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Câmbio » Dólar diminui ritmo de valorização e fecha em alta de 0,12%, a R$ 2,37

Agência O Globo

Publicação: 06/01/2014 18:31 Atualização:

A divulgação de que a atividade no setor de serviços nos Estados Unidos desacelerou em dezembro fez o dólar perder força no exterior e também diminuiu o ritmo de valorização da divisa norte-americana frente ao real. Mesmo assim, a moeda fechou o dia em alta de 0,12%, cotada a R$ 2,375 na compra e R$ 2,377 na venda, depois de iniciar a sessão no patamar de R$ 2,38. Na máxima do dia, a divisa chegou a R$ 2,387 (alta de 0,54%) e na mínima foi negociada a R$ 2,373 (queda de 0,04%).

O setor de serviços dos Estados Unidos avançou em dezembro, mas a um ritmo menor do que em novembro, segundo o Instituto de Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês). O índice ficou em 53 ante 53,9 em novembro. Já o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade do setor de serviços americano caiu de 55,9 pontos em novembro para 55,7 pontos em dezembro, de acordo com dados revisados divulgados pelo instituto de pesquisas Markit Economics. Apesar da desaceleração, a leitura continua acima de 50, que significa expansão da atividade econômica. As Bolsas americanas, que estavam sem direção, passaram a cair após o dado. O S&P500 recua 0,31%; o Dow Jones perde 0,28% e o Nasdaq cai 0,53%.

"Pela manhã, o dólar subiu forte frente a moedas ligadas a commodities no exterior, que se desvalorizam com dados piores da atividade de serviço da China. O dado mais fraco do setor de serviços nos EUA fez a divisa americana perder força frente ao euro e algumas moedas como lira turca e o rand sulafricano, refletindo também no mercado doméstico. A nota da agência de classificação de risco Moody’s tranquilizou um pouco o mercado", diz João Paulo de Gracia Côrrea, operador da corretora de câmbio Correparti.

Segundo a Moody's, o rating de credito soberano 'Baa2' do Brasil, que tem perspectiva estável desde setembro de 2013, reflete a economia vasta e diversificada do país, assim como sua renda per capita de média a elevada.

"Uma questão importante para a qualidade do crédito soberano é se as autoridades podem restaurar condições que possibilitem, eventualmente, uma tendência de queda no nível da dívida", aponta a agência. A relação entre dívida e PIB, que já chegou a 60%, pode atingir 62% em 2014.

Mas, segundo a Moody's, o Brasil tem flexibilidade fiscal limitada, em razão da estrutura rígida de gastos do governo e aos gastos elevados com encargos de dívida. O principal desafio enfrentado pelas finanças públicas é o aumento persistente dos gastos primários. Em relação às eleições de 2014, a Moody's não espera que elas resultem numa mudança nas políticas econômicas, diante do aparente consenso para preservação da estabilidade macroeconômica.

Para João Paulo Côrrea, a expectativa em relação à decisão do Federal Reserve (Fed) sobre o processo de redução dos estímulos à economia americana, também estará em pauta nos próximos meses e será um combustível a mais para pressionar o dólar. Nesta semana, será divulgada a ata da última reunião do banco central americano. E hoje, o mercado acompanha a aprovação de Janet Yellen pelo Senado americano para o cargo de presidente do Fed.

Ainda pela manhã, o Banco Central interveio no mercado de câmbio, através da venda de contratos de swap cambial, uma operação que equivale a uma oferta de moeda no mercado futuro. Foram vendidos 4 mil contratos, o equivalente a US$ 199,1 milhões. A intervençaõ faz parte do programa diário do BC de oferecer uma ração de dólares ao mercado.

Para o especialista em câmbio e sócio da corretora NGO, Sidnei Nehme, ao longo do primeiro trimestre de 2014, especialmente no seu final, o dólar poderá atingir o preço de R$ 2,50, e fechar o ano em R$ 2,60, com muita volatilidade no percurso. Ele lembra que a redução dos estímulos à economia nos EUA pelo banco central americano (Federal Reserve), provocará saídas de recursos que vão se direcionar a outros mercados mais atraentes, em especial o americano.

"Com a economia americana retomando o ritmo, ela passa a atrair capitais que estão alocados no mundo todo, em especial nos países emergentes", diz Nehme, em relatório divulgado nesta segunda.

Ele lembra que apesar do discurso enfático do governo brasileiro garantindo que o país tem capacidade de enfrentar bem a saída dos recursos do país, na prática o BC agiu e vem agindo com a percepção crescente de que o Brasil terá tempos adversos para o seu setor externo.

"O Brasil tem uma realidade macroeconômica pouco favorável para atrair recursos externos. Entre os fatores negativos estão baixo crescimento da economia, política fiscal deteriorada, inflação em alta e que em termos reais, considerados os preços livres, situa-se além dos 8% no ano e ameaça subir ainda mais em 2014 pela alta do preço do dólar e a necessária descompressão dos preços administrados, contidos em 2013. Esses fatores mantêm a perspectiva que o país possa sofrer perda de “rating” por parte das agências de classificação de risco este ano. E a balança comercial encerrou o ano de forma melancólica, praticamente com resultado zero. Contabilmente, houve um saldo positivo de US$ 2,561 bilhões", avalia Nehme.

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