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Noite » Bares descontraídos e com preço único faturam usando metodologia simples Estratégia conquista os belo-horizontinos, que comem, bebem e vão embora sem precisar esperar pela conta

Carolina Mansur

Publicação: 08/12/2013 15:02 Atualização:

A lotação de segunda a Sexta-feira é garantida por pessoas que usam de chinelo a terno e gravata. Praticidade está entre as iscas para atrair consumidores. Foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press
A lotação de segunda a Sexta-feira é garantida por pessoas que usam de chinelo a terno e gravata. Praticidade está entre as iscas para atrair consumidores. Foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press
Com jeito simples, bancos espalhados pela calçada, talheres descartáveis e fichas com valores únicos que vão de R$ 4 a R$ 5 para refrigerantes, cervejas e churrasquinhos, os bares no modelo “espetinho” têm se espalhado pela cidade. Não se sabe ao certo quantos são, mas a verdade é que já caíram no gosto do belo-horizontino. Seja pelo estilo quase self-service de se consumir ou pela economia e o fato de não ter que dividir a conta na hora de ir embora, os consumidores aprovaram o modelo de boteco. Os proprietários, por sua vez, têm entre os benefícios custos fixos menores, já que dependem de menos funcionários e precisam de um investimento menor para a abertura do negócio.

Pioneiro entre os “espetinhos”, o Churrasquinho do Luizinho, no Prado, acabou puxando uma fila de outros negócios. Só no quarteirão da Avenida Francisco Sá, onde está localizado, são pelo menos mais dois estabelecimentos com a mesma proposta. Luiz Augusto Barbosa da Costa, o Luizinho, conta que a ideia veio em 1999, quando trabalhava como ambulante e usava bolas de gude no lugar de fichas. “Como não tinha muita experiência com negócio próprio era um jeito mais fácil de controlar as vendas”, lembra. Hoje, 14 anos depois, ele tem de trocar o modelo das fichas de seis em seis meses para segurança. Além disso consegue reunir mais de 400 pessoas todas as noites.

O horário de funcionamento é outra curiosidade desse modelo de bar. Todos funcionam apenas de segunda a sexta-feira, geralmente das 17h às 23h ou à 0h. “Dá menos confusão, a gente mantém um ambiente mais familiar porque a ideia é sempre não perder o controle”, confessa Luizinho. Isso porque, além da cerveja, que precisa estar sempre gelada, e dos espetinhos, feitos com carne de qualidade (o mínimo industrializado possível), o segredo para manter o negócio, de acordo com ele, é acompanhar o seu funcionamento de perto. “Pelo fato de os preços serem menores, ganhamos no volume e por isso é importante estar aqui dentro todos os dias”, reforça.

Éder Wildson, sócio-proprietário do Espeto & Prosa, inaugurado há pouco mais de oito meses, conta que o projeto original do estabelecimento, que era de um restaurante, se transformou em um espetinho em função da viabilidade e logística. “Financeiramente, também era mais interessante abrir o espetinho porque os custos iniciais seriam menores. Além disso, o bar é a minha segunda ocupação, já que tenho um emprego fixo e é mais fácil gerenciar um espeto que um restaurante”, comenta. No entanto, ele alerta para a importância de uma administração rigorosa nesse tipo de bar. “O custo é baixo, mas nosso preço também é e a margem de lucro é menor. Por isso é preciso vender muito para valer a pena.”

Entre as vantagens em relação ao bar, ele destaca a facilidade de gestão, já que trabalha com preço único de R$ 4,50 – com exceção da água vendida a R$ 3 e o ice, a R$ 6 –, poucos garçons, melhor operacionalidade, vasilhame todo descartável, pouco investimento em mobiliário e decoração. “O copo descartável reflete nos custos com uma copeira, que deixo de empregar porque não preciso de ninguém lavando. Tudo vai para o lixo”, exemplifica. Embora a iniciativa dos empresários pareça simples, Éder garante que o cliente mineiro gosta do ambiente descontraído e da proposta de happy hour oferecida pelos espetinhos. “Até o funcionamento ajuda nisso. Durante a semana, as pessoas preferem locais onde a proposta é mais rápida. Sábado e domingo é a vez de frequentar bares e locais que pedem um tempo maior e conforto”, justifica.

