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Negócios » Às vésperas da Copa e da Olimpíada, marketing esportivo é a bola da vez

Augusto Freitas

Publicação: 07/02/2013 21:16 Atualização: 08/02/2013 19:51

Com apenas três meses de atuação do mercado, a pernambucana Garra já estampa os uniformes de seis clubes  (Augusto Freitas/DP/D.A Press)
Com apenas três meses de atuação do mercado, a pernambucana Garra já estampa os uniformes de seis clubes

Não basta ter apenas a camisa 10, a do craque, do time de futebol preferido. Nem o boné com três letras maiúsculas garrafais símbolo da empresa de lutas mais forte do planeta. Tampouco a bermuda ou o par de chuteiras padronizados, marcas registradas das celebridades do mundo esportivo. Se você quiser e tiver dinheiro para isso, possivelmente vai querer ser o espelho do seu ídolo.
 
Não se trata de exagero. Quando se fala no mercado de marketing esportivo no Brasil, o céu é o limite para as empresas estamparem o seu nome seja lá onde for: no campo, na quadra, nas areias, ringues e academias, na arquibancada, no próprio corpo. Afinal, se o produto é bom e está agregado a uma determinada modalidade, clube ou atleta, a chance de se tornar uma mina de ouro é imensa.

A Rota do Mar patrocina 14 clubes, sendo seis em Pernambuco (Divulgação/Rota do Mar)
A Rota do Mar patrocina 14 clubes, sendo seis em Pernambuco
O Nordeste é um bom exemplo da reviravolta que o segmento passa. Principalmente no futebol. Dominada por torcidas apaixonadas de clubes de massa, a região, cujos índices de crescimento econômico crescem a cada ano, se tornou um celeiro para novas marcas, produtos e empresas dispostas a abocanhar uma fatia do disputado mercado da bola.

Três meses de atuação no mercado, seis clubes estampando uma nova marca de material esportivo nos uniformes de jogo e treino e visibilidade em três competições das mais acirradas - e rentáveis - do Brasil, os campeonatos pernambucano e baiano, e a Copa do Nordeste. Esta é a empreitada em que o empresário Gustavo Aguiar, 43, “se meteu” em 2013.

Fundador e diretor da empresa Megasports, especializada em marketing esportivo, o administrador criou, no último mês de novembro, a Garra, nova marca de uniformes para atletas. Em pouco tempo, a ideia era estampar o produto, inicialmente, em apenas uma equipe de futebol que disputa umas das competições citadas. Era pouco para um projeto ousado, inovador e desafiador.  

“Analisamos o mercado, ouvimos torcedores e constatamos que havia uma carência não apenas de empresas nesta área, mas de empresas que cumprissem prazos e oferecessem produtos personalizados com qualidade”, explica Aguiar. Com a experiência de 11 anos de atuação no universo futebolístico, fechar contratos com mais de uma equipe foi o resultado natural.

A Garra chega a produzir mais de mil peças para cada time em uma única temporada e tem seu nome estampado nos times Chã Grande, Central e Petrolina (pernambucanos), e Feirense, Jacuipense e Juazeirense (baianos). Além do vestuário, a Megasports, com 95% de atuação no Nordeste, também atua na exploração comercial dos estádios, com propagandas em placas e painéis de LED.

A “sacada” de Gustavo Aguiar não aconteceu por acaso. Basta lembrar que o Brasil vai sediar três competições esportivas de grande porte até 2016: Copa das Confederações (o evento-teste para a Copa do Mundo), neste ano, o mundial da Fifa, em 2014, e a Olimpíada, no Rio de Janeiro, em 2016. Ou seja, há um nicho potencial a ser explorado.

E como há. Dados da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) apontam que o esporte, em suas mais variadas modalidades, movimente algo em torno de US$ 1 trilhão por ano em todo o mundo. Não há números oficiais sobre o Brasil e o Nordeste, mas estima-se que movimento gerado pela indústria do esporte, em média, é de R$ 31 bilhões por ano, o equivalente a 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Gustavo Aguiar é fundador e diretor da empresa Megasports. Ele acredita que o setor tem muito a ser explorado (Augusto Freitas/DP/D.A Press)
Gustavo Aguiar é fundador e diretor da empresa Megasports. Ele acredita que o setor tem muito a ser explorado
Para Gustavo Aguiar, que investiu R$ 200 mil na produção dos uniformes em Santa Cruz do Capibaribe e fechou contratos por temporada (em alguns caso, por campeonato), o segmento tem muito a ser explorado. Tanto que a atuação da Garra não vai se restringir ao futebol. De olho no segundo mercado mundial de academias de ginástica, 18.763 estabelecimentos, de acordo com a Associação Comercial Representativa de Empresas de Saúde e Fitness (IHRSA), o empresário quer mais.

