Pernambuco.com



  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Aviação comercial » Gol está operando no limite e pune clientes

Correio Braziliense

Publicação: 10/12/2013 10:50 Atualização:

Os duros ajustes financeiros e administrativos promovidos pelas companhias aéreas desde 2012, para voltar ao lucro, com corte de pessoal e de rotas, não resistiram ao primeiro grande teste. A Gol, vice-líder do mercado doméstico, com quase 40% do tráfego, deixou evidente no último fim de semana o curto espaço de manobra que lhe restou para lidar com dificuldades inesperadas, causadas pelas fortes chuvas na região Sudeste. Os altos custos de manutenção de aeronaves e de combustível deixaram, segundo especialistas, a sua operação no limite.

Para avaliar os transtornos nos maiores aeroportos do país causados pelo grande número de voos atrasados e cancelados desde quinta-feira, sobretudo no caso da Gol , a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se reuniu ontem, no Rio de Janeiro, com representantes das principais empresas. A constatação foi óbvia. Segundo o presidente da Anac, Marcelo Guaranys, houve “falhas no gerenciamento de tripulação da companhia”.

Com o quadro de pessoal extremamente enxuto, a Gol não conseguiu se programar para a possibilidade de uma equipe não conseguir chegar a tempo ao destino. A conta dos erros de cálculos foi paga pelos consumidores, que enfrentaram atrasos e voos cancelados, sem que os funcionários da empresa dessem qualquer explicação para tanto transtorno. O descaso e a demora da Gol e da Anac em reagir ao caos foram duramente criticadas pelo ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco.

A partir do diagnóstico de ontem, a Anac fará uma auditoria específica no sistema operacional da Gol. A empresa terá que apresentar um plano para evitar que os erros se repitam. “Não vamos mais admitir esse tipo de falha, que compromete a prestação do serviço. Sempre que isso ocorrer, a Anac cobrará ações imediatas das companhias”, prometeu Guaranys. Quem acompanha de perto a forma de atuação da agência garante, porém, que pouca coisa mudará. O discurso está sempre descolado da prática.

Efeito dominó

A Anac garante que está agindo com rapidez e informou que a multa aplicada à Gol até agora pelas falhas na prestação de assistência aos passageiros chega a R$ 2,5 milhões. Pelas contas de Guaranys, o valor poderá superar R$ 5 milhões, após a conclusão do trabalho de fiscalização. Segundo ele, na última quinta-feira, em razão de problemas meteorológicos, os aeroportos de Guarulhos (SP), Congonhas (SP), Santos Dumont (RJ) e Galeão (RJ) ficaram fechados algumas horas, “causando também restrições às operações em Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre”.

Em decorrência disso, voos de diversas empresas aéreas acabaram sendo afetados, como num efeito dominó. A Gol “não conseguiu administrar o problema com a mesma agilidade das outras companhias”, fazendo o problema perdurar no sábado e no domingo e na manhã de ontem. Os atrasos levaram a jornada de trabalho de tripulantes da companhia extrapolar a carga horária autorizada por questões de segurança, confusão agravada pela dificuldade em deslocar substitutos. A fiscalização percebeu ainda falhas no atendimento à clientela. O valor final das multas à Gol depende da conclusão da análise de todos autos.

TAM é notificada

A Gol informou que retomou ontem ritmo “adequado à rotina das operações aéreas”, com índice de 5,6% de atrasos nos voos domésticos, segundo dados da Infraero, estatal responsável pela gestão dos terminais aeroportuários. Foram 19 voos atrasados acima de 30 minutos desde a 0h de ontem. Os cancelamentos alcançaram 7% (24). “A Gol pede desculpas pelo desconforto causado e ressalta que a segurança de seus clientes e colaboradores é item prioritário”, afirmou, em nota.

A TAM também foi notificada a comprovar a assistência prestada diante das ocorrências e também poderá ser autuada. E, assim como a principal concorrente, poderá ser punida pela má prestação de serviços e por não ter colocado funcionários em guichês exclusivos para o registro de reclamações. A Anac informou que, dos R$ 23,4 milhões em multas aplicadas neste ano, até outubro, R$ 13,8 milhões foram para os cofres públicos. No acumulado desde 2007, a diferença é expressiva: as companhias pagaram R$ 74,8 milhões dos R$ 166 milhões cobrados.

Na reunião com a Anac, as companhias relataram os respectivos planos de contingência, que farão parte da Operação Fim de Ano, de 13 de dezembro a 13 de janeiro de 2014. Do esquema deve constar, entre outras ações, o compromisso de ocupação máxima das posições de check-in nos aeroportos nos horários de pico e o reforço de funcionários em guichês para informações e registro de reclamações. A agência promete intensificar a fiscalização, com 300 servidores nos 12 terminais mais movimentados do país.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »