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Transportes » Aumento da malha aérea durante a Copa do Mundo preocupa analistas Eles temem o congestionamento de aeronaves e falha na vigilância ao trânsito de pessoas

Rosana Hessel -

Publicação: 18/01/2014 09:11 Atualização:

Torre de controle: trabalhadores reclamam que não foram consultados sobre aumento do número de voos. Foto: Breno Fortes/CB/D.A. Press
Torre de controle: trabalhadores reclamam que não foram consultados sobre aumento do número de voos. Foto: Breno Fortes/CB/D.A. Press
Não é só a falta de infraestrutura que preocupa os especialistas e profissionais da área de aviação durante a Copa do Mundo de Futebol, que acontece entre junho e julho no país. Além da sabida falta de capacidade dos aeroportos para suportar a forte demanda, os analistas temem pela segurança das operações, sobretudo depois de o governo ter autorizado, na última quinta-feira, o incremento de 1.973 voos na malha aérea nacional ao longo do evento, o que corresponde a 1% do fluxo atual.

O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Voo (SNTPV), Jorge Botellho, reconheceu que os operadores estão inquietos com o aumento do número de decolagens — expansão essa, inclusive, que foi menor que o esperado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Dependendo do horário, se tiver uma maior concentração de voos, haverá congestionamento tanto em ar quanto em solo. Com atrasos em um aeroporto, isso refletirá em cadeia nos demais, porque a malha é integrada”, alertou.

Botellho lamentou o fato de os controladores de voo nunca serem consultados pelo governo quando há aumento da malha, algo que evitaria transtornos aos passageiros. “Vamos ficar na torcida para que não aconteça nenhum problema mais grave. Não sabemos como é que esses voos serão distribuídos nem como ficará a conclusão das obras nos aeroportos das cidades sede. Se tiverem atrasos nas pista, na implantação da sinalização e na construção de pátios e de boxes para os fingers, será muito grave, porque afetará todo o trafego aéreo”, completou.

Para piorar, a situação em terra também parece ser bastante complicada. Nem mesmo os servidores da Polícia Federal se sentem seguros nos aeroportos brasileiros. Os funcionários se queixam das condições de trabalho, principalmente por causa das obras. Na avaliação do presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Flávio Werneck Meneguelli, “os aeroportos não estão preparados” para oferecer segurança apropriada aos turistas durante o evento esportivo.

“Não temos número suficiente de policiais para atuar. E a realocação dele depende de treinamento especializado, que demanda tempo, o que não tem sido feito pelo Departamento de Polícia Federal”, disse Meneguelli. E os problemas não param por aí, ressalta ele: “Aliado a isso, temos a terceirização dos serviços nos terminais, o que põe em risco a segurança e fragiliza o controle do tráfego de brasileiros e de estrangeiros”, completou. De acordo com a Polícia Federal, falhas nessa fiscalização facilitam que pessoas com documentos falsos entrem ou saiam do país.

Vaivém
“Basta entrar em qualquer aeroporto na Europa para perceber que há muitos mais policiais que aqui. Entendo que haja sigilo nas informações, mas espero que alguma coisa nesse sentido esteja sendo feita”, disse Olavo Henrique Furtado, professor da Trevisan Escola de Negócios.

“Torço para que a segurança seja melhor e vá além de uma câmera de circuito interno. Espero que o efeito do padrão Fifa (a Federação Internacional de Futebol) seja positivo para o país e que ajude a população a entender que há necessidade de mudanças em outras áreas além dos estádios, como infraestrutura, e que, para isso, é necessário planejamento e não apenas improviso”, completou Furtado.

O professor de microeconomia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo Cleeveland Prates acredita, no entanto, que as dificuldades que os consumidores enfrentarão nos terminais durante o torneio não serão diferentes dos atuais, pois, argumenta ele, a infraestrutura teve pouca melhora. “Eu não diria que a copa será uma vergonha, porque vergonha a gente passa todos os dias quando recebe um amigo estrangeiro e vai buscá-lo no aeroporto. Os problemas que existem são resultado da falta de competência do governo em gestão e planejamento”, afirmou.

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) garantiu que “os aeroportos administrados pela empresa estarão prontos para atender a demanda de 2014, incluindo o movimento gerado pelos jogos da copa”. Em relação à nova malha autorizada pela Anac, a estatal destacou que “todos os pedidos levaram em conta as capacidades de terminal, pátio e pista disponibilizados atualmente. Além disso, as etapas de obras com entrega prevista antes da competição vão assegurar mais conforto aos aeroportos das cidades sede.”

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