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Aviação » Copa terá apenas 1% a mais de voos

Correio Braziliense

Publicação: 17/01/2014 08:55 Atualização:

As companhias pediram a criação de 1.973 voos para atender o aumento do número de passageiros durante a Copa do Mundo, o equivalente a apenas 1% do total operado atualmente no país. A ampliação, segundo especialistas, deverá ser insuficiente para dar conta de toda a demanda durante o torneio, quando se estima que pelo menos 600 mil turistas estrangeiros e 3 milhões de brasileiros deverão se deslocar para acompanhar os jogos.

O número de pedidos ficou abaixo da expectativa da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que atendeu todas as solicitações. Para o professor Paulo Fleury, diretor-geral do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a ampliação ficou aquém do necessário. “Quando a demanda chega perto de 100% da capacidade, ela explode, gera filas e atrasos em cadeia. É muito arriscado ter uma capacidade muito baixa. Para evitar um vexame durante a Copa, o número de voos deveria crescer 20%”, explicou. “É muito pouco. Parece brincadeira”, criticou.

A maioria dos pedidos das empresas se concentrou em mudanças na atual malha aérea. Cerca de 42% dela — ou 78 mil voos — passarão por modificações entre 6 de junho e 20 de julho, quando o Mundial será disputado. De acordo com o diretor-presidente da Anac, Marcelo Guaranys, os trechos inteiramente novos poderão ser mantidos após o torneio. “A gente esperava que tivesse um pedido maior de novas frequências, mas a alteração de 42% da malha tem bastante representatividade”, disse ele. A rota entre os aeroportos de Brasília e de Guarulhos, em São Paulo, foi uma das que teve maior demanda, com 288 novas decolagens aprovadas.

Além do número insuficiente de voos, um problema será a baixa capacidade dos aeroportos para receber o maior fluxo de pessoas. Mais da metade dos terminais das 12 cidades sedes ainda estão com menos de 50% das obras de ampliação concluídas, faltando menos de cinco meses para a abertura do evento. Desse modo, os transtornos que os passageiros enfrentam hoje poderão ser ainda maiores durante o evento.

Fleury destacou ainda que os atrasos já estavam previstos. “Não poderemos contar com esses terminais. E, para piorar, o principal problema durante a Copa será a mobilidade urbana. Os taxistas, por exemplo, não são profissionais. Se, hoje, já nos roubam na bandeirada, imagine o que acontecerá com os turistas.”

Garanys reconheceu que a modificação da malha aérea, com o cancelamento de vários trechos e a modificação de horário em outros, poderá trazer problemas aos usuários. Diante disso, orientou os passageiros que já tiverem comprado bilhetes a “procurarem seus direitos, exigindo uma realocação em um outro voo da companhia, no prazo que for mais conveniente, ou o reembolso integral do valor pago”. “Estaremos atentos para que as empresas respeitem o direito do consumidor”, avisou o presidente. Ele frisou, no entanto, que somente 4% das passagens ofertadas para o período da Copa foram vendidas.

Abusos

A expectativa da Anac é que, com o aumento da oferta, os preços das tarifas caiam, mas Guaranys não quantificou qual seria o teto para considerar um preço “abusivo”. Ele prometeu ainda rigidez na fiscalização e disse que o número de funcionários será ampliado durante ao Mundial. Atualmente, o quadro é de 1,5 mil trabalhadores e ninguém poderá tirar férias entre junho e julho. “O efetivo nos 25 aeroportos que serão monitorados passará de 315 para 1.000 pessoas no período do torneio”, disse ele.

A nova malha aérea para a Copa será concluída em 31 de janeiro. Até lá, as companhias deverão fazer os ajustes necessários nos pedidos já encaminhados à Anac. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) confirmou que, após esse processo, as companhias deverão adicionar os novos trechos em seus sistemas de vendas. “Elas não precisarão fazer todas as mudanças de uma só vez, e poderão contemplar novos voos e horários nas próximas semanas”, informou a entidade.

Nem a Anac nem a Abear souberam precisar se haverá aviões e pessoal suficientes para atender a ampliação da demanda durante a Copa. Questionado pelo Correio se a agência está satisfeita com a qualidade do serviço das companhias aéreas, Guaranys e evitou comentar o assunto.

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