na Suíça, mas o o governo precisa entregar resultados", diz o economista de um banco de São Paulo.

Para o economista do Bradesco, Octávio de Barros, as preocupações com o ritmo da atividade chinesa e o impacto da retirada de estímulos à economia dos EUA sobre as economias emergentes ampliaram a aversão ao risco presente na última semana.

"O cenário de aversão ao risco pressiona as moedas de países emergentes, que perdem valor frente ao dólar", diz relatório do Bradesco, divulgado nesta manhã.

No mercado de juros futuros, as taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) estão em alta acompanhando o dólar e após o Boletim Focus apontar expectativa de elevação de 0,50 ponto percentual na Selic (taxa básica de juros) na próxima reunião, em fevereiro. Com isso, para 2014, a projeção subiu de 10,75% ao ano para 11%. Para 2015, os analistas consultados pelo Focus mantiveram a aposta em taxa básica de 11,50%. O contrato para janeiro de 2015, tinha alta de 11,10% para 11,14%, enquanto os DIs para janeiro de 2017 avançavam de 12,57% para 12,65%.

No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo abriu em alta, manteve a tendência até o início da tarde, mas virou para o negativo acompanhando as principais Bolsas americanas. Às 15h30m, o Ibovespa recuava 0,41% aos 47.591 pontos e volume negociado de R$ 3,6 bilhões. Entre as ações mais negociadas, Vale PNA cai 0,69% a R$ 28,44; Petrobras PN tem alta de 0,72% a R$ 15,22; Itaú Unibanco PN sobe 1,77% a R$ 29,76 e Bradesco PN se valoriza 0,49% a R$ 26,48.

Para o economista Álvaro Bandeira, da Órama, a Bolsa só tem chance de recuperação se pegar carona nos mercados externos. O fluxo de recursos para a Bolsa brasileira é baixo, e as perspectivas são de alta de juros para combater a a alta da inflação, o que deve impactar no crescimento econômico. Segundo levantamento da UM Investimentos, os investidores institucionais já retiraram R$ 908 milhões em janeiro da Bovespa.

A maior alta é do Ibovespa apresentada pelo papéis ordinários da construtora Brooksfield, que se valorizam 8,08% a R$ 1,34. A empresa confirmou nesta manhã, em comunicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que estuda alternativas estratégicas para a Brookfield Incorporações. A avaliação que está sendo feita em conjunto com o controlador indireto integra a realização de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) para fechamento de capital e a capitalização da empresa por meio de uma emissão de novas ações. Rumores sobre o assunto fizeram as ações da empresa terem uma alta de 19% na quinta-feira passada.

Segundo o comunicado, uma decisão sobre as alternativas deve ser concluída em 120 dias. A empresa "dará divulgação imediata" da decisão, diz o comunicado.

As bolsas asiáticas fecharam com perdas nesta segunda-feira, pressionadas pelas fortes desvalorizações das moedas emergentes na semana passada. Na China, os mercados já realizaram lucro antes de uma semana de férias em razão do Ano Novo Lunar. Na Europa, os principais pregões também estão em baixa nesta segunda, a despeito da alta do sentimento econômico Ifo na Alemanha. Nos Estados Unidos, os principais índices acionários começaram o dia em alta, mas inverteram o sinal. O S&P500 cai 0,36%; o Dow Jones tem baixa de 0,05% e o Nasdaq recua 0,90%.

Nesta segunda, foi divulgado que as vendas de imóveis residenciais novos nos Estados Unidos caíram 7% em dezembro ante novembro, saindo de 445 mil unidades para 414 mil. A queda foi maior do que a prevista pelos analistas.

Mas o foco do mercado nesta semana está com a reunião do Federal Reserve, nos EUA, que pode decidir por mais um corte de US$ 10 bilhões aos estímulos à economia americana.

"Na quarta-feira o Fed deve anunciar nova redução do programa de compra de títulos federais, ainda que os últimos dados de atividade tenham surpreendido para baixo", prevê o economista Octávio de Barros, do Bradesco, em relatório divulgado nesta segunda.

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