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Indústria » Com alta de preços e queda na renda das famílias, produção de bebidas recua no ano

Agência O Globo

Publicação: 04/12/2013 17:15 Atualização:

Os preços da cerveja e do chope subiram 7,76% no acumulado do ano e 8,19% em 12 meses. Foto: Carlos Moura/CB/D.A Press.
Os preços da cerveja e do chope subiram 7,76% no acumulado do ano e 8,19% em 12 meses. Foto: Carlos Moura/CB/D.A Press.
A produção de bebidas, especialmente cerveja e refrigerantes, registra forte queda este ano em todas as bases comparação. No ano, o setor acumula perda de 2,8% enquanto a indústria geral avança 1,6%. Em outubro, o recuo foi de 10,4% frente a outubro de 2012 e de 5,9% em relação a setembro, contra alta de 0,9% e 0,6%, respectivamente, da indústria como um todo. Nos últimos 12 meses, a perda acumulada é de 1,9%, para 1% de avanço da indústria. Cerca de 80% do item bebidas vêm de refrigerantes, cerveja e chope.

Ao mesmo tempo, os preços de bebidas têm subido mais do que a inflação geral. Pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os preços de refrigerante e água mineral acumulam alta 6,08% no ano, contra 4,38% do IPCA geral. Em 12 meses, o aumento é de 7,09%, contra 5,84% da inflação geral. O movimento é semelhante no caso da cerveja: os preços sobem 7,76% no acumulado do ano e 8,19% no acumulado em 12 meses. A alta é ainda maior na cerveja fora de casa, de 8,32% e 10,16%. Os três subgrupos estão entre as principais altas no grupo alimentos e bebidas.

Os preços também subiram mais no atacado. O Índice de Preços ao Produtor (IPP) do IBGE mostra alta de 8,93% do preço de bebidas no acumulado do ano até outubro, frente 4,47% da inflação ao atacado medida pelo IPP. Em outubro, o aumento foi de 2,43% frente a setembro, a segunda maior alta entre os setores, contra deflação de 0,37% no IPP geral.

Na avaliação do gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, Luiz André Macedo, o setor sofre com uma alta de preços que ocorre ao mesmo tempo em que o orçamento das famílias está mais apertado pelo aumento de preços de outros itens, como alimentos: "Ao longo de 2013, as bebidas têm tido resultado negativo. Isso tem relação com o aumento de preços de setor e também com a menor renda disponível das famílias por causa de alimentos".

Segundo o estrategista de investimento da corretora SLW, Pedro Galdi, a queda na produção do setor de bebidas também está relacionada ao aumento da variedade de produtos importados nas estantes brasileiras."Hoje temos muita importação de bebidas, vemos cervejas de tudo quanto é lugar. O aumento dos impostos prejudica, mas impostos existem para todos. O que tem prejudicado o setor é a maior diversificação de produtos no mercado por conta do aumento da importação", analisou Galdi.

E o consumidor pode esperar mais alta de preços no próximo ano. Entra em vigor em 1º de abril de 2014 um aumento da carga tributária do setor de bebidas frias (cervejas, refrigerantes e águas). A elevação, que já foi adiada duas vezes, será resultado da correção da tabela de preços que serve como base de cálculo para o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para o PIS/Cofins do setor.

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