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Lucros e serpentinas » Comércio do Centro no compasso do frevo A sete semanas para a chegada do carnaval, o varejo recifense está em polvorosa. E não importa se o mês de janeiro é reservado para honrar as compras de Natal e pagar os impostos: os lojistas já colocaram o bloco na rua

Augusto Freitas

Publicação: 12/01/2014 10:00 Atualização: 10/01/2014 22:02

Os artigos de época já invadiram as lojas: uma dúzia de colares havaianos custa R$ 15; as sombrinhas de frevo variam de R$ 25 a R$ 28. É possível comprar fantasias a partir de R$ 30. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
Os artigos de época já invadiram as lojas: uma dúzia de colares havaianos custa R$ 15; as sombrinhas de frevo variam de R$ 25 a R$ 28. É possível comprar fantasias a partir de R$ 30. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press

Dois mil e treze não havia acabado e a Mama Festas, uma das lojas mais tradicionais e procuradas do Centro do Recife, na Rua das Calçadas, já havia mudado a decoração e vitrines. Árvores, papais-noéis, bolas, pisca-piscas e renas saíram de cena. No primeiro dia útil após o feriado de Natal, o estabelecimento abriu as portas com caboclos de lança, máscaras, fantasias e inúmeros adereços. E, claro, muito verde e amarelo.  
 
As cores e a pressa em mudar o ambiente de loja têm razões: neste ano, o carnaval ocorre em março e, como todo ano de Copa do Mundo, as cores brasileiras predominam e são uma ótima chance para turbinar as vendas do comércio. Não existe mais essa de investir na folia momesca apenas nas semanas que se aproximam da festa. E os consumidores aprenderam a gastar antes para ter mais tempo e caprichar na produção.

“No começo do ano sempre tem os impostos, a compra de material escolar. Até março, dá um fôlego para ter mais dinheiro. Além disso, os turistas ficam mais tempo no estado justamente por causa do carnaval. Ficando mais tempo, gastam mais”, frisa Eduardo Catão, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL-Recife).
 
O estilista Leandro Martins, 33, saiu de Bezerros, cidade do Agreste com tradição no carnaval (reino dos Papangus), e iniciou as compras da folia. Todos os anos, ele visita o bairro de São José de olho nas novidades para produzir inúmeras fantasias, dele e tantas outras por encomenda.  Na lista de itens, pedrarias, galões, fitas, lantejoulas, plumas e outros acessórios.

O estilista Leandro Martins, 33, saiu de Bezerros, cidade com tradição no carnaval, para garimpar os materiais que usa na confecção de fantasias. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
O estilista Leandro Martins, 33, saiu de Bezerros, cidade com tradição no carnaval, para garimpar os materiais que usa na confecção de fantasias. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
Leandro desenha, confecciona e desfila com os modelos produzidos. Para isso, gasta de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil em mercadorias. O ideal é se antecipar. “Conheço os lugares com os produtos de melhor qualidade e preço e gosto de comprar com antecedência. Até o carnaval sempre falta algo e volto ao centro para gastar mais”, diz. Neste ano, são cinco fantasias dele e entre 30 e 35 encomendas, vendidas, em média, por até R$ 400.

Faltando menos de dois meses para sentir a embriaguez do frevo e cair no passo, o comércio recifense começa a dar sinais de aquecimento. Obviamente, algumas lojas ainda não estão aprovando o movimento, mas boa parte já está vendendo bem. Como é ano de Copa, tem muito produto nas cores verde e amarelo, além, claro, das cores da bandeira de Pernambuco.

 Os preços também estão variados. Se você tiver a mesma disposição quando pula nas ladeiras de Olinda ou no Galo da Madrugada para pesquisar, vai achar itens bacanas e baratos. Tem caboclo de lança e um galo, feitos de isopor (verde e amarelo), por R$ 13. Colar havaiano tem de sobra: em média, uma dúzia custa R$ 15. Já as sombrinhas de frevo variam de R$ 25 a R$ 28 (decorada, com gliter ou metalizada).

Táticas, bailes e fantasias
Um dos motivos para as lojas do comércio se anteciparem ao carnaval é que antes dos quatro dias de farra acontecem as prévias. De tantas, os bailes de gala e fantasia atraem gente que quer ser notada. Nos estabelecimentos, a tática é fisgar o consumidor através de ambientações e vitrines cheias de cores. Vale até colocar vendedor demonstrando fantasia a cada turno de trabalho. Falando nelas, os preços começam entre R$ 30 e R$ 50, em média, e se elevam à medida em que ficam mais originais e luxuosas.

A advogada Vanessa Viana, 41, não perdeu tempo e escolheu parte do que vai usar como fantasia durante a folia. Ela pretende gastar até R$ 500. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
A advogada Vanessa Viana, 41, não perdeu tempo e escolheu parte do que vai usar como fantasia durante a folia. Ela pretende gastar até R$ 500. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
Na Casa Lapa, outro tradicional e conhecido comércio de produtos carnavalescos, o movimento ainda não está como o previsto, mas deve ficar nos próximos dias. “Depois do dia 15 as prévias se intensificam, o que é um ponto a favor das vendas. As escolas de samba e os blocos já estão comprando em grande quantidade. Criamos até um setor específico na loja para o carnaval e a Copa”, conta a gerente Janaína Meireles, que aposta em um crescimento de 10% nas vendas, neste período.

Há também quem aproveita uma ida ao Centro para comprar outros produtos e acaba gastando já pensando no carnaval. A advogada Vanessa Viana, 41, não perdeu tempo e escolheu parte do que vai usar como fantasia durante a folia, como um corpete, máscara e adereços variados. “Agora, o fluxo de pessoas é menor. A gente pode escolher com calma e criar algo diferente”, explica.

 Vanessa contou que deve gastar, em média, de R$ 400 a R$ 500 nas produções.  O valor é um pouco acima do que os consumidores gastam, na média geral. “As pessoas vêm gastando até R$ 200 nas compras, mas até o carnaval esse valor pode aumentar”, diz Carla Braz, vendedora da Mama Festas. A contagem regressiva para se esbaldar na folia, pelo visto, já começou. 

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