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Cenário econômico » Inflação de 30% e intervenções fazem investidores fugirem da Argentina A descrença com o Peso tem intensificado o já forte mercado paralelo na Argentina

Correio Braziliense

Publicação: 25/01/2014 08:20 Atualização:

Com inflação extraoficial variando de 20% a 30% ao ano e uma população com autoestima em nível tão baixo quanto o das reservas internacionais, a Argentina voltou a se destacar — negativamente — no cenário econômico. A incessante fuga de dólares do país, acompanhada de intervenções ainda pouco claras do governo portenho, tem provocado a desconfiança de investidores, com reflexo no ambiente de nações emergentes, como o Brasil.

O ano começou com “mais do mesmo” no reino da presidente Cristina Kirchner, ou seja, com muitas restrições à compra da moeda americana e à importação. Esta semana, uma turbulência cambial causou pânico os mercados: em uma ação estimulada pelo governo, o peso argentino teve queda de 15% frente ao dólar, no maior recuo desde a crise de 2001 no país, quando chegou ao fim a paridade fixa entre a moeda local e a divisa norte-americana. Ontem, o banco central do país vendeu US$ 160 milhões para manter o dólar em 8 pesos. No câmbio paralelo, a cotação passou dos 12 pesos.

Diante do temor dos argentinos de que surjam novas medidas para controlar operações cambiais, o governo surpreendeu ao anunciar, ontem, que a partir de segunda-feira a população poderá comprar dólares para “posse e economia”, acabando com uma proibição vigente há mais de dois anos. Com medo de crises econômicas, os portenhos se acostumaram a poupar em moeda estrangeira.

A descrença com o peso tem intensificado o já forte mercado paralelo na Argentina. Alguns analistas acreditam, inclusive, que o governo permitiu o recente tombo da moeda local para diminuir a diferença entre as taxas de câmbio oficiais e as cobradas no mercado negro. O banco central de Cristina Kirchner só retomou as intervenções no mercado esta semana, mas a sangria das reservas cambiais do país já é fato consumado. O saldo é de cerca de US$ 29 bilhões, o nível mais baixo em sete anos.

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