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Na contramão » FMI prevê expansão menor para o Brasil em 2014 e 2015

Agência O Globo

Publicação: 21/01/2014 15:09 Atualização:

Na contramão do ritmo global, o Brasil terá no biênio 2014-2015 um crescimento aquém do que o projetado anteriormente, prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI) na primeira atualização do ano do relatório “Perspectivas para a Economia Mundial” (WEO, na sigla em inglês), divulgado na manhã desta terça-feira na capital americana. O time de economistas do organismo multilateral ampliou ligeiramente a estimativa para o crescimento global este ano, de 3,6% para 3,7%, e manteve inalterada a previsão para 2015, a 3,9%.
A atividade brasileira, porém, foi cortada de 2,5% para 2,3% em 2014 e de 3,2% para 2,8% no próximo ano. Confirmados os resultados, o Brasil fechará em 2015 meia década com expansão abaixo de 3%, inferior portanto ao seu Produto Interno Bruto (PIB) potencial "quanto o país pode crescer sem gerar pressões inflacionárias e gargalos", geralmente calculado a 3,5%.

Pela análise do relatório, enquanto várias nações ganharam tração no segundo semestre de 2014 (como os Estados Unidos, os membros da zona do euro, China e Índia), o Brasil patinou em meio a problemas estruturais. Avaliando os emergentes de forma geral, o FMI manteve praticamente inalterada a projeção de crescimento do grupo: 5,1% em 2014 e 5,4% em 2015 (alta de 0,1 ponto percentual). China e Índia se destacam.

A economia chinesa se beneficiou de uma aceleração temporária nos investimentos, em meio ao plano de aumento do custo do capital e desaceleração do crédito, para favorecer a transição a um consumo mais intenso das famílias, diz o FMI. Espera-se que o gigante asiático, segunda maior economia do mundo, apresente expansão de 7,5% este ano (+0,3 ponto) e de 7,3% no próximo (+0,2 ponto). Essa é uma boa notícia, devido à perspectiva de demanda mais forte da China por produtos importados de terceiros países.

A atividade indiana, por sua vez, vai colher os benefícios de uma boa temporada agrícola, de um repique das exportações e de recentes medidas de incentivo ao investimento. O FMI projeta alta de 5,4% do PIB este ano (+0,2 ponto) e de 6,4% em 2015 (+0,1 ponto).

Ao contrário, o Brasil foi relacionado pelo Fundo entre os emergentes com dever de casa a fazer para destravar o freio de mão que vem operando sobre a economia. Ao seu lado está a Rússia, parceiro de Brics (grupo dos mais poderosos emergentes, que inclui ainda China, Índia e África do Sul). A economia russa teve as piores revisões do relatório de janeiro, com a expectativa de expansão ceifada em 1 ponto percentual tanto em 2014 quanto em 2015, para 2% e 2,5%, respectivamente.

“Muitos outros mercados emergentes e economias em desenvolvimento começaram a se beneficiar da demanda externa mais forte em economias avançadas e na China. Em muitos, no entanto, a demanda doméstica permaneceu mais fraca do que o esperado. Isso reflete, em vários graus, condições financeiras mais apertadas e posições de (fomulação de) políticas desde meados de 2013, assim como incertezas políticas e de formulação e gargalos, com os últimos afetando particularmente os investimentos. Como resultado, o crescimento em 2013 ou 2014 foi revisado para baixo comparado com o WEO de outubro, incluindo Brasil e Rússia”.

Em suas últimas apresentações, o FMI tem alertado para a necessidade de o Brasil implementar reformas estruturais que favoreçam os investimentos privados, bem como de adotar políticas mais claras nos campos regulatório e fiscal. O Fundo também vem emitindo sinais amarelos em relação à persistência da inflação em patamares elevados e ao intervencionismo estatal excessivo na economia, que abala a confiança de investidores e cria distorções, como a contabilidade criativa nas finanças públicas e a expansão do crédito pelos bancos federais.

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