“No Nordeste há cerca de 100 clubes com potencial de negócios e nossa meta é elevar a quantidade de equipes com a marca. Como a Série B é um campeonato bastante rentável e de alta visibilidade, queremos manter o número atual ou atingir ao menos oito times. Além disso, vamos iniciar, futuramente, uma produção específica de roupas para academia e outros esportes, com linhas de produtos exclusivas”, ressalta Aguiar.



Ousadia, planejamento e modelos
Ingressar no mercado esportivo e se manter diante de concorrentes de peso não é moleza para empresas que buscam visibilidade. A receita do sucesso - se é que ela existe -, em alguns casos, exige ousadia. E, claro, sorte de quem sabe negociar. Em Pernambuco, a Rota do Mar é um bom exemplo do que um planejamento bem-feito pode resultar em termos de crescimento, faturamento alto e muita mídia.

A modelo paraguaia Larissa Riquelme está entre as beldades contratadas pela Rota do Mar para fortalecer a marca  (Nando Chiappetta/DP/D.A Press)
A modelo paraguaia Larissa Riquelme está entre as beldades contratadas pela Rota do Mar para fortalecer a marca
A empresa sediada em Santa Cruz do Capibaribe nasceu com uma proposta de produtos (roupas) ligados à moda praia. Mais precisamente, o surf, seu carro-chefe. Depois, estendeu sua linha para o skate, esporte tradicional e bastante praticado no estado. Mas foi no futebol que a empresa descobriu um oásis de visibilidade. Somente este ano, a marca patrocina 14 clubes, sendo seis em Pernambuco, sete na Paraíba e um no Piauí. Além disso, expõe placas de publicidade em estádios da Paraíba, Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte e Bahia.

“Todos os anos disponibilizamos 3% do faturamento para as ações de marketing de esportivo. A média de valores nos contratos varia conforme a história do clube. O mercado nordestino está cada vez mais forte”, reforça Lucas Galindo, gerente de marketing da Rota do Mar. Parte do sucesso da marca, aliás, se deve à presença de modelos famosas, a exemplo de Viviane Araújo, a ex-panicat Dani Bolina, a paraguaia Larissa Riquelme e a funkeira Valesca Popozuda, presentes nos lançamentos de uniformes em que a Rota do Mar estampa sua marca.

De acordo com Rafael Zanette, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Marketing Esportivo (IBME), uma das razões para o crescimento do setor no Brasil é a atenção que muitas empresas passaram a dar ao esporte, algo que não acontecia em anos anteriores. Some-se a isso a chegada de grandes redes que estão despejando montanhas de dinheiro em várias equipes, atletas e modalidades de olho em visibilidade.

“O impacto das cotas de patrocínio é muito elevado. Hoje, essas empresas cobram pelos resultados e maior visibilidade, à medida em que aumentam os investimentos. Mesmo com o futebol sendo a vitrine, percebemos que outros esportes, como skate, ciclismo e surf têm sido fortalecidos, principalmente nas capitais fora do eixo Rio-São Paulo. É um mercado promissor, que só tem a crescer com as competições que o Brasil vai sediar”, completa.

O mundo dos esportes no Brasil
Futebol Estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas, jovens em sua totalidade, pratiquem o esporte que é paixão nacional. Dados do mercado apontam que a modalidade movimente R$ 250 bilhões em negócios e responde por 63% dos investimentos em patrocínio no Brasil
Vôlei Após as recentes conquistas da seleção brasileira na Liga Mundial e nas Olimpíadas, tornou-se o segundo esporte mais praticado no país, atraindo 15% das verbas de patrocínio. É forte tanto na quadra e quanto na areia
Natação Carente de investimentos e novos atletas, a modalidade tem uma estreita ligação com o público e atletas de nível internacional. Para as empresas, é um ótimo nicho, já que agrega para as marcas os conceitos de saúde, vigor, performance e tecnologia
Tênis Cresceu no Brasil após as conquistas do tenista catarinense Gustavo Kuerten e está entre os esportes mais vistos na TV fechada. Está diretamente ligado a uma parcela de público com alto poder aquisitivo
Basquete Permaneceu no anonimato por muito tempo, mas voltou à cena depois que jogadores de outras nações vieram jogar no Brasil. No momento, voltou a ocupar um espaço considerável nas mídias
Futsal O Brasil mantém a hegemonia intacta no cenário mundial, seguido de perto pela Espanha. Analistas apontam que são cerca de 10 milhões de praticantes no Brasil. Com calendário bem elaborado e estrelas nas quadras, tornou-se uma modalidade visada pelas grandes empresas
Skate/Surf Dois esportes tradicionais no Brasil, desfrutam de certo prestígio, mas ainda não são fortes como em outros países, mesmo com campeões mostrando talento nas águas e nas rampas. Tem público cativo entre os jovens
MMA Fenômeno de negócios nos EUA e no Japão, chegou ao Brasil de forma tímida e hoje desponta com status de potência mundial. Ao lado do futebol, transformou-se em paixão nacional, uma vez que o país possui campeões mundiais nas categorias do UFC, a maior empresa do esporte


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