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Carro zero » Facilidades na venda podem virar problemas após a compra

Sávio Gabriel - Especial para o Diario

Publicação: 20/01/2014 08:36 Atualização:

A aquisição de um automóvel é, na maioria das vezes, sinônimo de felicidade para os consumidores. As facilidades oferecidas pelas concessionárias, a exemplo da isenção de taxas, funcionam como atrativos para os clientes, que saem da loja com a certeza de que adquiriram um produto de qualidade. Principalmente se o carro for zero quilômetro. Essa sensação pode acabar em pouco tempo. Há quem que se queixe de problemas nos veículos poucos meses após retirá-lo da concessionária.

Pior do que constatar um defeito em um veículo novo, é quando revendedora ou o fabricante se recusam a consertá-lo. Foi o que aconteceu com o empresário Fernando Sandes, que comprou um carro de luxo em 2010. Após onze meses, o eixo dianteiro do veículo quebrou, causando um acidente. “Perdi o o controle do carro, e acabei atingindo outros automóveis que estavam estacionados. Por sorte eu estava em baixa velocidade”, lembra Sandes. Depois do ocorrido, o empresário foi até a concessionária, que se recusou a receber o carro.

“Disseram que o problema havia sido causado por manuseio incorreto. Mas era impossível. O carro tinha apenas 30 mil quilômetros rodados, e todas as revisões programadas tinham sido realizadas. Eles me viraram as costas”, reclama. O empresário contratou peritos para comprovar que não tinha culpa pelo acidente. “Guardei laudos, fotos, e-mails e tudo o que pude”, explica. Chegou a desembolsar R$ 4 mil para que um engenheiro analisasse o carro.

O atestado foi de que a peça estava com defeito de fábrica. O empresário entrou na Justiça e, após dois anos, teve seu direito respeitado: a montadora foi obrigada a devolver, com as correções monetárias, o valor equivalente ao pago pelo veículo e todas as despesas que o consumidor teve (peritos e advogados).

Provas

Para o advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Christian Printes, a decisão do empresário foi correta. “Nesses casos, o ideal é procurar a revendedora. Caso o pedido seja negado, o consumidor deve acionar os órgãos de defesa do consumidor ou a Justiça”, afirma. Ele diz que quanto mais provas forem reunidas, melhor.

Para evitar dores de cabeça, o especialista aconselha os consumidores a observarem o veículo antes de retirá-lo da concessionária. “É bom fazer uma vistoria prévia, procurando por arranhões, partes amassadas ou acabamento inadequado. Caso o consumidor encontre qualquer avaria, ele não deve retirar o veículo da loja. É preciso exigir o conserto”, orienta.

Garantia exige atenção

Quem compra um automóvel novo precisa deixar a euforia de lado e ficar atento a alguns aspectos para evitar dores de cabeça no futuro. O principal cuidado, de acordo com o advogado da Proteste Associação de Consumidores David Passada, diz respeito aos termos de garantia do veículo.

“Em geral, os documentos discriminam o tempo de garantia de acordo com cada peça. Algumas estão asseguradas por mais tempo, e outras têm a cobertura por um período menor. É muito importante checar tudo isso”, aconselha. Todas as montadoras que atuam no Brasil exigem, ainda, que as revisões programadas sejam feitas em oficinas autorizadas. “Quem opta por outros estabelecimentos para fazer o serviço corre o risco de perder a garantia”, alerta o advogado.

Ainda de acordo com o especialista, além da negativa do conserto ser abusiva, os argumentos utilizados por algumas revendedoras são infudados. “Muitas concessionárias dizem que o defeito é decorrente de um desgaste natural da peça, ou que foi problema no manuseio, mas não conseguem provar isso. O consumidor não pode acatar esse tipo de resposta”, explica, citando que cada componente de um veículo tem um período de vida útil. “Se o dano ocorreu dentro desse prazo, então fica claro que a peça está defeituosa”, completa.

Para o coordenador geral do Procon-PE, José Rangel, antes de ir à concessionária é preciso verificar se há reclamações de outros clientes com relação ao modelo pretendido ou à revendedora. “As pessoas podem fazer isso consultando os órgãos de defesa do consumidor ou a própria internet, por meio dos sites especializados”, explica. No caso de modelos recém-chegados ao mercado brasileiro, Rangel aconselha os consumidores a checarem itens importantes, como a disponibilidade de peças e custos de manutenção.

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