Pernambuco.com



  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Combustíveis » Petrobras no limite do risco

Correio Braziliense

Publicação: 07/01/2014 08:39 Atualização:

Com todas as refinarias da Petrobras operando no limite da capacidade — esforço exigido pela crescente demanda interna de combustíveis e pela sua frágil saúde financeira —, a estatal se expõe a riscos inéditos, sobretudo ao ignorar recomendações internacionais. No último fim de semana, os efeitos de suas operações industriais cada vez mais perigosas ficaram evidentes, com a paralisação da unidade de coque da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro.

O incêndio ocorrido na noite de sábado interferiu na produção de gasolina e de diesel, segundo relato do Sindicato dos Petroleiros (Sindpetro) da região, que também calcula de cinco a 10 dias para a retomada das atividades. A entidade acusa a companhia de sobrecarregar os equipamentos, ao forçar um aumento de 20% na operação da refinaria, que processa diariamente 240 mil barris de óleo cru.

O Sindipetro calcula que a parada da Reduc, responsável por 10% de todo o parque nacional de refino, representa uma perda diária de R$ 500 mil em receitas. O prejuízo tende, contudo, a ser bem maior se considerar as importações extras de derivados necessárias para atender a demanda interna. A notícia afetou negativamente as ações da petroleira na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa).

A Petrobras informou apenas que “o incêndio ficou restrito a um equipamento específico” e que “não houve danos a pessoas e ao meio ambiente”. “Todos os sistemas e os procedimentos de segurança funcionaram conforme o previsto, e a unidade está preservada”, acrescentou, em nota. Segundo o Sindipetro, a própria presidente da empresa, Graça Foster, visitou o local horas depois do ocorrido.

Os sindicalistas vêm alertando para uma escalada de acidentes nas refinarias da empresa, que somam cinco desde novembro envolvendo especificamente a produção de coque, ocorridos nos estados do Amazonas, do Paraná, da Bahia, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Especialistas reclamam também do emprego máximo de pessoal e de máquinas.

Desabastecimento

Em dezembro, a companhia já havia sido multada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em R$ 151 mil devido à sobrecarga nas unidades de coque da Replan, em Paulínia (SP), ao longo de cinco anos. A punição foi determinada na última reunião da diretoria da agência de 2013, após a empresa apresentar recurso.

A ANP informou ontem em comunicado que está investigando as causas do acidente na Reduc. A previsão dada pela Petrobras é de retomada da produção na unidade até amanhã. A agência descartou, contudo, qualquer chance de haver desabastecimento de combustíveis no país em razão da parada.

Com o crescimento da produção de petróleo, as unidades têm atingido o ritmo de 95% de capacidade. O índice considerado normal é 85%, que permite manutenções e paradas preventivas para conter os riscos de acidentes. A estatal planeja investir US$ 64,8 bilhões na área de abastecimento no período de 2013 a 2017, sendo 51% na ampliação da capacidade de refino.

O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) estima que a Petrobras poderá ter gasto adicional de R$ 1,3 bilhão com importações de diesel e gasolina apenas em razão da parada da Repar, refinaria da estatal no Paraná, afetada por um incêndio na unidade de destilação, no último 28 de novembro.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »