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Bovespa » Após quatro dias de queda, Bolsa sobe com alívio monetário na China Ibovespa avançava 1,74%, aos 49.390 pontos, com destaque para as ações da Vale e da Petrobras

Agência O Globo

Publicação: 22/01/2014 16:24 Atualização:

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sobe nesta quarta-feira, após quatro pregões seguidos de perdas, com investidores mais aliviados sobre o aperto de crédito na China. Por volta das 16h10m, o Ibovespa, índice de referência do mercado, avançava 1,74%, aos 49.390 pontos, com destaque para as ações da Vale e da Petrobras. Já dólar comercial tinha alta de 0,42%, cotado a R$ 2,369 na compra e R$ 2,371 na venda.

Na madrugada desta quarta-feira, o Banco Popular da China (banco central) injetou 255 bilhões de iuans (US$ 42 bilhões) no mercado interbancário para evitar os riscos de uma falta de liquidez antes do feriado do Ano Novo chinês, que começa no fim da próxima semana. Foi a primeira operação desde 24 de dezembro e a maior em volume em 11 meses.

"Isso minimizou o risco de escassez de crédito para consumo ou para empresas na China e deu uma melhorada geral no sentimento de negócios. Essa escassez poderia significar aumento de taxas de crédito. O BC chinês mostrou compromisso em manter o crescimento do país", disse Fabio Gonçalves, analista da Banrisul Corretora.

Depois da operação, o BC chinês publicou em sua conta Weibo - o equivalente ao twitter do país - que já forneceu financiamento de curto prazo para as instituições financeiras de pequeno e médio porte. Simultaneamente, em discurso escrito para o Fórum Econômico Mundial, em Davos, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang disse que manterá a política para garantir crescimento econômico estável neste ano.

O melhor clima contribui para a valorização das commodities pelo mundo e puxaram os principais papéis do Ibovespa: as ações preferenciais (PN, sem voto) da Petrobras avançam 2,28%, a R$ 15,69; as ações ordinárias (ON, com voto) da petroleira sobem mais, 2,43%, cotadas a R$ 14,70; os papéis preferenciais de classe A (PNA, sem voto) da Vale ganham 1,75%, a R$ 28,98; e os ordinários da mineradora avançam 2,44%, a R$ 31,84.

Em relatório aos clientes, os analistas da Citi Corretora Pedro Medeiros e Fernando Valle avaliaram que a Petrobras pode conseguir um reajuste de 4% nos preços dos combustíveis nos próximos três meses. Ele acrescentam, no entanto, que os dividendos - parcela do lucro pago pelas empresas para seus acionistas - podem decepcionar o mercado.

Mas a maior valorização do dia fica para a ação preferencial da Gol, em alta de 6,88%, a R$ 11,33. A companhia divulgou na noite de ontem a prévia de seus resultados operacionais, e agradou. A receita líquida por passageiro transportado por quilômetro (chamada Prask, em inglês) aumentou 24% na comparação entre o quatro trimestre de 2012 e 2013, por exemplo.

Segundo Mário Bernardes Junior, analista da BB Investimentos, os números prévios do tráfego aéreo de dezembro e do quatro trimestre da Gol foram “muito bons” e recomendou a compra das ações da companhia área, com preço-alvo de R$ 12,50. Ele diz que as estratégias da companhia de controle de custos, crescimento nos segmentos mercado internacional e business estão dando certo.

"O crescimento do Prask não deve ser tão forte no primeiro trimestre deste ano, já que dezembro é um mês de forte demanda, mas mesmo assim vai crescer em dois dígitos, algo como 15%. É um desempenho bom e mostra que a estratégia da companhia está funcionando", disse o analista.

Entre as perdas do pregão, as ações de siderúrgicas voltam a ser destaque. Os papéis ordinários da CSN recuam 1,65%, a R$ 12,45. Os preferenciais da Usiminas perdem 0,39%, a R$ 12,70. O mercado especula que a CSN pode começar a vender suas participação na Usiminas (que chega a 15,9% do capital social da empresa). O objetivo da CSN seria, segundo esses rumores, cobrir um possível desfecho do acordo com os sócios asiáticos na Namisa, mineradora de ferro na qual a CSN detém fatia de 60%.

No mercado internacional, o índice Dow Jones, principal da Bolsa de Nova York, recua 0,37%. O S&P 500, das 500 maiores empresas americanas, opera em baixa de 0,11%. Já o Nasdaq, considerado uma referência para o setor de alta tecnologia, avança 0,25%.

O dia foi levemente negativo para as ações europeias, com especulações sobre aumento de juros pelo Banco Central da Inglaterra, o BoE. O FTSE 100, da Bolsa de Londres, fechou em queda de 0,06%. O CAC 40, da Bolsa de Paris, subiu 0,08%. O índice DAX, de Frankfurt, recuou 0,09%. E o Ibex 35, principal índice da Bolsa de Madri, perde 0,75%.

Já o banco central do Japão deixou inalterada a política monetária nesta quarta-feira e manteve suas estimativas otimistas sobre a inflação ao consumidor, encorajado por sinais de que a recuperação econômica pode levar as empresas a gastar mais com salários e investimentos. O índice japonês Nikkei fechou em alta de 0,16%.

No mercado de câmbio, o dólar comercial sobe pelo segundo dia seguido apesar das intervenções do Banco Central (BC). A autoridade monetária vendeu 4 mil contratos de swap cambial tradicional - operação equivalente a uma venda de moeda no mercado futuro - ofertados das 9h30m às 9h40m, operação que somou US$ 198 milhões. O BC vai ofertar ainda a rolagem de 25 mil contratos de swap que vencem em fevereiro.

A moeda americana oscilou entre a mínima de R$ 2,356 (queda de 0,21%) e a máxima de R$ 2,371 (alta de 0,42%) nesta quarta-feira. No mercado turismo do Rio de Janeiro, o dólar em papel moeda era encontrado a R$ 2,47, uma valorização de 0,40%. No mercado internacional, o dólar perde terreno frente à maioria das moedas, como o dólar australiano (0,70%), a libra esterlina (0,59%) e o euro (0,10%), segundo a Bloomberg News.

Segundo Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, o mercado segue apostando na valorização da moeda americana contra o real. Ele lembra que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) se reúne na próxima semana para decidir o próximo passo do programa de estímulos monetários no país, atualmente em US$ 75 bilhões por mês.

"O mercado está arisco e precificando um dólar mais forte para se precaver de qualquer surpresa, como um corte maior no programa de recompra americano. E, internamente, nossos problemas continuam os mesmos: questão fiscal, risco de rebaixamento rating, inflação alta, crescimento baixo, balança comercial negativa. Tudo isso continua tendo um peso sobre a formação da cotação do câmbio", explica Galhardo.

Os investidores aguardam agora a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que elevou em 0,5 ponto percentual os juros básicos da economia, a Selic, para 10,50% ao ano. Os economistas apareciam divididos entre um aumento de 0,25 ponto ou 0,50 ponto na reunião realizada na semana passada.

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