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Igreja » Produção e comércio de artigos religiosos crescem A cadeia produtiva de objetos que servem aos fiéis segue em ritmo acelerado

Marta Vieira - Estado de Minas

Carolina Mansur

Publicação: 26/01/2014 13:56 Atualização: 26/01/2014 14:07

Não há nada de sazonal nesse mercado, avalia Nilse Helena, há 40 anos no ramo. Foto: Euler Júnior/EM/D.A Press
Não há nada de sazonal nesse mercado, avalia Nilse Helena, há 40 anos no ramo. Foto: Euler Júnior/EM/D.A Press
Em Minas Gerais, a fé move mais que montanhas. De velas cotadas a R$ 0,30, passando por pacotes de 1 mil hóstias vendidas a R$ 5,50, aos ostensórios (peça que sustenta a hóstia consagrada) avaliados em mais de R$ 1.100, a cadeia de produção que serve aos fiéis cresce, como bom termômetro da prosperidade que a crença cristã proporciona. Em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, as prensas da fábrica de hóstias Nossa Senhora de Fátima, há 17 anos no ramo, funcionam a plena carga, sem conseguir atender a demanda das dioceses e paróquias do Amazonas ao Rio Grande do Sul. A empresa despachou, no ano passado, 453 milhões das finas partículas feitas de massa de farinha e água, volume que pretende dobrar em 2014 para acompanhar o ritmo da devoção dos fiéis.

Gerente da fábrica, Ary Brum Júnior – filho do fundador, Ary, de 85 anos –, ex-seminarista e autor da ideia de produzir hóstias no município conhecido pela carne de porco e a goiabada de primeira, diz que o consumo é ascendente com base na demanda observada em paróquias atendidas há 15 anos. “O que há é a manutenção da fé, com a diferença de que hoje os fiéis estão mais conscientes e participativos. Aumenta, infelizmente, a mercantilização da fé”, afirma. O aumento das encomendadas é também atribuído ao espaço que a empresa tem ocupado no mercado brasileiro, deixado por fábricas que não resistiram ao alto nível de perdas do processo fabril das hóstias. A cada 100 quilos da massa, de 10 a no máximo 13 quilos se transformam em produto.

“O que há é a manutenção da fé, com a diferença de que hoje os fiéis estão mais conscientes e participativos” - Ary Brum Júnior, gerente da fábrica de hóstias Nossa Senhora de Fátima


O comércio de artigos religiosos também não tem do que reclamar. Há 40 anos no ramo, Nilse Helena Batella de Rezende, proprietária da Casa do Clero e da fábrica de velas Jurema, que ocupam 18 lojas no Mercado Novo, no Centro de BH, garante não haver nada de sazonal na atividade. “Vendemos bem durante todo o ano”, afirma. A prosperidade nos negócios é justificada pelo amplo calendário de festejos, marcado por romarias e comemorações de dias de santos, de janeiro a dezembro.

Entre os principais clientes, Nilse Rezende atende os romeiros –principais compradores de velas – além das igrejas católica e evangélica. “Temos de velas a vinho sem álcool para os evangélicos”, conta. Os preços dos produtos variam de R$ 0,30 a medalha a R$ 1.180 o ostensório. Mais de 200 quilos de parafina são manuseados por dia na fábrica “A vela é a luz para os católicos, que diariamente nos procuram”, comemora. O negócio administrado pela empresária e seus filhos emprega, ao todo, cinco funcionários. Agora, a empresa se prepara para a produção de velas destinadas aos festejos da semana santa.

Na ponta dessa cadeia estão os fiéis, que compram os produtos com a intenção de fortalecer a fé, mas também ajudar a igreja. A professora Norma Lúcia Afonso, que gasta cerca de 10% dos rendimentos com o dízimo, doações e a compra de artigos religiosos, garante que destinar parte do seu salário é importante para manter as atividades da igreja. “Com esses recursos os padres levam a evangelização para as áreas rurais, além de manter uma estrutura organizacional”, afirma. 

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