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Veículos » Governo reduz pressão sobre montadoras e retrocede no quesito segurança, segundo especialistas

Agência O Globo

Publicação: 13/12/2013 20:03 Atualização:

A discussão no governo sobre o adiamento da exigência de inclusão de freios ABS e airbags em 100% dos veículos fabricados no país a partir de 2014 — motivada pela preocupação com a inflação e pela pressão de montadoras e sindicatos às vésperas de um ano eleitoral — foi interpretada por especialistas como um retrocesso à segurança dos motoristas brasileiros.

Acidentes de trânsito matam mais de 50 mil pessoas por ano e deixam mais de 400 mil com sequelas, destaca José Aurélio Ramalho, diretor-presidente da ONG Observatório Nacional de Segurança Viária. O Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) estima que o uso do ABS e do airbag pode reduzir em 29% o risco de lesão grave ou morte. Cerca de 70% dos carros são vendidos com o equipamento.

Paulo Arthur Góes, diretor-executivo do Procon-SP, lembra que os carros brasileiros têm apresentado repetidamente as piores notas em testes de impacto. "É um absurdo. As eleições não podem estar acima da segurança dos cidadãos. Em nome de manter índices de emprego e inflação não se pode abrir mão da segurança. Essas empresas tiveram todas as benesses e deram contrapartida zero. Fora do Brasil, elas não se arriscariam a colocar um carro no mercado sem airbag, sabem que o consumidor não aceitaria."

Para a Proteste, que avalia os carros brasileiros há sete anos em parceria com o Programa de Avaliação de Carros Novos Latin NCAP, a segurança sempre foi um quesito que deixou a desejar. "Se o governo incentiva carro popular, é contrassenso não colocar equipamento de segurança", diz Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste.

Sobram críticas até sob a ótica do investimento das montadoras. Para Paulo Roberto Garbossa, diretor da consultoria ADK, a mudança faltando 20 dias para a implementação soaria como “brincadeira do governo”, pois o planejamento das montadoras é feito com ao menos seis meses de antecedência: "Está na hora de rever os impostos da cadeia, em vez de ficar no sobe e desce do IPI e vendendo carros inseguros".

A Anfavea, associação que reúne as montadoras, e interlocutora frequente do governo, se afastou da polêmica. "É importante ressaltar que as montadoras já investiram para equipar a totalidade da produção com os itens", afirmou o presidente da entidade, Luiz Moan, convocado para uma reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega na terça-feira.

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