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Conjuntura » Moody's dá seis meses ao Brasil

Correio Braziliense

Publicação: 07/01/2014 08:39 Atualização:

A agência de classificação de risco Moody’s informou ontem que vai analisar o desempenho do primeiro semestre para decidir se altera o rating da economia brasileira— o que pode resultar no rebaixamento da nota atribuída ao país. Em relatório, a companhia disse que espera um crescimento de pelo menos 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 e um superavit primário (economia para pagamento dos juros da dívida) nas contas públicas equivalente a 2% do PIB. Atualmente, o Brasil tem avaliação “Baa2”, com perspectiva estável.

A Moody’s é a segunda grande agência a considerar a possibilidade de rebaixar a nota brasileira, devido à fragilidade dos resultados fiscais e ao baixo crescimento econômico. Em meados do no passado, a Standard & Poor’s colocou o rating do país em perspectiva negativa. A perda de posições no ranking das agências implica maior dificuldade para captar recursos nos mercados e o encarecimento do crédito, não só para o governo, mas também para as empresas nacionais. Além disso, pode contribuir para a alta do dólar diante do real. No momento, o país mantém o chamado grau de investimento, ou seja, ainda é considerado um porto seguro para o capital de bancos, fundos e companhias estrangeiras.

Essa avaliação, no entanto, pode piorar, se a economia continuar apresentando indicadores ruins. Até setembro do ano passado, a Moody’s mantinha a perspectiva “positiva” para o Brasil, mas mudou a indicação por causa do crescimento fraco do PIB e da piora fiscal. A grande questão é como a economia vai se comportar em 2015. Para o analista-sênior da agência, Mauro Leos, o desempenho no primeiro semestre de 2014 vai ser um indicativo para o ano que vem.

“Assim que tivermos os dados oficiais e o resultado fiscal dos primeiros seis meses, teremos uma ideia de como vai ser 2015”, afirmou Leos. “Se (o desempenho da atividade) for como prevemos, vamos esperar as eleições e a mensagem do próximo governo. Se for mais fraco, vamos analisar para ver se fazemos mudanças. Se for mais forte, não vamos fazer nada”, acrescentou. A previsão de crescimento de 2% do PIB neste ano está abaixo do potencial de 3% calculado pela Moody’s, ou seja, o país está avançando abaixo da sua capacidade, que já é pequena, neste momento, devido à falta de investimentos.

Dívida

Uma importante indicação da deterioração econômica do país é a relação entre a dívida pública bruta e o PIB, que caminha para 60% neste ano. No relatório Análise de Crédito: Governo do Brasil, divulgado ontem, a Moody’s estima que ela pode chegar a 62%. “A trajetória do endividamento influenciará fortemente a perspectiva do crédito soberano do Brasil”, informa o documento.

Para agência, o governo precisa adotar uma nova postura para garantir que 2015 não seja mais um ano com fraco crescimento econômico e frágil resultado fiscal. Leos, porém, considera que a equipe econômica está fazendo progressos.

Ele citou as promessas do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de adotar uma política fiscal mais transparente. “Se o governo fizer uma apresentação simples sobre o que será feito com o resultado primário, vai contribuir para melhorar o sentimento de dúvida que existe hoje em relação ao país”, afirmou o analista.

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