PETROLINA – A multinacional Monsanto, uma das maiores produtoras de sementes e herbicidas do mundo, inaugura, na tarde desta segunda-feira (1), em Petrolina, no Sertão pernambucano, um centro de desenvolvimento de tecnologias que deve se tornar nos próximos anos o principal investimento da empresa para o desenvolvimento de sementes no Brasil. A empresa começou a implementação da unidade no ano de 2009 e desde então já investiu o equivalente a R$ 40 milhões na região do Vale do São Francisco.
O foco inicial da Monsanto é acelerar o desenvolvimento de técnicas de melhoramento genético para sementes de milho, mas no futuro a unidade também trabalhará com soja, sorgo, milho doce, algodão e cana-de-açúcar. “Todos os produtos desenvolvidos por nós no Brasil vão passar por Petrolina nos próximos cinco anos. O clima do semiárido, seco e quente, ajuda a acelerar as pesquisas. Enquanto no Sul e no Centro-Oeste conseguimos dois ciclos produtivos, aqui é possível ter três, ou até quatro safras por ano”, explica John Shopper, diretor de pesquisas para a América do Sul da Monsanto.
A expectativa da empresa é que com a unidade de Petrolina seja possível acelerar o lançamento de produtos no mercado em até dois anos, já que a conclusão de algumas análises que demoram 140 dias para ser finalizadas na Região Sul e 120 dias, no Centro-Oeste, no semiárido serão concluídas num prazo entre 85 e 90 dias.
Além das questões climáticas, pesou para a instalação do centro tecnológico em Petrolina a qualidade da mão-de-obra encontrada na região, a infraestrutura do município (que conta com aeroporto) e a presença de instituições necessárias para cumprir a legislação exigida para a pesquisa com biotecnologia no Brasil. “Como já há a experiência da fruticultura, encontramos aqui uma excelente mão-de-obra, com uma qualidade que a gente não esperava. Além disso, Petrolina é considerada uma das cidades com maior qualidade de vida no Nordeste, distante das capitais e tem ainda representações do Ministério da Agricultura e de outras entidades responsáveis pelos trâmites de importação e exportação, que serão necessários para a evolução das pesquisas”, detalha o gerente da unidade da Monsanto em Petrolina, Adolar Freitag.
A equipe de trabalho da empresa conta atualmente com 45 funcionários fixos, dos quais 19 foram contratados na região. Outros 150 postos de trabalho estão sendo gerados diretamente pela empresa, que evita determinar quais serão os investimentos futuros no Vale do São Francisco, mas garante que serão de longo prazo.
“Petrolina será para nós o que o Havaí é para os Estados Unidos. Com o tempo, este será o nosso principal centro de tecnologia em sementes no Brasil. Por aqui passarão todas as sementes desenvolvidas pela Monsanto no país e também vamos trocar informações em tempo real com os Estados Unidos”, ressalta o presidente da Monsanto no Brasil, Rodrigo Santos.
O centro de tecnologia da Monsanto em Petrolina é composto por duas fazendas (de 186 hectares e de 64 hectares), laboratórios e parte administrativa. No local, são pesquisadas sementes convencionais e geneticamente modificadas (transgênicas), desenvolvidas especificamente para as regiões onde serão plantadas. Entre as tecnologias, estão o controle de pragas, o crescimento das plantas mesmo em condições adversas (como a escassez de água) e alimentos enriquecidos.
A Monsanto é uma empresa norte-americana, com 112 anos de existência e está presente há 63 anos no Brasil, onde tem unidades nos estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo, Tocantins e no Distrito Federal. A unidade de Petrolina é a 36ª no Brasil e a 19ª unidade de pesquisa. Segundo informações da empresa, atualmente até 80% do milho e 90% soja produzidos no Brasil são transgênicos.
* A repórter viajou a convite da Monsanto
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