O Banco Central interveio no mercado de câmbio na manhã desta segunda-feira (11) promovendo um leilão de contratos de swap cambial reverso, operação que equivale à compra de dólares no mercado futuro. O dólar, que abriu a sessão cotado a R$ 1,94, abaixo do piso informal considerado pelo mercado de R$ 1,95, imediatamente reagiu ao anúncio do leilão e passou a subir. Por volta de 11h15, a moeda americana se valorizava 0,51% cotada a R$ 1,955 na compra e R$ 1,957 na venda. Na máxima do dia, atingida após o anúncio do leilão, a moeda americana chegou a R$ 1,959 e na mínima foi negociada a R$ 1,943.
“O BC até demorou para entrar no mercado e muita gente já especulava se o piso informal havia caído de R$ 1,95 para R$ 1,90. O leilão foi feito para controlar a velocidade da queda”, diz Felipe Pellegrini, gerente da mesa de operação do Banco Confidence.
Segundo analistas, o BC ofereceu US$ 1,5 bilhão, o equivalente a 30 mil contratos de swap cambial reverso, mas conseguiu colocar no mercado apenas US$ 999,7 milhões (20 mil contratos). O mercado vinha testando o dólar a R$ 1,94 desde a última sexta-feira, mas o Banco Central não interveio no mercado. Na última sexta, o dólar fechou em queda de 0,74%, a R$ 1,947, no menor valor desde 8 de maio de 2012. Este foi o primeiro leilão de swap cambial reverso desde o último dia 15 de fevereiro, quando o Banco Central vendeu US$ 1,35 bilhão em contratos desse tipo.
Segundo analistas de mercado, embora o governo negue, o BC vem utilizando o câmbio, desde o fim do ano passado, como um instrumento para brecar a alta dos preços. Com dólar baixo, as importações tendem a ficar mais baratas. No fim do ano passado, por exemplo, o Banco Central publicou medida facilitando a posição vendida de câmbio para os bancos por meio de mudança do compulsório bancário. Os bancos agora podem assumir posições vendidas -- quando a aposta é de queda do dólar ante o real -- de até US$ 3 bilhões sem compulsório bancário. A regra atual previa compulsório a partir de US$ 1 bilhão.
“A queda do dólar é reflexo de medidas como essa, anunciadas no ano passado, para fortalecer o real frente à moeda americana e frear a alta dos preços”, diz Pellegrini.
Na Bolsa, o destaque negativo fica para as ações ON (com direito a voto) da OGX Petróleo. Os papéis da companhia do empresário Eike Batista se desvalorizam 11,25% a R$ 2,77, após a companhia anunciar novo poço seco e queda histórica na produção média em alto mar (offshore). A desvalorização dos papéis da OGX ajuda na desvalorização do Ibovespa, já que as ações têm peso importante no índice.
Dados da economia chinesa voltam a influenciar o mercado financeiro nesta segunda-feira. A alta da inflação e a produção industrial crescendo em ritmo mais lento do que o esperado provocam a desconfiança dos investidores. Na Europa, as Bolas estão em queda e o Ibovespa principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue esse movimento. Às 11h15, o índice se desvalorizava 0,74% aos 57.998 pontos.
No cenário interno, o mercado elevou a estimativa para a Selic este ano de 7,25% para 8%, de acordo com o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, que apura estimativas junto a cerca de cem instituições. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve o juro básico estável em 7,25% ao ano, mas fez alterações em seu comunicado que, na interpretação dos analistas, abriu a possibilidade para a elevação da Selic neste ano.
Entre as ações com maior peso no Ibovespa, Vale PNA (sem direito a voto) cai 0,83% a R$ 34,44; Petrobras PN recua 1,57% a R$ 18,08; Itaú Unibanco PN perde 1,16% a R$ 36,50 e Bradesco PN perde 0,99% a R$ 36,72.
As ações PNB da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) têm a maior alta do Ibovespa, 3,38% a R$ 19,90, após o Crédit Suisse alterar a expectativa de desempenho da empresa de neutro para acima da média do mercado. Segundo o relatório do banco, a mudança nas regras de distribuição de custos de térmicas, anunciada na semana passada, deve aumentar o preço da energia vendida no mercado spot (a vista) e a Cesp deve ter incremento extra de caixa.
Na China, a inflação do país subiu para 3,2% em fevereiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. É o maior avanço do índice em base anual desde abril de 2012, quando foi registrada alta de 3,4%. Já a produção industrial subiu 9,9% em janeiro e fevereiro na comparação com igual período do ano anterior. Segundo um relatório do Bank of America (BofA) Merrill Lynch, o indicador veio abaixo da expectativa de analistas de mercado que previam alta de 10,6%. No primeiro bimestre de 2012, a produção cresceu 11,4% em termos de comparação anual.
Na Europa, as Bolsas estão em queda, com exceção de Londres, repercutindo os dados da economia chinesa. O índice Ibex, da Bolsa de Madri, cai 0,87%; o Dax, índice do pregão de Frankfurt, se desvaloriza 0,20%; o Cac, da Bolsa de Paris, apresenta queda de 0,27% e p FTSE, da Bolsa de Londres, sobe 0,19%.
Pesa também no humor dos investidores a divulgação que a economia da Itália se contraiu 0,9% no quarto trimestre de 2012. Na comparação anual, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 2,8% na comparação anual. O rebaixamento da nota de crédito soberano da Itália pela agência de classificação de risco Fitch, de 'A-' para 'BBB', também está na pauta dos investidores.
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