O emprego industrial fechou 2012 com recuo de 1,4% no pessoal ocupado, o pior resultado desde 2009, quando a queda havia sido de 5%. Acompanhando mesmo que com menor intensidade o ritmo da produção %u2014 que registrou queda de 2,7% %u2014, os fechamentos de postos de trabalho foram disseminados por setores e regiões e ainda não refletiram a desoneração da folha de pagamentos, segundo IBGE.
Entre os locais, São Paulo (-2,6%) apontou o principal impacto negativo no total da indústria, seguido pela Região Nordeste (-2,7%), Rio Grande do Sul (-1,9%), Santa Catarina (-1,1%), Bahia (-2,6%) e Ceará (-2,5%). Setorialmente, as contribuições negativas mais relevantes sobre a média nacional vieram de vestuário (-8,9%), calçados e couro (-6,2%), têxtil (-5,9%), produtos de metal (-3,2%).
"Houve um perfil bem disseminado e a gente não consegue observar pelos resultados impactos mais acentuados em função da desoneração da folha de pagamento", afirma André Macedo, gerente da pesquisa.
De acordo com ele, normalmente as magnitudes das variações no mercado de trabalho são menores que as da produção porque levam em conta uma série de custos e a possibilidade de perda de uma mão de obra já treinada.
Por outro lado, o valor da folha de pagamentos real da indústria, que inclui participação sobre os lucros e 13º salário, se manteve estável em relação a 2011, com crescimento de 4,3%. Todas as 14 regiões pesquisadas tiveram desempenho positivo, com destaque para São Paulo, com alta de 2,1%. "Existe uma recomposição da renda embora isso não tenha se refletido na manutenção de postos de trabalho", explica.
No índice acumulado no ano, o valor da folha de pagamento real avançou em 15 das 18 atividades pesquisadas, impulsionado, principalmente, pelos ganhos vindos de alimentos e bebidas (9,6%), máquinas e equipamentos (6,1%), indústrias extrativas (8,8%), produtos químicos (4,4%). Por outro lado, os setores de vestuário (-2,7%), calçados e couro (-0,9%), madeira (-1,6%) exerceram as influências negativas sobre o total nacional.
O índice de horas pagas na indústria, que costuma ser um antecedente de contratações, acumulou recuo de 1,9% no ano passado, com 14 dos 18 setores pesquisados apontando taxas negativas.
Os impactos mais relevantes na média global da indústria foram verificados nos ramos de vestuário (-9,8%), calçados e couro (-6,5%), têxtil (-4,9%), produtos de metal (-3,0%), madeira (-8,3%), papel e gráfica (-3,7%), meios de transporte (-2,2%), metalurgia básica (-4,7%) e outros produtos da indústria de transformação (-3,3%).
Em sentido oposto, o grupo alimentos e bebidas (2,7%) exerceu a principal contribuição positiva sobre o total do número de horas pagas aos trabalhadores da indústria.
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