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Câmbio » Dólar sobe 0,42% e encerra pregão negociado a R$ 2,36

Agência O Globo

Publicação: 16/01/2014 17:30 Atualização:

Em linha com o movimento do dólar no exterior, a moeda americana fechou em alta frente ao real nesta quinta-feira, um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar pela sétima vez consecutiva a taxa básica de juro (Selic), de 10% para 10,5% ao ano. A divisa se valorizou 0,42% e encerrou negociada a R$ 2,364 na compra e R$ 2,366 na venda. Na máxima do dia, a divisa foi negociada a R$ 2,377 (alta de 0,89%) a na mínima foi cotada a R$ 2,348 (queda de 0,33%).

"A queda da moeda americana nestes últimos dias foi pontual, com os investidores de olho na entrada de recursos captados por empresas no exterior. Mas a tendência do dólar para médio e longo prazo ainda é de alta. Além da expectativa de redução dos estímulos à economia nos EUA, fortaleceu a moeda o relatório do Banco Mundial elevando a projeção de crescimento para os países ricos, penalizando a China e países emergentes nos próximos dois anos", diz em relatório Jefferson Luiz Rugik, da corretora de câmbio Correparti.

Na projeção da corretora de câmbio NGO, o dólar comercial pode chegar a R$ 2,50 ao final do primeiro trimestre. Para a corretora, no final da segunda quinzena de fevereiro já se intensificarão as pressões altistas sobre a formação do preço da divisa americana, segundo a NGO.

Nesta quinta-feira, o Banco Central começou a rolar os contratos de swap cambial que vencem em 3 de fevereiro e totalizam US$ 11,028 bilhões. A rolagem tirou um fator de incerteza do mercado, mas mesmo assim os investidores estrangeiros continuam buscando proteção no mercado futuro, com a expectativa de que o real se desvalorize mais. A operação foi realizada entre 11h30 e 11h40, e o BC renovou 25 mil papéis (US$ 1,233 bilhão), distribuídos em vencimentos entre agosto e novembro. Também hoje, o BC seguiu com a ração diária de 4 mil novos contratos de swap cambial, e vendeu o equivalente a US$ 198,3 milhões.

Nesta quinta, o mercado analisou novos números da economia americana, que reforçaram a percepção de que a recuperação continua e o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, continuará reduzindo os estímulos. Com isso, se mantém a tendência global de valorização do dólar.

Nos EUA, os preços ao consumidor subiram 0,3% em dezembro frente a novembro. E o número de pedidos de seguro-desemprego recuou em 2 mil para 326 mil. Analistas esperavam que o número ficasse em 333 mil. Em discurso, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, disse que as baixas taxas de juros não EUA não serão permanentes.

As Bolsas americanas estão em queda, devolvendo os ganhos dos últimos dias e também digerindo resultados financeiros de empresas, alguns abaixo do esperado. O S&P500 recua 0,21%; o Dow Jones cai 0,43% e o Nasdaq tem perda de 0,03%.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou em queda nesta quinta-feira, puxado pela queda das ações da Petrobras e seguindo os pregões americanos que devolvem ganhos recentes. O índice chegou a ficar no campo positivo pela manhã, puxado por Vale, passou para o campo negativo após a abertura negativa das Bolsas americanas. No fim do pregão, o Ibovespa caiu 0,82% aos 49.696 pontos e volume negociado de R$ 5,6 bilhões, perdendo a linha dos 50 mil pontos.

"A queda das Bolsas americanas e o recuo das ações da Petrobras pesaram sobre o Ibovespa", avalia Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

Depois de subir mais de 2% ontem, as ações preferencias da Petrobras estão em queda de 2,24%, negociadas a R$ 15,68, enquanto as ações ordinárias, que tiveram ganho de 3% ontem, recuam 2,45% a R$ 14,75. Ontem, o mercado reagiu à notícia publicada pelo jornal “Folha de S. Paulo” de que um novo reajuste de combustíveis estaria programado para junho, com chance de ser antecipado para março. Em nota, a Petrobras desmentiu a informação e o Ministério das Minas e Energia pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que investigue o caso. Os papéis ordinários da petrolífera que subiram 3%, hoje recuam 1,58% a R$ 14,88.

Nesta quinta, a Petrobras respondeu ofício da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reafirmando que não existe decisão sobre o aumento de preços dos combustíveis. A companhia informou que, caso haja alguma informação relevante sobre o tema, “comunicará tempestivamente ao mercado”, em cumprimento à legislação vigente.

Pela manhã, as ações da Vale seguraram a alta do Ibovespa, acompanhando a alta dos papéis de mineração no exterior. A Rio Tinto, por exemplo, divulgou crescimento na produção de minério de ferro subiu 6% no quarto trimestre de 2013. Às 14h44m, os papéis da Vale subiam 0,33% a R$ 30,33. O relatório do Banco Mundial com previsão mais otimista para o crescimento mundial, vinha puxando as commodities metálicas. Também um relatório do Citi Research mostrou otimismo com o setor de mineração pela primeira vez em três anos.

Entre as demais ações mais negociadas do índice, Itaú Unibanco PN cai 2,46% a R$ 30,50 e Bradesco PN perde 1,54% a R$ 27,40.

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) estão em alta, refletindo a elevação da Selic e a expectativa de novas altas. Também influencia o movimento dos juros futuros hoje, o resultado das vendas no varejo no Brasil, que subiram 0,7% em novembro, frente a uma expectativa de 0,4% do mercado. A taxa do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2015 subia de 10,72% para 10,92%, enquanto a taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2017 subia a 12,40%.

Em sua primeira reunião do ano, o Copom deu continuidade ao ciclo de aperto monetário iniciado em abril, quando os juros estavam no valor mínimo histórico de 7,5% ao ano. A decisão foi unânime e a taxa segue sem viés, de acordo com comunicado do BC. Segundo analistas, uma alta de apenas 0,25 na Selic não seria bem digerida pelo mercado, já que a inflação continua pressionada. Com uma alta de juro mais forte, o governo mostrou compromisso no combate à alta dos preços, segundo o mercado.

O cenário de inflação mais desafiador que o esperado pode levar o BC a elevar em mais 0,25 pp a Selic na reunião de 25 de fevereiro, segundo estimativas do banco Goldman Sachs. Se a inflação ainda não apresentar recuo, o relatório do banco ainda destaca a possibilidade do BC dar continuidade ao ciclo de altas, com aumento de mais 0,25 ponto percentual na reunião do Copom de abril.

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