Liberdade O principal ganho da venda com ficha, para o analista de sistemas Davis Medeiros, é estar livre para escolher o quanto quer consumir e poder ir embora sem precisar esperar a conta vir até a mesa. “O valor único é interessante porque você pode comprar e se não consumir tudo pode voltar no outro dia. Além disso, esse sistema dá mais limite porque sabemos exatamente o quanto estamos gastando e ainda ficamos isentos dos 10% do garçom”, lembra. “Outra vantagem é que se você bebe menos, não terá que pagar pelos outros da mesa, que beberam mais. Vai pagar apenas pelo que consumiu e sem dor de cabeça”, acrescenta.

Frequentadores assíduos dos espetinhos a funcionária pública Leila Moreira e o amigo, o engenheiro Wilson Alves, elencam entre os motivos para estar sempre no bar o ambiente propício a fazer novas amizades, preço justo e a qualidade do churrasco. “A cerveja sempre gelada e a televisão para ver o futebol também são importantes”, lembra Wilson, que mora no Sagrada Família e pelo menos quatro vezes por semana frequenta o Spetim do Lourdes. “A ficha é muito prática e evita o constrangimento da divisão da conta, que pode resultar até na perda do amigo”, brinca Leila, que desembolsa cerca de R$ 36 a cada ida ao espetinho, gastos com cerveja e churrasquinho. “Em um bar normal o gasto não seria menor que R$ 100”, compara.


Clientela sem frescura
De olho na expansão desses estabelecimentos, Henrique Neves, do Spetim do Lourdes, optou por arrendar o espaço há nove meses e dá seus primeiros passos no setor. Ao preço de R$ 4, R$ 4,50 e R$ 5, ele oferece além de pão de alho, espetinhos de carne, medalhões e brochettes. As cervejas long necks comuns são vendidas por R$ 4 e as especiais a R$ 5. “Optei por preços diferenciados para oferecer mais qualidade no produto. Os espetinhos que levam legumes, por exemplo, são mais caros porque o valor desses itens varia mais”, explica.

O local, na Rua Santa Catarina, é frequentado por profissionais no fim de expediente, estudantes, famílias e grupos de amigos. O sucesso, de acordo com Henrique, pode ser justificado pela descontração do ambiente. “Qualquer um pode vir aqui, de terno ou chinelo. A pessoa compra a ficha no caixa, pede, come e pode ir embora sem ter que esperar que fechem a sua conta ou algo do tipo”, diz. O modelo enxuto, que não pede investimentos contínuos, é outro ganho para o proprietário. “Tenho seis funcionários e consigo atender todo mundo bem”, conta.

Quem também viu no negócio uma oportunidade de faturar foi o mecânico Fábio Moreira Freitas, que junto com os irmãos e a cunhada, abriu o Espeto di Garagem. O local, como o próprio nome já fiz, funciona na garagem da casa da família, que fica a 200 metros do Estádio Independência, apenas em dias de jogos. “Trabalhamos com ficha única a R$ 4 e o sucesso é tanto que já tivemos em um dia mais de 400 pessoas assistindo ao jogo conosco”, conta. De acordo com Fábio, para agregar mais valor ao negócio, que serve como renda extra para a família, eles oferecem telão e um produto de qualidade. “O nosso churrasco é feito na chapa, na hora, o que faz com que fique mais dourado e saboroso, virando a principal atração do nosso negócio”, destaca.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: Brenda Freitas
Adorei a matéria.Estou pensando em abrir um destes para mim.Estou me informando sobre o negócio, realmente o controle é muito importante. Para quem vai montar um negócio como eu, indico o site com informações específicas para a área administrativa.http://www.gestaoderestaurantes.com.br | Denuncie |

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