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Porto Digital » Custos e falta de mão de obra fazem empresas buscarem serviços no exterior

Publicação: 22/01/2014 07:51 Atualização:

Um faturamento anual de mais de R$ 1 bilhão e uma área de 149 hectares onde estão instaladas 240 empresas, que geram 7.100 empregos diretos. Os números do Porto Digital, o complexo tecnológico do estado, são grandiosos. Mas já não conseguem esconder um problema que preocupa o empresariado do setor de TI: mão de obra. Salários pouco atraentes, custos com tributação e falta de profissionais qualificados estão levando muitas empresas a terceirizar serviços no exterior. Uma situação que também ocorre em outras cidades do Brasil e do mundo e acende o alerta para o risco de uma crise no futuro.

A Manifesto Games, sediada no Recife Antigo, chegou a recorrer ao Leste Europeu e à Ásia em quatro projetos no ano passado. Embora a equipe conte com 30 pessoas, o sócio Tulio Caraciolo admite que dificuldades com recursos humanos motivaram a terceirização. %u201CManter um bom funcionário com carteira assinada e seguindo a CLT tem um custo altíssimo. Até encontramos gente qualificada, mas não dá para competir com os valores lá fora%u201D, comenta.

Ele conta que ao fechar um projeto, os sócios fazem uma análise dos custos e riscos para desenvolvê-lo aqui e em outros países. A manobra rende uma economia de até 40%. %u201CChegamos a trabalhar com a Índia. Usamos uma base de códigos remota e vamos nos comunicando e acompanhando por software. Geralmente fazemos o game design e transferimos programação e arte para um time do exterior%u201D, explica. Um dos pontos negativos é o fuso horário. No caso da Índia, são 8h30 à frente do Brasil, o que dificulta reuniões.

Mesmo com críticas a esse tipo de expediente, o sócio fundador da Jynx Playware, Fred Vasconcelos, já precisou delegar tarefas a uma companhia estrangeira. %u201CNão é o que a gente espera quando se fala em construir uma indústria forte. Entretanto, a prática tem se tornado comum entre empresas de jogos eletrônicos e TI%u201D, afirma Fred, que também é vice-presidente da Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames).

No ano passado, a Jynx precisava de profissionais que dominassem uma tecnologia muito específica e não encontrava mão de obra qualificada, apesar de possuir uma equipe de programação com nível avançado. %u201CA saída foi contratar uma empresa dos Estados Unidos. O lado bom é que esse intercâmbio funcionou como via de mão dupla. Posteriormente fizemos trabalhos para esse time norte-americano%u201D, recorda.

Ainda assim, a incompatibilidade dos fusos, o risco de reuso do código e o medo de comprometer a qualidade do projeto assombram os executivos do ecossistema de tecnologia. %u201CO que acende uma luz vermelha é as empresas acharem que isso é a tábua da salvação e não avaliarem as implicações negativas%u201D, conclui.
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