A maior festa brasileira, que atrai olhares de todo o mundo e investimentos milionários, também apresenta impacto direto na redução da informalidade no país. Levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que a formalização de Microempreendedores Individuais (MEI) em dez atividades ligadas ao carnaval foi maior do que a média nas quatro capitais mais beneficiadas pela Folia de Momo em 2012.
Até novembro passado, os segmentos de aluguel de palcos e estruturas, cantor independente, maquiador, ambulantes de alimentação, barraqueiro, marmiteiro, customizador de roupas, costureira, fabricação de calçados e artesão em gesso tiveram crescimento médio de 76% em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Já o número total de empreendedores autônomos, que faturam até R$ 60 mil por ano, aumentou em média 73% nessas capitais.
“A folia da informalidade no carnaval está com os dias contados”, avalia o presidente do Sebrae, Luiz Barretto. “As escolas de samba, que recebem inclusive recursos públicos, preferem contratar profissionais com Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e nota fiscal. Por isso é fundamental a formalização, até mesmo para gerar outras oportunidades de negócios ao longo do ano.”
No Rio de Janeiro, por exemplo, o preparo das fantasias para o desfile de escolas de samba ou para os foliões dos blocos de rua vem incentivando a formalização de empreendedores. Até novembro de 2012, aumentou em 128% o número de MEI que customizam roupas na capital fluminense.Em Salvador, para o carnaval de 2013 foram disponibilizadas mais de cinco mil licenças para pontos de ambulantes nos circuitos oficiais - Batatinha, Dodô e Osmar. Cada ponto licenciado envolve diretamente quatro trabalhadores.
As associações representativas dos ambulantes estimam que mais de 40 mil ambulantes, entre licenciados e não licenciados, atuem no carnaval em mais de dez mil pontos de comercialização. Nos últimos quatro anos, o Sebrae capacitou em Salvador mais de sete mil empreendedores (média de 1,8 mil por ano), exclusivamente para o período.
Para garantir a lucratividade, os pequenos negócios da capital soteropolitana se organizaram em uma central de compras, o que permitiu aumentar o poder de negociação junto às cervejarias, reduzindo em até 20% o custo final das cervejas em relação ao preço médio praticado nos supermercados, tradicionais postos de abastecimento dos ambulantes.
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