A compra da empresa norte-americana de alimentos Heinz por um fundo de investimentos formado por brasileiros ainda não foi digerida, ao menos para o Federal Bureau of Investigation (FBI). O órgão abriu uma investigação criminal para apurar o suposto uso de informação privilegiada (tráfico de influência) em negociações das ações da Heinz, cuja negociação foi fechada, na semana passada, entre o fundo brasileiro 3G Capital e o bilionário americano Warren Buffet.
De acordo com informações do SEC (órgão regulador do mercado financeiro americano), há uma forte suspeita de manipulação nas transações dos papéis da Heinz na noite da última quarta-feira (13), véspera do anúncio da compra da empresa, cujo produto mais conhecido no mundo é o ketchup. A negociação envolveu cerca de US$ 23 bilhões.
A possível movimentação na operação de compra e venda levou o SEC a congelar ativos de uma conta de investimento na Suíça. Na avaliação do órgão regulador, foi dessa conta que teriam partido as ordens para a concretização do negócio. De acordo com a SEC, o volume das operações de opção de compra e a época em que foram realizadas foram “altamente suspeitas”. A desconfiança se justifica por que, diante das investigações, a conta não apresentou histórico de operação com os ativos da Heinz nos últimos seis meses.
Para a SEC, as negociações dos papéis que se encontram sob suspeita teriam rendido mais de US$ 1,7 milhão em lucros aos operadores. As ações da Heinz subiram 19,9% justamente no dia do anúncio da aquisição da empresa pelo fundo brasileiro. O órgão informou, ainda, que no dia anterior à aquisição, as negociações com os títulos da Heinz eram esparsos.
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