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Mercado » Dólar sobe a R$ 2,338, alta de 1,26%, após quatro dias de desvalorização

Agência O Globo

Publicação: 11/12/2013 16:55 Atualização:

O dólar comercial voltou a subir forte nesta quarta-feira (11) frente ao real após quatro pregões seguidos de desvalorização (maior sequência desde setembro). A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 2,336 na compra e R$ 2,338 na venda, uma alta de 1,26%, a maior em quase três semanas. A aproximação da reunião do Federal Reserve (Fed, banco central americano), marcada para a semana que vem, influenciou o comportamento dos mercados de câmbio pelo mundo. Na máxima do pregão, o dólar chegou a ser negociado a R$ 2,345 (alta de 1,56%). Na mínima do dia, a moeda foi vendida a R$ 2,310 (avanço de 0,05%).

Na noite de ontem, os parlamentares republicanos e democratas chegaram a um acordo orçamentário parcial no Congresso dos EUA, o que poderá evitar uma paralisação semelhante à de outubro, quando um impasse quase levou o país a um calote. O mercado agora avalia se o acordo poderia dar mais segurança para o Fed começar a retirada dos estímulos monetários já na reunião marcada para terça-feira e quarta-feira da semana que vem.

Segundo Solange Srour, economista ARX Investimentos, as chances de uma decisão a favor da retirada dos estímulos monetários na próxima semana seriam de 40%. São US$ 85 bilhões mensais injetados pela autoridade monetária americana. Ela acredita que o Fed deve apenas sinalizar que o início da redução da recompra de títulos públicos e de títulos lastreados em hipotecas será na reunião de janeiro.

"O resultado provável é uma depreciação adicional do real. E depois o mercado vai se voltar aos dados da economia americana. Se os dados vierem bons, o mercado então tende a antecipar um aumento de juros nos EUA, atualmente entre zero e 0,25% ao ano. E teremos, nesse caso, mais valorização do dólar", avalia Solange, que prevê o dólar a R$ 2,40 no fim deste ano e a R$ 2,50 no fim do ano que vem.

Em entrevista nesta quarta-feira, após participar de um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil está bem preparado para lidar com o início da retirada dos estímulos na próxima semana e que não acredita em uma “grande turbulência”. O ministro lembrou também que a
retirada dos estímulos agora “não é certa”. "O Fed vem mudando de posição em relação a isso. E é também possível que (o início da retirada) passe para o próximo ano."

Nas mesas de câmbio, a avaliação é que o real recuou com mais intensidade após a atuação de uma grande tesouraria. Mas a tendência já seria de desvalorização. Além do real, perdem terreno o dólar australiano (-0,50%), o dólar neozelandês (-0,96%), o peso mexicano (-0,77%) e o rand sul-africano (-0,27%). Entre as moedas em valorização aparecem o iene (0,29%) e o euro (0,26%), segundo a Bloomberg News.

O real se desvalorizou forte apesar da atuação do Banco Central. Nesta quarta-feira, o BC vendeu todos os 10 mil contratos de swap cambial tradicional - operação equivalente a uma venda de moeda no mercado futuro - ofertados pela manhã, intervenção de US$ 497,4 milhões. A autoridade monetária vendeu ainda 20 mil contratos de swap que vencem em janeiro. Foram US$ 988,5 milhões em rolagem.

Segundo o operador de um banco estrangeiro, o real sofre uma correção “tática” de curto prazo, com operadores puxando a cotação da moeda americana para cima diante das notícias do exterior. Para ele, o movimento é mais intenso do que outros países por fatores internos brasileiros, como o déficit em conta corrente e a deterioração fiscal brasileira.

"É um movimento de curto prazo. Como caiu nos últimos quatro dias, o dólar sobe hoje frente ao real. No médio prazo, vai prevalecer as questões estruturais brasileiras e, aí sim, vamos ver uma valorização: o dólar deve estar em R$ 2,50 daqui a seis meses e próximo de R$ 2,60 no fim do ano que vem", avalia o especialista.

Sidnei Nehme, economista da NGO Corretora, lembra que a percepção de que o Fed vai começar a retirada de estímulos vem se acentuando desde a semana passada, quando foram divulgados dados indicando a recuperação da economia dos EUA. É o caso do crescimento do PIB do país e a queda “expressiva” para 7% da taxa de desemprego.

“O Banco Central (BC) não dispõe de um ‘arsenal’ de grande porte para conter eventual apreciação da moeda americana a partir da continuidade da insuficiência de fluxos líquidos de recursos estrangeiro”, avaliou o economista, acrescentando que medidas pontuais da autoridade monetária, como a antecipação da rolagem de contratos, perderam efeito.

No exterior, o dia é de agenda fraca de indicadores econômicos. No mercado local, o Banco Central divulgou que o fluxo cambial ficou negativo em US$ 2,651 bilhões na primeira semana de dezembro. No acumulado de 2013, o fluxo está negativo em US$ 6,132 bilhões, com uma saída líquida de US$ 18,604 bilhões na conta financeira e de um superávit de US$ 12,473 bilhões na conta comercial.

Para além da questão americana, o real sofre também com a perda de credibilidade do mercado com a política econômica brasileira. O segundo maior fundo de investimento do mundo, o Total Return, comandado por Bill Gross, da Pimco, afirmou em relatório mensal, por exemplo, que está reduzindo sua exposição ao risco do Brasil.

O fundo, que tem o impressionante patrimônio de US$ 244 bilhões, avalia que “a Pimco está preocupada que os políticos brasileiros não conseguiram a combinação certa de ferramentas fiscais e monetárias para combater a desaceleração da economia”. “O fundo está recuando do risco brasileiro, e está posicionado para a depreciação do real”.

Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,81%, aos 50.067 pontos pelo Ibovespa, o principal índice de ações. É o menor patamar do índice desde 30 de agosto (50.008 pontos). As perdas foram generalizadas: dos 72 papéis que compõem o Ibovespa, apenas sete não tiveram perdas no pregão.

Segundo Fausto Gouveia, economista-chefe da Legan Asset Management, o acordo bipartidário provoca um pouco de instabilidade ao mercado de ações e leva investidores a adotar maior cautela. "O mercado vive há um bom tempo a expectativa de retirada desses incentivos e qualquer notícia que possa influenciar isso traz oscilações. Estamos aguardando a decisão do Fed antes de tomar posições no mercado", disse Gouveia. "Os últimos três dias têm sido de pouca oscilação no índice. Acho que todos aguardam a decisão."

Entre os destaques de baixa do Ibovespa, os papéis preferenciais (PN, sem voto) da Oi caíram 5,39%, a R$ 3,51. Já as ações ordinárias (ON, com voto) perdem 5,62%, a R$ 3,69. São as maiores baixas do índice no dia. Ontem, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) oficializou no Diário Oficial que a Telefónica precisa escolher entre vender 50% na Vivo ou desistir de sua posição acionária na Telecom Itália, dona da TIM.

Já as ações preferenciais da Petrobras tiveram uma desvalorização de 3,12%, cotadas a R$ 16,76. Os papéis preferenciais da Vale perderam 2,10%, a R$ 32,16. Os papéis dos bancos também têm um dia de perdas: Itaú Unibanco PN cai 2,75%, a R$ 30,66.

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